Importância do descarte de óleo de cozinha, artigo de Maria Cecília Alves de Vasconcelos

 

reciclagem

 

Estudos apontam que um litro de óleo é capaz de poluir 20 mil litros de água, que permanecerá no ambiente por mais de 14 anos até que ela esteja novamente pronta para o consumo humano.

[EcoDebate] As consequências do descarte de óleo no ambiente são as mais diversas, afeta animais que ingerem as águas poluídas, impermeabiliza o solo e as raízes de plantas impedindo a absorção de nutrientes, adere às penas de aves impossibilitando o seu voo. As moléculas de óleo criam uma camada superficial na água que dificulta a penetração de luz, a oxigenação da água e consequentemente, altera a reprodução de algas, fitoplancton e peixes, causando um desequilíbrio no sistema aquático afetado.

Além das consequências ambientais, a poluição causada por óleo nas águas dos rios aumenta o custo no tratamento do esgoto em até 45%. Os métodos químicos utilizados para a despoluição da água eleva o custo da conta no final do mês para o consumidor. O óleo também é responsável por aumentar a aderência de sujeira nos canos de escoamento de esgoto, para desentupir é necessário utilizar outros agentes químicos poluentes, aumentando ainda mais o impacto ambiental dos resíduos despejados nos rios.

Para evitar os danos causados ao meio ambiente o óleo comestível doméstico pode ser reciclado de diversas maneira: produção de resina para tintas, sabão, detergente, glicerina, ração para animais e até biodiesel. A maior parte do que é coletado é reciclado sob a forma de sabão ou mesmo de biodiesel. As técnicas consistem em:

Biodisel – A reciclagem do óleo de cozinha em energia renovável começa pela filtragem, que retira todo o resíduo deixado pela fritura. Em seguida é retirada a água misturada ao produto. Conforme o tipo de óleo, ele ainda é submetido a uma purificação química que irá retirar os últimos resíduos. Esse óleo “limpo” recebe então a adição de álcool e de uma substância catalisadora. Colocado no reator e agitado a temperaturas específicas, ele se transforma em biocombustível e após o refino pode ser usado em motores capacitados para queimá-lo.

Sabão – Quimicamente o sabão é um sal de ácido graxo. Tradicionalmente, o sabão é produzido por uma reação entre gordura e hidróxido de sódio e de potássio e carbonato de sódio. A receita mais comum para fabricação de sabão com óleo de cozinha é:

Materiais
5 litros de óleo de cozinha usado
2 litros de água
200 mililitros de amaciante
1 quilo de soda cáustica em escama

Preparo
Coloque cuidadosamente a soda em escamas no fundo de um balde. Depois, coloque a água fervendo. Mexa até diluir todas as escamas da soda. Adicione o óleo e mexa. Adicione o amaciante e mexa novamente. Jogue a mistura numa fôrma e espere secar. Corte o sabão em barras.

Diferentemente dos outros materiais recicláveis, a coleta seletiva de Goiânia ainda não recolhe óleo de cozinha utilizado, porém a SANEAGO lançou em 22 de março de 2012 o programa “Olho no Óleo”. Os municípios beneficiados com a coleta do produto são: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e Itumbiara. O programa contempla o cidadão que entregar garrafas PET com óleo por meio de um bônus em forma de crédito na fatura de água. Todo o óleo coletado é encaminhado para a produção de biodiesel que, atualmente, é a forma mais adequada de reaproveitamento desse resíduo. Já para os estabelecimentos que produzem grande quantidade de óleo o programa exige um cadastramento que deve ser feito pelo número 115, a companhia de água envia viaturas para coletas nestes estabelecimentos e o quantitativo entregue é revertido em bônus para os empresários. Os pontos de coleta nos municípios são atendidos encontram-se no site http://www.saneago.com.br.

Reciclar é uma necessidade, não deve sair do cotidiano do cidadão, viver em sociedade é constantemente avaliar erros para gerar acertos, mudar trajetos para entender os caminhos, olhar a vida todo dia, refletindo sobre harmonia que se pode criar.

Maria Cecília Alves de Vasconcelos é Mestranda em Ecologia e Produção Sustentável – PUC Goiás.

EcoDebate, 26/11/2012

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4 comentários em “Importância do descarte de óleo de cozinha, artigo de Maria Cecília Alves de Vasconcelos

  1. Acho importante essa discussão mas eu ainda fico um pouco reticente quanto à vantagem de se reutilizar/reciclar alguns produtos. Minha duvida é: até que ponto é vantajoso produzir um sabão que será descartado na água novamente, sendo um agregado de óleo e outras substancias poluentes? E o processo de produção do biodiesel tem baixo impacto? Essa questão foi estudada em relação ao seu consumo de água, energia etc?

  2. Bom dia!Gostei do texto!Trabalho com EA no estado do Amapá e tenho realizado Oficinas de Sabão ecológico com as comunidades ribeirinhas, rurais e urbanas. Não há incentivo na coleta desse material por aqui, então é um trabalho de formiguinha.
    Segue a nossa receita de sabão líquido ecológico!
    500g de soda caustica
    2 L de álcool
    2 L de óleo usado
    3 L de água fervente
    100 mL de essência aromática
    20 L de água fria

    Modo de fazer:

    Adicione a soda em um recipiente grande e de plástico, coloque o álcool e misture até diluir a soda. Adicione o óleo e misture até formar uma farofa, coloque os 3L de água fervente e misture até completa diluição, após isso coloque os 20 L de água fria e a essência aromática misture por 30 minutos. Deixe descansar por 24horas, quando der este tempo dilua em 25 L de água e coloque em garrafas PET ou de produtos de limpeza.
    Você terá um ótimo sabão para limpeza de pisos, banheiros e limpeza pesada. Só não utilize para lavar louças, pois ele fica bem forte”!
    Espero que gostem da receita!Abraços!

  3. Olá!. Estou juntamente envolvido com algumas pessoas na coleta de sobras de oleo de cozinha das residências dos moradores de uma ocupação urbana do sem teto aqui de São Paulo, para a confecção de sabão ecológico. A idéia é que eles autoproduzam seus próprios sabões. Mas uma coisa está “pegando” entre nós do coletivo; queríamos nos abdicar do uso da soda caustica e substituí-la por um ingrediente natural. Descobri atráves de uma senhora moradora da cidade de Mogi Guaçu-SP, uma receita de sabão em que vai cinzas de madeira na sua confecção em substituição a soda caustica. Estamos em contacto com ela para nos mostrar como é o processo de produção desse sabão.

    Se a Kliszilla Avila tiver informações sobre esse tipo de receita, por favor, me comunique. Vamos trocando informações!

    Obrigado

  4. @AndrePacheco – O uso da soda cáustica no sabão é para compor o a mistura com o Hidróxido de Sódio. A gordura e as bases são hidrolisadas em água; os gliceróis livres ligam-se com grupos livres de hidroxila para formar glicerina, e as moléculas livres de sódio ligam-se com ácidos graxos para formar o sabão. Os detergentes que são biodegradáveis são compostos por cadeias ramificadas de alquilbenzeno e enzimas.

    A vantagem de se produzir sabão ao invés de descartar óleo na pia ou mesmo no solo é que as estações de tratamento de esgoto já processam reações químicas e biológicas para o tratamento deste material, em contrapartida quando o óleo é jogado no esgoto diretamente, ele cria uma camada que retem sujeira e entope o sistema de escoamento de esgoto.

    A maneira mais “ecológica” de se reaproveitar o óleo de cozinha é com a produção de biodiesel, na verdade, o uso do biodiesel em escala mundial, torna-se uma questão de vital importância para o desenvolvimento sócio-econômico-ambiental do Brasil, uma vez que o óleo diesel é atualmente o derivado de petróleo mais consumido em nosso país (aproximadamente 40 bilhões de litros/ano) e, considerando o perfil de insuficiência produtiva face a demanda do consumo nacional, uma fração crescente deste produto vem sendo importada (aproximadamente 5,1 bilhões de litros em 2007).

    Como se não bastasse, a poluição do ar, as mudanças climáticas e a geração de resíduos tóxicos resultantes do uso do diesel e de outros derivados de petróleo têm um significativo impacto na qualidade do meio ambiente.

    O Biodiesel (ésteres mono alquila) é um combustível diesel de “queima limpa” derivado de fontes naturais e renováveis como os vegetais. É obtido principalmente de girassol, amendoim, mamona, sementes de algodão e de colza e mesmo de óleo de cozinha. É uma alternativa renovável, que resolve dois problemas ambientais ao mesmo tempo: aproveita um resíduo, aliviando os aterros sanitários, e reduz a poluição atmosférica. É uma alternativa para os combustíveis tradicionais, como o gasóleo, que não são renováveis. O biodiesel reduz 78% das emissões poluentes como o dióxido de carbono que é o gás responsável pelo efeito de estufa que está alterando o clima à escala mundial, e 98% de enxofre na atmosfera.

Comentários encerrados.

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