Novos números da CPT mostram que trabalhadores resgatados da escravidão em 2012 já passam de 2.700

 

trabalho escravo

 

Segundo dados da Campanha Nacional da CPT de Combate ao Trabalho Escravo, os casos de trabalho escravo em 2012 já somam 189, com a libertação de 2.723 trabalhadores, em todo o país.

Segundo os últimos dados da Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, os casos de trabalho escravo em 2012 já somam 189, com a libertação de 2.723 trabalhadores, em todo o país. Esse balanço, divulgado hoje pela Campanha, pode ainda vir a sofrer alterações, mas está provavelmente próximo dos dados definitivos, os quais serão fechados pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) no próximo mês.

De acordo com as informações, o número de trabalhadores resgatados do trabalho escravo cresceu 9% em relação a 2011. No conjunto, a região Norte se destacou em 2012 ao representar metade do número total de trabalhadores envolvidos em situação de escravidão e 39% dos que chegaram a ser resgatados. Esse último número mais que dobrou em relação ao ano anterior, passando de 518 trabalhadores para 1.059.

Outro dado que chama a atenção é o aumento da participação da região Sul na prática desse crime. Em 2011, haviam sido registrados na região 23 casos, envolvendo 158 trabalhadores, sendo que 154 foram resgatados pelo MTE. De acordo com os dados da Campanha, em 2012 foram menos casos identificados (17), porém envolvendo mais que o dobro de trabalhadores (350); todos estes foram resgatados.

Pará volta a ser o campeão em libertações

No ano de 2011, o estado do Pará havia deixado de ser o campeão permanente do ranking de estados pelo número de trabalhadores envolvidos em situação de escravidão. Em 2012, o Pará volta ao topo do ranking em todos os critérios: número de casos (50), número de trabalhadores envolvidos (1244) e número de libertados (519). O Tocantins vem logo em seguida com 22 casos, 360 envolvidos e 321 libertados (três vezes mais que em 2011).

Quarto no ranking de libertados, o estado do Paraná chama a atenção, pulando, entre 2011 e 2012, de 3 para 9 casos e de 19 para 246 trabalhadores resgatados. Tal fato se deve em parte à libertação de 125 trabalhadores somente em um flagrante, em uma usina de açúcar e álcool, em Perobal, interior do estado. Em sentido contrário, Santa Catarina evidencia menor número de casos (5 contra 15 em 2011) e menor número de resgatados (45 contra 107). Redução substancial de casos também em Goiás (mesmo assim com 14 casos e 201 libertados), Minas Gerais (7 casos e 287 libertados, ficando terceiro no ranking dos libertados), Rondônia (6 casos e 46 libertados) e Rio de Janeiro (2 casos e 9 libertados).

No estado do Amazonas, onde a fiscalização passou a operar mais recentemente, foram identificados 10 casos e resgatados quase três vezes mais trabalhadores do que no ano anterior: 171 pessoas. Alagoas (com 1 caso só) passou de 51 para 110 trabalhadores resgatados e o Piauí (com 9 casos), de 30 para 97.

Olhando para o conjunto verifica-se que houve resgate de trabalhadores em 20 estados do país, o que demonstra que essa prática criminosa persiste de norte a sul do nosso país, mesmo diante das ações de órgãos do governo e de organizações sociais que lutam pelo seu fim.

Na produção do carvão vegetal estão os maiores números de libertações realizadas no campo

19% dos trabalhadores resgatados da escravidão em 2012 foram encontrados na produção de carvão vegetal usado na siderurgia: foram 526 trabalhadores flagrados em situação de escravidão nessa atividade. A pecuária vem logo em seguida, com 500 trabalhadores resgatados e 56 casos fiscalizados. Foi no desmatamento que foram encontrados 7% dos libertados (181 trabalhadores): este número mais que triplicou o em relação ao ano anterior (55). Pelo número de resgatados, encabeçam o ranking as atividades nas lavouras e nos canaviais, com 646 libertados em 36 ocorrências. Nesse total, a soja (11 casos) e a cana (3 casos) tiveram quase o mesmo número de libertados: 162 e 164 respectivamente.

Embora não diretamente acompanhados pela CPT, crescem a cada ano os casos de trabalho escravo em atividades não agrícolas: em 2012 foram 25 casos sendo 16 só na construção civil (com ocorrência em 9 estados diferentes, sendo em São Paulo o número maior). Essa atividade destaca-se em 2012 com o principal palco de trabalhadores resgatados: 627, ou seja: um em cada quatro resgatados, país afora. Entre eles também muitos trabalhadores do campo.

Informe da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Secretaria Nacional, publicado pelo EcoDebate, 18/01/2013


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