Turbina eólica vertical urbana, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

 

Turbina eólica, com eixo horizontal
Turbina eólica, com eixo vertical. Foto: MIT Technology Review

 

[EcoDebate] A produção de energia é fundamental para a manutenção da estrutura produtiva moderna. O grande crescimento da economia e da população mundial só foi possível devido ao uso de energia não humana e não animal. Ou seja, a sociedade moderna se desenvolveu graças ao uso e ao abuso dos combustíveis fósseis, que além de serem não renováveis são poluidores e agravam o problema do aquecimento global.

Portanto, a humanidade precisa de energia, mas precisa superar rapidamente a era do petróleo, do carvão mineral e do gás. As alternativas mais promissoras são a energia solar e a energia eólica. Já escrevi sobre ambas (ver referências abaixo). As energias do sol e do vento podem ser uma alternativa às represas hidrelétricas da Amazônia, possibilitando a sobrevivência da floresta e da biodiversidade, assim como permitindo que as águas corram livremente.

Neste artigo vou falar de um tipo especial de turbina eólica. Há dois tipos de turbinas eólicas, com eixo horizontal (Horizontal-axis wind turbine – HAWT) e com eixo vertical (Vertical-axis wind turbine – VAWT). A maior parte das turbinas em funcionamento no mundo são do primeiro tipo. Em geral, estas turbinas são colocadas em áreas litorâneas, montanhas ou nos oceanos nas plataformas continentais e costumam ser barulhentas.

A capacidade de produção de energia eólica alcançou o montante de 282.275 Megawatt, sendo 44.609 Megawatt somente em 2012, representando um crescimento de 19,2%. Somente a China adicionou 13 Gigawatt em 2012, mais do que toda a energia produzida por Itaipu (segundo dados da World Wind Energy Report 2012)

Mas a maior parte do consumo está nos centros urbanos. Portanto, a possibilidade de instalar turbinas nas cidades seria muito adequado, desde que fosse solucionado os problemas das grandes hélices das turbinas, o barulho, a morte de aves, etc.

A solução pode existir e tem sido buscada por meio das turbinas verticais e silenciosas. Este tipo de aerogeradores não necessita de dispositivo de orientação da turbina face ao vento, tal como acontece nos aerogeradores de eixo horizontal. As turbinas verticais podem ser colocadas no teto das casas ou no topo dos edifícios.

As turbinas verticais urbanas, paralelamente à revolução verde na energia, podem também revolucionar o tipo de propriedade de sua produção, possibilitando que casas e prédios tenham poder sobre o futuro energético das cidades.

O crescimento da energia eólica e solar pode ser uma alternativa viável para a superação do “pico do petróleo”, para evitar os problemas da queima dos combustíveis fósseis e para fazer a transição para uma economia de baixo carbono.

Referências:

ALVES, JED. Energia renovável: um salto na evolução? EcoDebate, RJ, 29/01/2010

http://www.ecodebate.com.br/2010/01/29/energia-renovavel-um-salto-na-evolucao-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. Energia verde para reduzir a pegada ecológica. EcoDebate, RJ, 04/02/2010

http://www.ecodebate.com.br/2010/02/04/energia-verde-para-reduzir-a-pegada-ecologica-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. Blowin’ In The Wind: Itaipus de cataventos. EcoDebate, RJ, 05/02/2010

http://www.ecodebate.com.br/2010/02/05/blowin-in-the-wind-itaipus-de-cataventos-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A “corrida do ouro” da energia renovável. EcoDebate, RJ, 14/05/2010

http://www.ecodebate.com.br/2010/05/14/a-corrida-do-ouro-da-energia-renovavel-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. Power to the people: energia verde para a comunidade. EcoDebate, RJ, 21/07/2010

http://www.ecodebate.com.br/2010/07/21/power-to-the-people-energia-verde-para-a-comunidade-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. O Brasil pode ser a “Arábia Saudita” da energia renovável. EcoDebate, RJ, 09/06/2011

http://www.ecodebate.com.br/2011/06/09/o-brasil-pode-ser-a-arabia-saudita-da-energia-renovavel-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

 

EcoDebate, 04/09/2013


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3 comentários em “Turbina eólica vertical urbana, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

  1. Quem fabrica no Brasil, este tipo de Turbina Eolica

    (vertical)?

    Resposta do EcoDebate: Prezado Saulo, no momento, estas turbinas (com eixo vertical) ainda não são produzidas no Brasil. Os modelos com eixo horizontal já estão disponíveis, inclusive para uso domiciliar. Veja, por exemplo, na Enersud – http://enersud.com.br/

  2. Cidades não são, e não devem ser, vazios de biodiversidade.
    Cidades possuem e recebem morcegos, aves, mariposas, grandes coleópteros e muitos outros animais voadores, para os quais esses rotores verticais são potencialmente destrutivos e perturbadores.

    A internet está cheia de artigos e filmes sobre o impacto de rotores eólicos em indivíduos e populações de aves, morcegos e invertebrados.
    Esses equipamentos chegam mesmo a interferir de forma significativa em esforços migratórios de aves e da borboleta-monarca (Danaus plexippus: http://www.geog.ubc.ca/biodiversity/factsheets/pdf/Danaus_plexippus.pdf).

    Será necessário que nossas cidades se tornem território ainda mais agressivo e ameaçador para animais nativos, ainda mais do que já são, excluindo seus habitats, desconectando populações e impondo riscos renovados e diversificados?

    Só para dar um exemplo, como ficariam, por exemplo, no Sudeste do Brasil, os riscos de muitas dessas turbinas numa cidade visitada pela “andorinha-azul” migratória (Progne subis)?
    Sabemos que essas andorinhas são vítimas frequentes, em cidades como Rio Claro e Piracicaba, de fios elétricos, antenas diversas e fachadas envidraçadas.
    Se ocorrem acidentes com elementos fixos, quantos mais não poderiam ocorrem com rotores giratórios de pás quase invisíveis?
    E o que dizer de aves migratórias raras, como o falcão-peregrino?

    É imprescindível que os projetos de implantação de empreendimentos de energia contemplem de forma séria e responsável todos os riscos previsíveis para a biodiversidade.

    Celso

    PS. Sobre Progne subis:
    http://www.folhadomeio.com.br/publix/fma/folha/2005/11/gripe163.html

    Celso do Lago Paiva
    Instituto Pró-Endêmicas
    celsodolago@hotmail.com
    http://www.linkedin.com/profile/view?id=216713221&trk=tab_pro
    Curvelo, Minas Gerais

  3. Celso,
    O risco dessas turbinas pode ser minimizado com o uso de cores contrastantes com a cor do céu. E mesmo que sejam turbinas azuis, o risco de colisão e mortes de aves dessas turbinas pequenas é bem menor que o risco de aves colidirem com vidros espelhados. Ou das aves serem mortas por gatos.

    Já a produção de energia local nas cidades (de preferência somada com aumento da eficiência no uso de energia, para que a produção local seja suficiente) pode diminuir o número de mortes de aves e outros animais diminuindo a necessidade de mais usinas centrais e de linhas de transmissão. Na soma desses fatores, não acho difícil descobrir que o número de mortes de aves por turbinas eólicas pequenas e locais possa ser menor que o número de morte de aves pelo nosso sistema de distribuição de energia convencional.

Comentários encerrados.

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