Para ministra, agressões a religiões de matriz africana chegou a nível insuportável

 

Rio de Janeiro, 21/01/2013 - Representantes de várias religiões reúnem-se durante o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, na Cinelândia, centro do Rio, para defender a convivência entre as diferentes religiões e cobrar políticas públicas das autoridades competentes. Foto de Tânia Rêgo/ABr
Rio de Janeiro, 21/01/2013 – Representantes de várias religiões reúnem-se durante o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, na Cinelândia, centro do Rio, para defender a convivência entre as diferentes religiões e cobrar políticas públicas das autoridades competentes. Foto de Tânia Rêgo/ABr

 

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse ontem (21) que os ataques às religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. “O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos que têm acontecido. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Nós consideramos que isso chegou em um ponto insuportável e que não se trata apenas de uma disputa religiosa, mas, evidentemente, uma disputa por valores civilizatórios”, disse ao chegar ao ato lembrando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo.

O número denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência cresceu mais de sete vezes em 2012, quando comparada com a estatística de 2011, saindo de 15 para 109 casos registrados.

Para a ministra, os ataques são motivados principalmente por alguns grupos evangélicos. “Alguns setores, especialmente evangélicos pentecostais, gostariam que essas manifestações africanas desaparecessem totalmente da sociedade brasileira, o que certamente não ocorrerá”, disse Luíza, que acrescentou que esta semana deverá ser anunciado um plano de apoio às comunidades de matriz africana. “Nós queremos fazer com que essas comunidades também sejam beneficiadas pelas políticas públicas”, completou.

No ato promovido pela prefeitura paulistana foi lançada a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Segundo o prefeito, Fernando Haddad, a celebração é uma forma de fazer com que as pessoas que ainda têm preconceito contra as religiões afrobrasileiras reflitam sobre a importância da tolerância. “Eu penso que a expressiva maioria dos moradores de São Paulo abraça essa causa de convivência pacífica, tranquila, com respeito e a tolerância devida ao semelhante. Agora, existe uma pequena minoria para qual o recado aqui é dado: que há uma grande maioria que quer viver tranquilamente”, disse.

O recado da tolerância também está sendo promovido pelo grupo multirreligioso Paulistanos pela Paz, que há 8 anos atua para conscientizar principalmente a juventude. “Nós estamos coordenando visitas a escolas, faculdades para dar palestras, seminários, para trazer esse questionamento à tona. Porque a intolerância brota da incapacidade de conviver com o diferente”, disse o Reverendo Mahesh, coordenador do grupo e representante do Hinduísmo Hare Krishna.

Membro do Centro Cultural Ilê-Ifa, o maestro Roberto Casemiro, também defendeu a atuação com a juventude como forma de combater o preconceito. Na opinião de Casemiro, para muitos jovens, em especial os envolvidos em grupos que promovem o ódio, como os skinheads, falta conhecimento e falta cultura. “E quem não tem nem conhecimento, nem cultura, não tem respeito”.

Evangélico de confissão luterana, o pastor Carlos Mussukopf, acredita que a melhor maneira de evitar o preconceito é unindo as diferentes religiões entorno de objetivos e ideias comuns. “Devemos procurar o que nos une, o que nos unifique, o que nós temos em comum. E que a gente também saia da teoria, dos encontros de diálogo e passe para a prática. Existem tantos desafios na sociedade que nós vivemos que exigem uma ação unificada também das religiões. Vamos ver questão da população de rua, da natureza”, disse.

Edição: Fábio Massalli

Reportagem de Daniel Mello, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 22/01/2013


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3 comentários em “Para ministra, agressões a religiões de matriz africana chegou a nível insuportável

  1. Não é só a matriz religiosa africana, a indígena tambem vem sofrendo agressões dentro das aldeias, com missonários evangélicos demonizando as crenças indígenas, chegam a denominar o urucum, base da pintura corporal, de bosta do demônio. Se os poderes constituidos no Brasil não se mobilizarem para deter este processo, podemos ter conflitos religiosos de grades proporções. Separatismo religioso era uma coisa impensável neste país.

  2. o problema é que algums pessoas inescrupulosas usam as religiões africanas como forma de garantir renda e acabam por forjar uma falsa imagem à essas crenças contribuindo para aumentar o preconceito.

  3. Não há porque responsabilizar a vítima pelos atos do agressor.

    Vale a pena reafirmar alguns conceitos expostos no nosso editorial “A crescente e perigosa ‘onda’ de intolerância e obscurantismo

    Ninguém nasce intolerante, preconceituoso, racista, homofóbico, misógino supremacista, antisemita, islamofóbico, etc. Estas são atitudes que aprendemos desde o berço, herdadas da intolerância, aberta ou camuflada, de nossos antepassados. Se não tivermos capacidade crítica de compreender nossos próprios preconceitos e superá-los, iremos, certamente, reproduzir o modelo, também contaminando o berço de nossos descendentes.

    Mesmo a intolerância religiosa está em franco crescimento, sabotando todos os esforços em prol do ecumenismo e do diálogo interigrejas.

    Todo intolerante, de qualquer tipo, é alguém que acredita estar absolutamente certo, do que quer que seja e, portanto, todos os que pensam ou são diferentes estão absolutamente errados. Simples assim.

    Intolerância e violência caminham juntos e, por isto, muito sangue já foi derramado a partir desta lógica perversa e, infelizmente, tudo indica que muito sangue ainda irá correr.

    Sem meias palavras, a intolerância é inaceitável e não existe qualquer justificativa moral para ela

    Henrique Cortez
    coordenador editorial do Portal EcoDebate

Comentários encerrados.

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