Vistoria no lixão de Itaoca, fechado no Rio, confirma situação de vulnerabilidade de ex-catadores

 

Lixão de Itaoca, em São Gonçalo-RJ. Sobre área de manguezal, às margens da Baía de Guanabara. Foto SEA / Fotógrafo: Luiz Morier
Lixão de Itaoca, em São Gonçalo-RJ. Sobre área de manguezal, às margens da Baía de Guanabara. Foto SEA / Fotógrafo: Luiz Morier

 

O governo federal participou, na manhã de ontem (27), de uma vistoria técnica no lixão de Itaoca, em São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio, com o objetivo de acompanhar e fiscalizar as ações emergenciais que estão sendo adotadas em favor das mil famílias que moram em situação considerada de grave de vulnerabilidade social no entorno do aterro.

Fechado no início do ano, o aterro de Itaoca esteve em atividade por cerca de 30 anos. Ex-catadores do aterro sanitário de Itaoca cobram assistência do governo do Rio.

De acordo com o coordenador-geral de Movimentos Urbanos da Secretaria da Presidência da República, Maurício Dantas, que participou da visita, a situação dos moradores de Itaoca é preocupante. Ele disse que todas as famílias que moram na localidade estão em “situação desumana”. Com o fechamento do lixão, elas não têm de onde tirar o sustento.

Dantas informou que todas as famílias estão sendo cadastradas em programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família. Ele disse que, de forma emergencial, será feito no local um mutirão para avaliar as condições de saúde dessas pessoas.

“O objetivo da visita de hoje é articular os governos federal, estadual e municipal para ver que ações são necessárias para atender à demanda de sobrevivência das pessoas, e depois incluir esses catadores de uma forma que possam sobreviver da atividade de catação de materiais recicláveis”, explicou Dantas. A vistoria também teve a participação de parlamentares da Alerj e representantes do governo do estado e da prefeitura da São Gonçalo.

Entre as medidas emergenciais definidas pelas comissões de Saúde, Direitos Humanos e Cidadania e Saneamento Ambiental em audiência pública realizada no dia 12 passado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), está a criação de um fundo de valorização dos catadores e a imediata indenização financeira desses trabalhadores.

A comissão defende que os catadores do lixão de Itaoca devem receber o mesmo tratamento que tiveram aqueles que exerciam a mesma atividade no aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, desativado em julho deste ano. Na ocasião, todas as pessoas que atuavam no aterro foram indenizadas pelo governo do estado e instaladas em polos de reciclagem.

Reportagem da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 28/09/2012

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