Vamos dar as mãos, vamos dar as mãos, vamos dar! E vamos juntos lutar… artigo de Gilmar Passos

 

São Paulo, 17/06/2013 – Protesto contra aumento das passagens do transporte público, gastos na Copa do Mundo e a corrupção tomaram as ruas da capital paulista.
São Paulo, 17/06/2013 – Protesto contra aumento das passagens do transporte público, gastos na Copa do Mundo e a corrupção tomaram as ruas da capital paulista. Foto de Marcelo Camargo/ABr.

 

[EcoDebate] O Brasil é um país rico em diversidades. Sua população é uma mistura de raças e cores. Ser brasileiro é ser colorido. Uma coloração que vai além do verde e amarelo e se expande num arco-íris real de encanto e magia. Toda a mistura humana viabiliza um processo e um progresso de sintonia histórica, antropológica e ecológica.

Houve um tempo neste país, onde votar era se submeter a ordem e o desejo direto de seus coronéis, donos das terras e da economia deste nosso Brasil. Com o avanço da história os coronéis se vestiram de novas roupas, mas não abandonaram suas maluquices de controle e manipulação. Continuamos votando sendo vigiados pelos coronéis e seus capangas. Quem não votar em seus coronéis perde o emprego, a construção de praças, escolas, etc.

A situação política estar muito bem representada por corruptos que a justiça condenou. Infelizmente, a rede de manipulação e controle continua muito forte e faz com que gere uma miopia nos eleitores para colocarem políticos corruptos de volta ao mercado brasileiro de corrupção. Os corrompidos tornam-se corruptos ao elegerem profissionais da corrupção.

Neste país, reza a cartilha de que o voto é livre. Realmente não sei o que é liberdade neste país. As coisas se confundem muito e não temos esclarecimento do que realmente estar acontecendo. A ditadura continua e a pressão cresce enormemente na mente das pessoas. Corremos o risco de termos uma sociedade míope esquizofrênica.

Em meio a essa situação caótica, a população brasileira não suporta mais tanta violência contra a consciência e a inteligência. A sociedade está fadada de tantas mentiras de progresso que só chega à conta bancária e no aumento de patrimônios dos coronéis dos novos tempos. Não há mais como conter essa pressão, por isso o povo estar expondo sua indignação e seu grito.

Estamos diante de protestos, só que dessa vez ele não vem carregado daquela estrutura que predominou o Brasil naqueles anos frios e escuros. Estamos falando da Ditadura Militar. Neste período, houve muita gente em luta, em marcha pela democracia, havia também muita pressão e agressão violenta ao povo sofredor. Embora isso tenha acontecido, alguns brasileiros estavam de fora destes acontecimentos. Hoje não é diferente.

Sabemos que estamos numa rede de protesto populares espalhados pelas ruas do Brasil. Há tentativas de tirar esse povo das ruas, não deixemos isso acontecer. As ruas brasileiras são do povo. Esse povo estar trabalhando para manter a ordem e o progresso merecido. O povo não está lutando por regalias e privilégios, longe disso. O povo luta por dignidade de sua nacionalidade.

Deixemos o povo gritar e incomodar a podridão que acontece na nação. Não dá para suportar o fedor da corrupção, da ganância, das mentiras, das manipulações, etc. deixemos que se multiplique o “grito dos excluídos”.

Nesse Brasil de múltiplas cores nem sempre há cores brigando para ser a melhor. A prova disso são todas as cores que estão se unindo em objetivos comuns. Isso precisa gerar uma consciência que não se acabe. A consciência de que todos nós precisamos ser respeitados e valorizados. Temos muita gente desvalorizada, não dar para continuar assim.

O que é triste é que o sistema de controle dos coronéis usa a população brasileira contra ela mesma. Vemos isso claramente quando temos uma manifestação nas ruas. Quando isso acontece o sistema de poder e domínio rapidamente põe os trabalhadores militares contra os trabalhadores que estão se manifestando. Não podemos cair nesse jogo.

Temos que aprender a protesta em rede de apoio. Seria diferente e bem mais eficaz se todas as classes apoiassem entre si. Hoje vemos policias nas ruas tentando frear manifestações, os quais há tempos atrás, neste Brasil, estiveram fazendo greve, reivindicando dignidade.

Temos um cenário que difere do tempo da ditadura. Lá o trabalhador que buscava a ordem e o progresso não tinha apoio da mídia, hoje embora ainda não tenham como deveria, ficam com a simplicidade midiática das redes sociais.

É hora de nos somarmos, todas as classes de trabalhadores que lutam diariamente para manter a ordem e o progresso do país. Vamos dar as mãos e unir forças para que a manipulação, a mentira e a miopia sejam banidas da nossa nação. Vamos juntos cantar e encantar a partir de nossas conquistas. Juntos, somos mais!

É triste trabalhar para o próprio sustento e ou da família e, após a grande jornada de trabalho, ir para as ruas trabalhar para exigir direitos e dignidade. As pessoas estão abrindo mão de muitas coisas para ir às ruas. Certamente elas se cansaram de fazer de contas, cansaram de tapar o sol com a peneira e dizer que tudo vai bem neste país.

Quero pedir licença a Zé Geraldo para inserir neste momento sua belíssima canção “Milho aos pombos”. Uma canção que retrata a triste realidade daqueles que neste momento estão míopes cruzando os braços. Por outro lado, que esta canção incentive a busca da ordem e do progresso sem miopia.

Milho Aos Pombos

Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí
Queimando pestanas organizando suas batalhas
Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas
Mortalhas

A cada conflito mais escombros
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil
O pão, o arroz, o feijão, o aluguel
Uma nova corrida do ouro
O homem comprando da sociedade o seu papel

Quando mais alto o cargo maior o rombo
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

Eu dando milho aos pombos no frio desse chão
Eu sei tanto quanto eles se bater asas mais alto
Voam como gavião
Tiro ao homem tiro ao pombo
Quanto mais alto voam maior o tombo

Eu já nem sei o que mata mais
Se os homens, a fome ou a guerra
Se chega alguém querendo consertar
Vem logo a ordem de cima
Pega esse idiota e enterra
Todo mundo querendo descobrir seu ovo de Colombo

Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

*O título sugerido por Ynês Gurgel

*Correção de texto: Denilza Passos

Texto de Gilmar Passos, sacerdote da Diocese de Estância/SE. Contato: gilmpasssos@hotmail.com

 

EcoDebate, 21/06/2013


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