Relatório registra recordes de emissões e perda de gelo em 2012

 


Foto: NOAA

 

A Terra perdeu uma quantidade recorde de gelo marinho no Ártico em 2012 e emitiu níveis elevados constantes de gases de efeito estufa resultantes da queima de combustíveis fósseis, alertaram climatologistas em um relatório [State of the Climate in 2012] divulgado nesta terça-feira (6). Matéria da AFP, no UOL Notícias, com informações adicionais da redação do EcoDebate.

Enquanto isso, secas e chuvas incomuns atingiram diferentes partes do planeta no ano passado, tendo observada “a pior seca em pelo menos três décadas no nordeste do Brasil”, ressaltou o relatório sobre o Estado do Clima divulgado anualmente por cientistas britânicos e norte-americanos.

Segundo o documento, o ano passado foi um dos dez com maiores registros de temperaturas globais em terra e na superfície do planeta desde que começou a coleta de dados modernos.

“As descobertas são impressionantes”, afirmou Kathryn Sullivan, encarregada da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês). “Nosso planeta como um todo está se tornando um lugar mais quente”, declarou.

O relatório, revistado por outras autoridades científicas, não abordou as causas por trás destas tendências, mas especialistas afirmaram que o documento deve servir como um guia para desenvolvedores de políticas públicas na preparação para os efeitos da elevação do nível dos mares e do aquecimento global em comunidades e infraestruturas.

Além disso, aponta para um novo padrão segundo o qual eventos que registram recordes se tornam típicos, particularmente no Ártico, onde a elevação da temperatura superficial rapidamente supera a do resto do mundo, afirmaram cientistas.

Globalmente, 2012 é o oitavo ou o nono ano mais quente desde que os registros começaram a ser feitos, de meados para o final dos anos 1800, de acordo com quatro análises independentes citadas no estudo.

“O ano esteve de 0,14°C a 0,17°C acima da média de 1981-2010, dependendo do conjunto de dados considerados”, destacou o informe, publicado no Boletim da Sociedade Meteorológica Americana.

Quanto ao gelo marinho do Ártico, uma nova redução recorde foi registrada em setembro e outra baixa absoluta para a cobertura de neve foi observada no Hemisfério Norte, destacou o relatório.

“As temperaturas superficiais no Ártico estão aumentando a uma taxa duas vezes mais rápida do que no restante do mundo”, afirmou Jackie Richter-Menge, engenheiro civil da Unidade de Engenharia do Exército Americano.

“No Ártico, os recordes ou quase recordes registrados ano a ano não são mais anomalias ou exceções”, acrescentou. “Realmente, para nós se tornou a regra ou a norma do que vemos no Ártico e do que esperamos ver no futuro próximo”, acrescentou.

O degelo também está contribuindo para aumentar o nível do mar. O nível médio global do mar atingiu um recorde de alta em 2012: 3,5 centímetros acima da média de 1993 a 2010.

“Mais recentemente, nos últimos sete anos, mais ou menos, aparentemente o degelo está contribuindo mais que o dobro para a elevação global do nível do mar, em comparação com o aquecimento das águas”, disse Jessica Blunden, climatologista do Centro de Dados Climáticos Nacionais da NOAA.

Enquanto isso, as temperaturas do permafrost, o solo permanentemente congelado, atingiram recordes de alta no norte do Alasca e 97% da cobertura de gelo da Groenlândia apresentou alguma forma de degelo.

Poluição

Além disso, as emissões de dióxido de carbono a partir da queima de combustíveis fósseis também alcançaram novas altas, depois de um declínio suave nos últimos anos, que se seguiram à crise financeira mundial.

“Na primavera de 2012, pela primeira vez, a concentração de CO2 atmosférico excedeu as 400 partes por milhão (ppm) em sete das 13 estações de observação do Ártico”, destacou o informe.

A média global de dióxido de carbono alcançou 392,6 ppm, um aumento de 2,1 ppm com relação a 2011, acrescentou. “O Caribe registrou uma temporada seca muito úmida e o Sahel teve a temporada de chuvas mais úmida em 50 anos”, acrescentou.

Sullivan afirmou que as descobertas “nos advertem, talvez, para olharmos para um futuro possível em que [eventos] extremos e a intensidade de alguns extremos serão mais frequentes e mais intensos do que tínhamos considerado no passado”.

Um ponto positivo destacado no relatório foi a permanência do clima na Antártica “relativamente estável em termos gerais” e que, devido ao ar quente, foi observado o segundo menor buraco na camada de ozônio das últimas duas décadas.

 

EcoDebate, 07/08/2013


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