A degradação dos oceanos: mais água-viva e menos peixe? artigo de José Eustáquio Diniz Alves

 

Tamoya haplonema
Táxon: Tamoya haplonema. Alvaro E. Migotto. Cubozoários. Banco de imagens Cifonauta. Disponível em: http://cifonauta.cebimar.usp.br/photo/3377/

 

[EcoDebate] Todos os rios correm para o mar. Existe uma expressão popular que diz: “o oceano só é grande porque teve a humildade de colocar-se abaixo do nível dos rios”. Porém, esta humildade não tem sido boa para a saúde dos oceanos, pois a maior parte da poluição dos rios desaguam e se acumulam nos mares, colocando a vida marinha em perigo.

O nível dos mares está aumentando, mas a biodiversidade oceânica está diminuindo. O aumento da temperatura das águas, a acidificação dos oceanos e a pesca predatória está criando o ambiente favorável para o crescimento da população da águas-vivas.

Existem mais de mil espécies de águas-vivas espalhadas pelo mundo. No Brasil, duas causaram recentemente problemas aos banhistas, principalmente em São Paulo: a Chiropsalmus quadrumanus e a Tamoya haplonema.

Onde há sobrepesca, a água-viva e a medusa tendem a crescer. A pesca predatória remove os predadores do topo do mar (por exemplo,cerca de 100 milhões de tubarões são mortos por ano para a captura de suas barbatanas) e possibilita a proliferação de águas-vivas, criando um círculo vicioso e uma mudança de regime global de mares de peixes a um oceano de águas-vivas. O crescimento exagerado de uma espécie é um sinal de que algo está errado.

Os oceanos cobrem 70% da superfície do Planeta e são fundamentais para a estabilização do clima. Mas a concentração de dióxido de carbono na atmosfera é mais um elemento que contribui para a acidificação dos mares e para a morte dos corais, que não resistem às águas mais ácidas e mais quentes.

A maior parte da população humana vive em cidades litorâneas e a construção civil, o uso generalizado de diques para evitar a erosão costeira, os portos, o transporte marítimo e o lazer e o turismo criam um habitat perfeito para a água-viva passar pela fase de pólipos no início de suas vidas.

A degradação dos oceanos e o colapso da biodiversidade dos mares tem provocado profundas alterações na saúde dos ecossistemas marinhos. O restante do Planeta não vai ficar imune a este processo.

Referência:
KLOOSTERMAN, Karin. World Sees Scary Transition to Seas Full of Jellyfish, Not Fish. GreenProphet, 30/05/2013. http://www.greenprophet.com/2013/05/jellyfish-oceans/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

EcoDebate, 28/08/2013


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