Programa ‘Mais Médico’ ao invés de Programa ‘Pró-saúde’, artigo de Patrícia Aparecida Pereira Souza de Almeida

 

Brasília, 26/08/2013 - Profissionais estrangeiros do Mais Médicos participam do curso de preparação, com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa
Brasília, 26/08/2013 – Profissionais estrangeiros do Mais Médicos participam do curso de preparação, com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Foto de Elza Fiuza/ABr

 

[EcoDebate] Muito triste a situação a que nós chegamos nesse país.

A cada dia que passa as situações parecem cada vez mais bizarras.

Agora, a ‘bola da vez’ é a chegada de médicos cubanos para trabalharem em caráter de urgência aqui no Brasil.

Engraçado que a situação de urgência se apresenta como urgentíssima só agora, um ano antes das eleições presidenciais. Ou ainda, só após as passeatas, quando o ‘gigante acordou’ e a população foi às ruas reclamar por mais saúde, transporte e educação ao invés de estádios de futebol padrão FIFA.

Pois bem, a questão é muito mais complexa do que aceitar ou não a vinda dos médicos cubanos ou de outras nacionalidades ao nosso país.

A situação passa pela questão da infraestrutura da saúde em nosso país.

Um ponto é certo e nem deveria ser motivo de cogitação: Não importa a nacionalidade, a cor ou a aparência dos médicos, mas todos deverão sim, antes de exercer sua profissão passar pelo revalida de seu diploma.

Partindo dessa premissa, jamais um Conselho Regional de Medicina deveria pedir a desobrigação do registro dos profissionais estrangeiros inscritos no Programa ‘Mais Médicos’ para não apresentarem a revalidação do diploma estrangeiro.

Isto não existe!

Em qualquer país sério, o profissional precisa ter seu diploma reconhecido e validado para exercer sua profissão.

E se a situação pede urgência, não é de hoje. Contudo, no afã de tapar buraco, corre-se o risco do tiro sair pela culatra e o que poderia ser uma benção ao povo tão carente e necessitado, pode ser a última pá de cal. Ou seja, morreu, mas morreu feliz, pois passou por um médico.

Não é isso que queremos! Ou é???

Pois bem, a população pede por saúde e por médicos, mas em condições do exercício legal da medicina e aí, nesse rol, além de médicos com diplomas válidos, incluem-se: hospitais, equipamentos, remédios etc.etc.etc..

Com isso, de nada adianta chegarem médicos, se não houver infraestrutura necessária para o exercício da profissão para a qual foram trazidos.

Ou quem não se lembra da médica carioca que desabafou em seu plantão em rede nacional alegando que a saúde anda a míngua???

Há de se comentar que além da falta de médicos que são afugentados da administração pública pelos baixos salários, ainda há o problema do ambiente de trabalho degradado onde o médico fica exposto e fadado ao fracasso por falta de condições de trabalho (faltam macas, leitos, UTIs, entre outros).

E isso senhores, em um hospital no Rio de Janeiro e o que dizer nas pequenas cidades no interior do Norte e Nordeste do país para onde irão esses médicos e que exibem os piores índices de desenvolvimento humano (IDH)???

Então, a questão é… Não adianta chegarem os médicos se os mesmos não tiverem condições de trabalho.

A senhora que trabalha em minha casa, aqui em Santos, (sexto melhor índice de desenvolvimento humano nesse país) foi ao posto buscar remédio a que ela tem direito e o remédio veio estragado, ao tirar da cartela, o mesmo esfarelou em sua mão, mesmo antes de entrar em contato com a água.

Ou seja, que país é esse! Será que só o Programa ‘Mais Médicos’ será suficiente para resolver a situação da saúde (falta de saúde) nesse país?

Patrícia Aparecida Pereira Souza de Almeida. Bióloga, mestra em Hidráulica e Saneamento, doutora em Ciências da Engenharia Ambiental e professora-tutora da FGV Online.

 

EcoDebate, 29/08/2013


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6 comentários em “Programa ‘Mais Médico’ ao invés de Programa ‘Pró-saúde’, artigo de Patrícia Aparecida Pereira Souza de Almeida

  1. A Patrícia Aparecida Pereira Souza de Almeida. Bióloga, mestra em Hidráulica e Saneamento, doutora em Ciências da Engenharia Ambiental e professora-tutora da FGV Online conhece a situação da saúde no Brasil pela “senhora” que trabalha na casa dela… Em Santos (sexto melhor índice de desenvolvimento humano nesse país) se a eminente doutora pagar direitinho o que manda a lei a “senhora” que trabalha na sua casa, ela pode ir comprar o remédio na farmácia da esquina e, assim, vai poder reclamar do laboratório farmacêutico que fabricou o remédio. É mais chic, né?

  2. Gostaria de ressaltar que o problema da saúde não é emergencial. Ele é crônico e profundo. Os médicos cubanos não vêm aqui para ficar. Eles vêm por tempo determinado. Certamente, se o programa continuar na próxima administração presidencial, eles serão substituídos por outros, como produtos que são de exportação, perecíveis e de tempo de validade, incompatível com o tempo necessário para solucionar os problemas da saúde. Há que se pensar ainda que o ser humano não é, nem deve ser, em qualquer lugar do mundo, uma mercadoria de uso discricionário do Estado. E a dignidade humana? E os sonhos individuais, familiares e profissionais, onde é que ficam? Concordo com a doutora quando clama pela revalidação. Mesmo os que são portadores de pós graduação e de experiência devem ser submetidos ao exame. Eles, por isso, não devem o que temer. Mas, por outro, existem médicos e “médicos”, como existem advogados e advogados, engenheiros e engenheiros (não falo, apenas do lado profissional, mas do ético e moral), apesar de tudo. E a nossa realidade de doenças, saúde, etc. não deve ser a mesma. Em tempo: desde quando uma doméstica, mesmo com os direitos ora alcançados, tem esse poder de compra? Classe média, conforme entende esse governo, é uma piada de mal gosto. Nunca se reparam a relação renda versus gastos. Aliás, Sr. Edmundo, sugiro que o Sr. consulte, por exemplo, qual seria o salário mínimo segundo o DIEESE. Eu, que sou professor de ensino Superior, aposentado, Associado 4, tenho dificuldades orçamentárias (ganho bem menos, em termos líquidos) que os 10.000,00 reais de bolsa que os médicos estrangeiros farão jus, exceto os cubanos, cuja maior parte vai para o Governo, tendo, também como benefício, a estadia paga pelas prefeituras), avalie uma doméstica.

  3. Com certeza a vinda de médicos estrangeiros não resolverá o problema da saúde no Brasil. Mas acho necessário o trabalho dos profissionais, desde que habilitados pelas leis e normas que regem o CRM,nos locais onde os médicos brasileiros não querem trabalhar. Se não há infra estrutura nos municípios distantes e nem pessoas minimamente habilitadas para atender doentes necessitados, qual será a esperança deste povo?

  4. Caro leitor Edmauro Gopfert!
    Infelizmente, o meu artigo não versa sobre o valor do salário das empregadas domésticas. Até mesmo porque, muito antes da discussão atual, eu e meu marido já cuidávamos de arcar com todas as obrigações trabalhistas conforme regia a lei anterior e que com a atual, não tivemos problema algum, já que sempre respeitamos os horários de entrada, saída, férias, décimo terceiro salário, INSS e carteira assinada. Mesmo assim, acho que ainda lhe falta um pouco mais de informação, pois mesmo com todos os seus direitos assegurados em lei, o salário é infinitamente inferior para todas as necessidades básicas como contas de: água, luz, telefone, impostos, aluguel, transporte, vestuário e cesta básica.
    O que eu não consigo ver como poderia ser mais útil, pois o que me move a escrever é o problema de muitos e muitos brasileiros e não apenas da senhora que em minha casa trabalha.
    No mais, o artigo trata da questão complexa que se encontra a saúde em nosso país que, mesmo com a vinda de médicos em caráter emergencial, o problema poderá não ser resolvido por falta de infraestrutura (hospitais, equipamentos e até remédios vencidos e estragados).
    Com isso, espero tê-lo esclarecido, bem como estarei à disposição para maiores esclarecimentos se assim se fizer necessário.
    Patrícia Aparecida Pereira Souza de Almeida

  5. O Sr. Edmauro Gopfert faz o estilo ao gosto dos políticos desonestos e incompetentes deste País. Deveria tomar conhecimento melhor das questões que interessam ao Brasil, em vez de apresentar críticas incoerentes sobre o que se fala. Sugiro ao Sr. Edmauro que leia o artigo do ilustre Ministro Ives Gandra Martins, publicado no site http://www.gandramartins.adv.br , que fala com maestria e conhecimento inquestionável a intenção real da presidente nesse projeto hipócrita e malfadado. Em resumo, porque o espaço é curto, diz:
    “A preferência da Presidente Dilma pelos regimes bolivarianos é inequívoca. Basta comparar a forma como tratou o Paraguai, onde a democracia é constitucionalmente mais moderna, por adotar mecanismos próprios do sistema parlamentar (recall presidencial), ao afastá-lo do MERCOSUL, e como trata a mais sangrenta ditadura latino-americana, que é a de Cuba.(…) IVES GANDRA DA SILVA MARTINS.” Aprender é bom, sr. Edmauro, e o senhor se tornará um cidadão bem mais útil ao nosso querido Brasil. Não adote o comunismo. Ele poderá te engolir!
    Parabens, sra. Patrícia Aparecida Pereira Souza de Almeida – Bióloga, mestra em Hidráulica e Saneamento, doutora em Ciências da Engenharia Ambiental e professora-tutora da FGV, não somente pelo seu currículo maravilhoso, como também pelo artigo acima apresentado. Sugiro-lhe, também, a leitura do artigo do Dr. Ives Gandra da Silva Martins. Elisa

  6. Curioso o comentário do Sr. Edmauro Gopfert… não entendeu nada.
    A funcionária da autora tem DIREITO a um programa do governo, que não está funcionando a contento. Como tantos outros.
    Ela pede investimento em infraestrutura para a saúde e isso não vem na mala dos médicos cubanos.
    E não entendi sua ironia sobre os títulos e sobre o fato dela trabalhar em casa. Seu currículo demonstra interesse e dedicação (e certamente sacrifício para conquistá-lo) e seu trabalho demonstra que ela vive de acordo com o seu tempo. Tempo de informação em tempo real, comunicação on-line, redes sociais, enfim, essa mesma realidade possibilitou ao senhor comentar esse artigo.
    Parabéns sra. Patrícia.

Comentários encerrados.

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