Energia eólica se torna competitiva e produção dispara no Brasil

 

Energia eólica

 

Força dos ventos – A expectativa é que a capacidade instalada no país cresça 250% até 2014. O Correio inicia hoje série de quatro reportagens sobre as novidades que prometem tornar o consumo energético mais sustentável.

Os recursos naturais do Brasil sempre ofereceram um variado leque de opções para a geração de energia elétrica, mas somente agora empresários e governo começam a abrir os olhos para essa realidade. O país já pode dizer que 84% de sua geração de energia vêm de fontes limpas, mas a hidrelétrica ainda é responsável por 72% da capacidade instalada. Aos poucos, outras forças naturais começam a encontrar espaço nesse mosaico, que depende da variedade para ser realmente sustentável. Entre elas, a força dos ventos merece destaque: a fonte eólica já conquistou o posto de segunda fonte de energia mais barata do país, e deve aumentar sua fatia no país de 1% para 6% nos próximos três anos. Até 2014, a capacidade instalada deve crescer de 2GW para 7GW. Matéria de Roberta Machado, no Correio Braziliense, socializada pelo ClippingMP.

“A fonte para sustentar o crescimento brasileiro é a hidrelétrica, mas em segundo lugar vem a eólica”, avalia o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O potencial eólico do país, aponta ele, chega a 143 mil megawatts, o equivalente a 10 usinas de Itaipu. “Esse potencial está subestimado, pois foi emitido com base em torres de 50m de altura. Hoje, os aerogeradores são muito mais altos”, ressalta.

Há menos de uma década no mercado de energia eólica, o Brasil já está entre as quatro nações que mais crescem no setor, atrás de China, Estados Unidos e Índia. Até o ano que vem, espera-se que o país salte da 20ª para a 10ª posição mundial no aproveitamento dessa energia. “A tecnologia é recente, e os investimentos no Brasil são mais recentes ainda, vieram a partir de 2004”, explica Elbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica). Desde então, aponta a especialista, o preço da energia retirada do vento caiu para menos de um terço. “A energia eólica perdeu o status de fonte alternativa subsidiada e passou a ser competitiva.”

Novos ares
Existem mais de 30 mil turbinas eólicas de grande porte em operação no mundo, e muitos desses empreendimentos surpreendem pelo tamanho e pela capacidade. Em outubro, a Siemens Energy inaugurou uma torre marítima com as maiores pás já feitas. De fibra de vidro, cada uma mede 75m. É como se três prédios de 25 andares girassem no ar presos a um motor. O monstro eólico pode produzir até 6MW de energia limpa, o equivalente ao consumo de 6 mil residências. A eletricidade é levada para uma subestação em alto-mar que, por sua vez, a transmite para a terra.

Ligando um gerador com ímãs diretamente ao eixo, o modelo precisa de apenas metade das peças usadas tradicionalmente e dispensa manutenção, pois possui um sistema de monitoramento automático. As pontas das pás também foram adaptadas para diminuir a resistência do ar e os níveis de barulho. “Nossa nova turbina incorpora o conhecimento agregado de engenharia acumulado nas últimas três décadas”, resume Henrik Stiesdal, CTO da divisão eólica da Siemens.

Mesmo em dimensões mais modestas, pesquisadores também renovam o modelo das turbinas cata-vento, inspirado no seculares moinhos europeus. Alguns investem na mudança total de paradigma e defendem as turbinas verticais. Similares a hélices espiraladas, elas são mais compactas e podem se complementar para girarem mais rápido. Outros, ainda, sugerem novos materiais. Enquanto as pás mais avançadas são feitas de peças inteiriças de fibra de vidro, há casos como o de uma empresa alemã que criou uma turbina inteiramente feita de madeira. O material sustentável dispensa a prejudicial fabricação de aço, e ainda pode ser reciclado.

No campo de inovações, o Brasil se destaca em iniciativas como a de um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que estuda o uso de novos tipos de controladores de potência para as turbinas eólicas. “O vento é variável, então a velocidade que ele coloca no eixo da turbina também varia, e não é compatível com a frequência que a gente quer na rede elétrica. Você precisa condicionar essa velocidade para que o gerador gere uma energia na frequência da rede elétrica, de 60Hz”, explica Ernesto Ruppert Filho, professor da Unicamp. De acordo com o especialista, essa dificuldade de conversão foi um dos motivos para o atraso na popularização da energia eólica, e o trabalho pioneiro brasileiro pode diminuir o número de equipamentos necessários à instalação e economizar ainda mais recursos.

EcoDebate, 26/12/2012


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Alexa

4 comentários em “Energia eólica se torna competitiva e produção dispara no Brasil

  1. NÓS QUE MORAMOS NA AMAZÔNIA NÃO É VIÁVEL: PRIMEIRO PELO PREÇO E SEGUNDO NÃO TEMOS VENTO CONSTANTE, COMO É O CASO DO LITORAL. PRA NÓS O GOVERNO TEM QUE INVESTIR EM HIDRELETRICA DE ATÉ 30 MEGAWOLTS, COM EQUIPAMENTOS QUE NÃO MODIFICASSE O MEIO AMBIENTE. POR EXEMPLO, ORIXIMINÁ CONSOME HOJE, EM TORNO DE 10 MEGAWOLTS, E TEMOS MUITAS CACHOEIRAS.

  2. EU ESQUECI DE UM DETALHE, REFERENTE AOS EQUIPAMENTOS DE ATÉ 50 MEGAWOLTS, POR SE TRATAR DE UMA REGIÃO ONDE TEMOS: FLONA, PARNA E RESERVA BIOLÓGICA. UM ESTUDO BEM FEITO PODERIAMOS TER MUITA ENERGIA, SEM DESVIAR O FLUXO DESSAS ÁGUAS, E NEM MODIFICAR O MEIO AMBIENTE. A POTÊNCIA É 50, E NÃO 30, COMO CITEI ANTERIORMENTE.

  3. eu já fiz um comentário sobre energia eólica, ela pode ser viável para o litoral, na amazônia só se for implementa as margem do rio amazonas. exemplo no acre, onde existe 95 % de mata densa, não tem condições. a nossa solução ainda é a energia hidreletrica.

    oscar seixas pedrosa

  4. mas alguem diz, tem o problema das reservas biológica, das flonas e dos parnas. nós da região não podemos comer um quelônio e ai, pelo menos temos que a principal matéria prima para o desenvolvimento de um povo, que energia elétrica. a idade da pedra não acabou por falta de pedra, é porque o mundo se desenvolveu.

Comentários encerrados.

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