Necessidade de implantar gestão ambiental, artigo de Roberto Naime

 

artigo

 

[EcoDebate] Em uma economia globalizada as empresas precisam ser flexíveis e dinâmicas para responderem rapidamente as mudanças de mercado. Com o advento da globalização, o potencial para um crescimento econômico é significativo, mas de uma forma ou outra as empresas são expostas uma pressão competitiva intensa.

Deste modo, as empresas precisam adotar estratégias que estejam alinhadas a este mercado de economia de escala, produção e estrutura organizacional globalizada, para que continuem sobrevivendo neste contexto de desenvolvimento sustentável.

O processo de globalização, segundo Bellia (1996), já se encontra no terceiro estágio, que consiste na globalização da produção, onde o sistema de operação e produção começa a ser organizado na lógica da produção integrada globalmente.

Para Fleury (1999), esta nova lógica gera profundas mudanças no gerenciamento operacional como também na estrutura organizacional das empresas multinacionais. Nas últimas décadas, o cenário mundial de avanços tecnológicos enfatiza assuntos relacionados à preservação ambiental.

A gestão ambiental se tornou uma importante ferramenta de modernização e competitividade para as organizações. Cada vez mais, o setor produtivo em diferentes países está incorporando em seus custos aqueles relacionados com a questão ambiental, implicando necessidades de mudanças significativas nos padrões de produção, comercialização e consumo (CARTILHA FIESP, 2008).

Estas mudanças respondem a normas e dispositivos legais rígidos de controle (nacionais e internacionais), associados a um novo perfil de consumidor. É fundamental que as empresas busquem uma relação harmônica com o meio ambiente, mediante a adoção de práticas de controle sobre: os processos produtivos e o uso de recursos naturais renováveis e não-renováveis (DONNAIRE, 1999 e DIAS, 2009).

A partir de meados dos anos 90, poderíamos caracterizar uma nova fase histórica da integração da gestão ambiental em organizações industriais. Nesta nova fase, algumas características se destacam segundo Corazza (2003):

a) a introdução progressiva de uma perspectiva de sustentabilidade;

b) a proliferação dos engajamentos coletivos – como os códigos de conduta, os convênios e os acordos voluntários;

c) a maior interação entre as esferas pública e privada – com a participação dessas organizações na formulação de objetivos e na escolha de instrumentos de política ambiental;

d) o maior envolvimento da sociedade civil organizada – como, por exemplo, por meio das Organizações Não-Governamentais.

Na esfera produtiva, a gestão ambiental intervém, por um lado, no controle do respeito às regulamentações públicas pelas diferentes divisões operacionais e, por outro, na elaboração e na implementação de ações ambientais. Estas ações dizem respeito à manutenção, à conformidade ambiental dos fornecedores, dos sítios de produção, etc.

Na dimensão da inovação, a gestão ambiental aporta um auxílio técnico duplo: de um lado, acompanhando os dispositivos de regulamentação e das avaliações ecotoxicológicas de produtos e emissões a serem respeitados; de outro, auxiliando a definir projetos de desenvolvimento (de produtos e tecnologias).

Na esfera estratégica, a gestão ambiental fornece avaliações sobre os potenciais de desenvolvimento e sobre as restrições ambientais emergentes (resultantes tanto da regulamentação quanto da concorrência).

Diversos autores ressaltam que, quando se trata de avaliar a influência da gestão ambiental sobre a orientação estratégica de uma organização, são determinantes o posicionamento dos “responsáveis ambientais” da gestão ambiental na estrutura hierárquica e o alcance de suas atribuições específicas, fatores que influenciam de forma relevante no resultado final.

BELLIA, V. Introdução à economia do meio ambiente. Brasília: IBAMA, 1996.

CARTILHA FIESP – Licenciamento Ambiental, 2008, terceira edição.

DONAIRE, D. Gestão Ambiental na Empresa, São Paulo: Atlas, 1999.

DIAS, R. Marketing Ambiental: ética, responsabilidade social e competitividade nos negócios, 1 ed. São Paulo, Altas, 2009.

CORAZZA, R.I. Gestão Ambiental e mudanças de estrutura organizacional, v.2 n.2, jun – dez 2003.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 10/10/2012

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Um comentário em “Necessidade de implantar gestão ambiental, artigo de Roberto Naime

  1. O artigo foca um tema pertinente e atual que no Brasil está se desenvolvendo e mostrando sua importância. Os argumentos são claros e precisos. O mercado produtivo interno deve investir na gestão ambiental como forma de minimizar custos, atender as condicionantes legais, criar uma condua pró-aiva, preservar sua imagem no mercado e tornar-se competitivo. Neste contexto de um novo modelo a figura do gestor ambiental e demais profissionais da área é fundamental à construção deste novo paradigma.

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