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Royalties para a educação: segredo para acabar com o extermínio e desemprego da juventude, artigo de Pedro Luiz Teixeira de Camargo

 

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

[EcoDebate] Esta semana, observando alguns números do IPEA, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e da OIT, fiquei muito assustado com as perspectivas de trabalho e sobrevivência da juventude, especialmente dos jovens tupiniquins, sejam pelos altos índices de desemprego, seja pelo extermínio que estes andam sofrendo (principalmente) nas periferias.

Evidentemente, que se comparar com os países europeus que seguiram o receituário neoliberal rompido (em parte) pelos governos progressistas eleitos há 10 anos no Brasil, veremos que eles estão em uma situação muito mais calamitosa que a nossa. Grécia, Espanha e Portugal possuem atualmente índices de desemprego jovem de, respectivamente, 60%, 54% e 42%, o que é um verdadeiro caos (mais umas provas de como as políticas de estado mínimo se mostraram falidas).

Nosso país possui uma taxa de desemprego relativamente baixa, se comparada a tais países, 13,6%, entretanto superior à média mundial, que é de 12,6%. Em termos percentuais, não parece tão grande o número de jovens desempregados no Brasil, mas em termos absolutos, temos quase 7 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos fora do mercado de trabalho!

Somado a isso, outro problema presente está na morte prematura destes, em 2012 a taxa de homicídios de brancos (entre 12 e 21 anos) saiu de 1,3 para 100 mil habitantes para 37,3! Mais assustador ainda são os números de assassinatos de negros, que foi de 2 para 89,6 para cada 100 mil habitantes (e tem gente que insiste em dizer que não existe racismo no país, quanta hipocrisia…)!

Olhando com frieza tais números, observa-se que estas taxas de morte de negros e desemprego jovem são similares os de países em guerra! Um verdadeiro genocídio que está sendo feita com a juventude (especialmente a negra) e os meios de comunicação nada fazem, se preocupando em divulgar fatos corriqueiros como o nascimento de um príncipe real ao invés de tocar de fato nos nossos problemas.

Esta década, que se iniciou a apenas 3 anos, pode ser o grande passaporte para o futuro da nação se nossos governantes (deputados e senadores principalmente) tiverem o mínimo de noção e bom senso. Faço esta afirmativa, pois está será a década, segundo o IPEA, que mais teremos jovens (15 a 29 anos) na história do país! É preciso tratar este segmento da população com a responsabilidade que merecem!

A recente aprovação do Estatuto da Juventude mostra esta predisposição do governo federal em dialogar e enxergar este problema com a devida atenção, fato que não parece ser prerrogativa na maior parte dos municípios, haja vista que, em sua maior parte, nem mesmo possuem Secretaria de Juventude. Tal “miopia” parece afetar também aos nossos atuais senadores.

Estes representantes do povo, agindo de maneira egoísta e irresponsável, simplesmente fatiaram o Projeto de Lei (PL 5.500/2013) que destinava 75% dos royalties do petróleo para a educação, deixando este parcela da população, ainda mais abandonada…

Mostrar a estes senadores que a passagem para o futuro do país está na educação, garantindo um ensino de qualidade, com professores bem remunerados, escolas equipadas e alunos motivados, pode ser a chave para o Brasil entrar de fato no século XXI.

Uma educação em que o aluno se sinta representado, que seja ouvido, que tenha chance de utilizar os recursos tecnológicos a favor do ensino, pode e deve ser o que a maior mazela dos jovens precisa, pode ser esta (possivelmente) a verdadeira causa de tanta violência, de tanto desemprego. Afinal de contas não temos uma escola que dialogue com o aluno, fazendo com que ele a abandone, vá buscar emprego (mão de obra desqualificada), não consiga e se torne vítima do tráfico de drogas, latrocínio e violência, ou seja, deixe de ser futuro da nação e se torne problema social!

Transformar um PL em Lei, não significa de fato resolver o problema presente nas mais diferentes parcelas da administração pública, pois, infelizmente, corrupção e incompetência administrativa são dois “cânceres” ainda difíceis de serem resolvidos (o que não significa que não devem ser combatidos), mas sem dúvida é o primeiro passo para pressionar pelo país que sonhamos! Uma reforma do ensino médio, da Universidade, e da estrutura curricular, serão lutas a serem realizadas, mas não sem antes garantir o mais importante: dinheiro para isto!

As entidades juvenis como a UNE, assim como as Pastorais, MST, Centrais Sindicais, ONGs, etc. devem se unir para pressionar a Câmara a vetar as alterações do Senado e não deixar que o barco vire! Garantindo que chegue para a sanção presidencial o Projeto que foi aprovado antes! Ou seja, o que garante a maior parte da verba do petróleo para a Educação!

Este Agosto que se inicia, será de muitas lutas, mas nada será superior a esta, ou todos, entidades de representação, sociedade civil e empresariado progressista se unem, deixando as diferenças de pensamento de lado e indo rumo ao Congresso para garantir este PL, ou estaremos jogando na lama toda uma parcela da nação…

Se o slogan do atual governo se apresenta como “País Rico é País sem Pobreza”, o que próximo poderá ser: “País Rico é País com Educação”! Mas para isso precisamos garantir nosso presente, a luta de hoje é o segredo para a vitória de amanhã!

* Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) é Biólogo e Professor, especialista em Gestão Ambiental e Mestrando em Sustentabilidade pela UFOP-MG, atualmente é diretor de Universidades Públicas da ANPG.

 

EcoDebate, 06/08/2013


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