A Direita fica à Esquerda, artigo de Efraim Rodrigues

 

crise ambiental

 

[EcoDebate] Desde que comecei a tentar entender o mundo que vejo dois, e somente dois tipos ideológicos. Tem os que acreditam no indivíduo construindo o todo, chamados de direita, conservadores, capitalistas, neoliberais etc. e os que acreditam que o grupo constrói o indivíduo, que são os de esquerda, socialistas entre tantos outros termos.

Ao longo do tempo parece que a cisão tem aumentado e as pessoas nem mais se preocupam em dialogar, informar-se ou melhorar seus argumentos. É mais fácil reafirmar as próprias certezas dentro do próprio grupo e a internet ajuda muito isto.

A visão de ambiente nos dois grupos difere bastante, com os conservadores historicamente resistindo mais a limitações individuais em prol de um ambiente que é sempre coletivo. O povo da esquerda, ao contrário, sempre foi mais simpático à causa e talvez por isso melhor informados, mas também muitas vezes despregados da realidade.

Mas a coisa parece enfim mudar. Exatamente por minha inclinação à esquerda que assino dois veículos mais à direita, Estado de São Paulo e The Economist. Um deles estampou na capa no último sábado que a concentração de CO2 é a maior em 800 mil anos. O segundo no dia 14/09 fez excelente matéria sobre extinção de espécies, com profundidade de livro-texto e leveza jornalística.

Estes dois veículos falam para um grupo esclarecido de pessoas que percebeu que sem ambiente não há nada, inclusive empregos ou investimentos, mas eles precisam caprichar nos argumentos e dados, pois muitos de seus leitores torcem o nariz para qualquer ideia ambiental como coisa de comunista e ponto final.

Há também os antigos desinformadores de sempre, mais preocupados em entregar o que as pessoas querem ouvir, do que informar. Nesta semana, por exemplo, a Revista Veja desesperadamente imprimiu um “IPCC tenta resgatar credibilidade” quando não seria mesmo possível torcer as palavras do relatório para negar as alterações do clima. O mesmo costuma fazer o tablóide inglês Daily Mail, de quem a Veja costuma cortar e colar matérias.

Direita ou esquerda tanto faz por uma simples razão, o coletivo não vive sem o individual, eu não vivo sem você, você não vive sem mim.

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br), Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva. É professor visitante da UFPR, PUC-PR, UNEB – Paulo Afonso e Duke – EUA. http://ambienteporinteiro-efraim.blogspot.com/

 

EcoDebate, 17/10/2013


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2 comentários em “A Direita fica à Esquerda, artigo de Efraim Rodrigues

  1. “Aqui estou eu, que nada mais sou do que tu,
    O espírito do todo a que nos transformamos a cada dia,
    Pela simples razão, de que precisamos juntos viver
    E ser uma só coisa nessa transformação a que nos submetemos…
    Tu te confundes comigo porque és fruto de mim…
    E eu de ti, e eu, de ti.”
    Raices de América – La Ciudad

  2. Não podemos ser tão simplistas nos conceitos. Este conceito de direita e esquerda foi o mais simplista que já vi e despreza as particularidades individuais que tem uma contribuição muito significativa na construção do coletivo. ele muito ultrapassado, no meu entender!

Comentários encerrados.

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