Nova regra trava entrada de produtos Orgânicos? artigo de Michael Haradom

 

Querid@s amig@s

[EcoDebate] Tomo a liberdade de, uma vez mais, me dirigir a vocês para fazer alguns comentários sobre o artigo anexo “Nova regra trava entrada de produtos orgânicos” (Valor Econômico, 30/01/2012).

Sobre a “barreira protecionista”, aponto que Estados Unidos e Europa têm estabelecido barreiras para-arancelárias (imposto de importação) contra o Brasil evocando questões de saúde e meio ambiente para impedir a entrada de nossos produtos em seus países.

O último caso que rendeu notícias nos jornais foi a proibição do suco de laranja brasileiro nos EUA, sob alegação de utilização do fungicida Carbendazim no cultivo de nossas laranjas, produto genérico que uma multinacional deseja substituir por um produto “menos tóxico”, o que na realidade significa produto com patente, sob monopólio.

Sobre a obrigatoriedade do certificado e critérios de produção específicos para o Brasil, não vejo nenhuma contradição, já que outros países também possuem seus próprios critérios e certificações. Como exemplo podemos citar o vinho e a champagne franceses, a Patanegra (carne de porco) espanhola, e por aí afora.

Não vejo como tragédia o argumento de que “a criação de padrões nacionais inviabilizou a importação”, uma vez que isto beneficiará a produção nacional, favorecendo nosso agricultor familiar, a agricultura orgânica e a agricultura natural. Assim deixaremos de pagar fortunas por alimentos orgânicos que europeus e americanos não conseguem colocar em seus mercados de origem. Portanto, quem quiser exportar para o Brasil tem que estar disposto a fazer investimento para tal.

Segundo o artigo, “não se vê este rigor em nenhum outro lugar do mundo” e “isto comeu 10% da taxa de crescimento” de uma das maiores redes de supermercados do país. Com tranquilidade, posso afirmar que isto não corresponde à realidade, já que o mundo é extremamente protecionista, principalmente no que se refere a alimentos. A agricultura latinoamericana, apesar da falta de estrutura, financiamento, seguros adequados e outras deficiências, produz de maneira extremamente competitiva e barata, o que provoca a necessidade dos governos da Europa e dos EUA a subsidiarem seus agricultores com algo em torno de US$ 1 bilhão diários. Se não fosse assim, esses agricultores não teriam condições de sequer colocar a semente na terra.

Ora, nada mais justo do que rastrear as origens dos alimentos a serem consumidos pelo povo brasileiro (o que está escrito no CODEX Alimentarius, inventado pelos europeus). O interessante é que vive se falando que China e Índia “despejam” todo o seu lixo químico na agricultura nacional, ou que nós somos o “lixão” desses dois países no setor agroquímico (agrotóxico). Isto tampouco é verdade. Porém, na dúvida, poderia perguntar: então como garantir que a China produz o seu alho sem agrotóxicos?

A Casa Santa Luzia, em São Paulo, oferece 320 itens orgânicos feitos no Brasil. Parabéns para o Santa Luzia! Faço um apelo: venda maior quantidade e mais itens de produtos orgânicos, preferentemente in natura, produzidos no Brasil. É de bom gosto e chique prestigiar o produto nacional.

Sobre as premissas básicas de rastreamento para certificação, assim como o uso de aditivos, como diz o artigo, de fato não é possível padronizar o uso em todos os países do mundo, o que mais uma vez demonstra que cada país tem o direito de estabelecer suas regras e não simplesmente impô-las, “descer goela abaixo” como tentam fazer Europa e EUA com o Brasil, outrora seu “primo pobre”. A uréia permitida nos EUA para produção animal equivale aqui a uma blasfêmia para ambientalistas e para produtores orgânicos.

Por fim, minha humilde sugestão a nós, que alardeamos exemplos ambientalistas e naturalistas e sempre nos colocamos como defensores dos produtos orgânicos, principalmente alimentos:

– Consumir preferentemente produtos da estação;

– Evitar consumir produtos cuja origem esteja a uma distância superior a 100km (permacultura), posto que o impacto da poluição do transporte pode ser mais nocivo para aquilo que queremos cuidar;

– Evitar consumir produtos embalados em plástico, posto que há migração dos químicos utilizados para fabricar o plástico para os alimentos; A feira é melhor e mais divertida;

– Utilizar desde a raíz até as flores, sementes e caules dos alimentos, onde aliás se encontra a concentração de vitaminas e sais minerais que a indústria retira para vender em forma de fibra, em caixinhas atrativas;

– Plantar alimentos e temperos nos jardins, nos vasos e nos telhados de suas residências, em forma de mandala, utilizando compostagem e minhocario.

– No meu caso sou vegetariano por opção, porém respeito os consumidores de proteína animal. Só quero lembrar que a conversão de proteína vegetal em proteína animal equivale a aproximadamente:

gado = 8kg vegetal para cada 1kg animal;
porco = 6kg vegetal para 1kg animal;
aves = 3kg vegetal para 1kg animal.

Ou seja, isto significa uma “forte pressão” sobre a produção agrícola para o deleite de nosso paladar.

Para quem está preocupado com a escassez da água, aqui vão os números de consumo X produção animal:
gado = 16.000 litros para 1kg
porco = 6.000 litros para 1 kg
aves = 3.000 litros para 1kg

Se houver interesse, também posso fazer sugestões sobre a utilização racional da água e da energia solar, assim como trocar ideias sobre os “5Rs”, produções e consumos conscientes, éticos e alternativos.

Meu amig@, você se considera um consumidor consciente?

Cordiais Saudações,

Michael Haradom
Diretor-presidente (licenciado)
Fersol Indústria e Comércio S/A

EcoDebate, 10/02/2012

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