Quero falar de coisa nenhuma para chegar a lugar algum, artigo de Gilmar Passos

 

artigo

 

[EcoDebate] A necessidade em ter conclusões nos leva a acertos e erros, nos levam também a conclusões precipitadas, caminhos que nos levam a preconceitos. Fazemos isso constantemente e dessa forma machucamos e somos machucados muito mais do fazemos benefícios. Há conclusões que realmente são corretas e há também conclusões incorretas, intolerantes e desumanas.

Há alguns pensamentos na vida do ser humano que realmente provocam desequilíbrio a toda conjuntura global do sujeito pessoal. É preciso atenção para que não sejam criadas armadilhas nas decisões de cada pessoa ou cause agressão quando ela errar querendo fazer o bem.

Nem todo erro deve ser julgado do mesmo modo. Alguns erros são realmente provocados por consciência livre e autônoma, outros acontecem por outros fatores que não responsabiliza aquele que o pratica, pelo simples fator de faltar liberdade e consciência. Nos entanto, há erros que não se enquadram em nenhum desses modelos citados, é o caso de errar querendo acertar. Nem todos que erram querem errar e nem todos que acertam querem acertar.

Muitas pessoas cometem erros tendo plena consciência de estar fazendo a coisa certa. Neste caso é de se pensar que ela quer acertar, se o pensamento for contrário poderá causar agressão. Sabendo que ela quer acertar toda a conjuntura social, política e religiosa deverá ser acessível para facilitar o recomeço da pessoa que cometeu tal erro. Isso é necessário acontecer para não confundir o erro com a pessoa que o cometeu, pois a pessoa não é o erro que ela comete. É necessário tratar a pessoa como pessoa e o erro como erro. Tudo se converge para salvar vidas e denunciar e eliminar o erro.

As ações precipitadas carregam a tendência de serem violentas, por isso é mais produtivo evitar certas conclusões. Em muitos casos é melhor pensar e falar sobre coisa nenhuma sem querer chegar a lugar algum. Isso se torna claro nas conversas onde não há preocupação em chegar a conclusões, tendo como objetivo conversar, falar o que estar sentindo.

As conversas tornam-se diálogos profundos quando os assuntos discutidos seguem uma sequência sem “lógica”, isto é, seguem uma trajetória sem preocupação em conclusão final. Quando as conversas levam a conclusões parciais o diálogo flui suavemente, ficando “um pouquinho de quero mais” quando o tempo impede a continuidade do momento.

Relacionamentos e conversas sem preocupação em conclusões são mais produzem mais humanidade. Grandes e oportunos momentos são desperdiçados devido à insistência imediata nas conclusões. Precisamos de menos conclusões em nossos relacionamentos. Com menos conclusões caíram muitos rótulos de pessoas e elas apareceram como realmente são.

Fica uma sugestão ao leitor: “falar de coisa nenhuma para chegar a lugar algum”.

Gilmar Passos é padre da Diocese de Estância/SE, escritor, teólogo e poeta. Autor dos livros “Identidade crosta no século XXI” e “Miopia humana e mensagem cristã: uma leitura de fé em tempos de crise”, ambos publicados pela Fonte Editorial.

EcoDebate, 30/08/2013


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Um comentário em “Quero falar de coisa nenhuma para chegar a lugar algum, artigo de Gilmar Passos

  1. Pe.Gilmar não sei si minhas palavras vai sair do contexto que acabei de ler,mas vou expressar o que vem de dentro.
    O melhor e mais saudável é ter um relacionamento humano com todos respeitando a opinião de cada um.
    Entregamos todos os nossos problemas nas mãos de DEUS e que a fé nos conduza a um caminho de muita luz e sabedoria.Por que as vezes não chegamos a lugar nenhum se não houver um dialogo saudavel.
    Abraços.

Comentários encerrados.

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