Do Big Bang ao Big Rip, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

 

[EcoDebate] Por ironia da ciência e da teologia, foi um padre belga, chamado Lemaitre, quem primeiro formulou a teoria do Big Bang em 1927. O batismo da teoria foi obra de outro, como forma de ironizar a teorização inédita de Lemaitre. Ele afirmou que o universo estava em expansão, a partir da explosão de um “átomo primordial”. Huble confirmou sua teoria pela via empírica alguns anos mais tarde, quando confirmou a “fuga das galáxias”.

Lemaitre perdeu a primazia na teoria quando da tradução do texto do francês para inglês, onde essa afirmação básica foi omitida pelo tradutor. Tida muitas vezes como criminosa, hoje se sabe que foi decisão de Lemaitre. Huble, pela observação, ficou com a fama.

O grande salto da teoria foi a passagem de uma compreensão estacionária do universo para uma visão dinâmica, em expansão. Dessa forma, o eterno retorno dos gregos estava abolido. É verdade que, a exemplo da Terra ao redor do Sol, há um aparente retorno contínuo, mas o universo está em processo de expansão e desgaste. Por tanto, esse retorno um dia terá fim.

Por isso, hoje a ciência fala abertamente do fim da Terra e do próprio Universo. São três as teorias básicas:

A primeira é o “Big Freeze” (Grande Geladeira), segundo a qual, o universo, em sua expansão, vai consumir sua energia, transformando numa imensa geladeira. Estaria ainda aí, mas sem vida.

A segunda é o “Big Crunch” (Grande Contração), segundo a qual, o universo estaria em expansão, mas chegará o momento que irá se contrair até voltar ao “átomo primordial”, ou “ovo cósmico”, expressões também criadas por Lemaitre.

A terceira e última, mais recente, é do Big Rip (Grande Ruptura), de Robert Caldwell, segundo a qual o universo vai se expandir até romper o espaço-tempo, dissolvendo-se de fora para dentro.

Não deixa de ser irônico que o fim do mundo, antes uma revelação das religiões, hoje encontre respaldo no mundo das ciências. Os cristãos acreditam na intervenção do próprio Criador nesse processo, elevando toda criação à sua plenitude, não ao seu fim. Mas, não sabemos quando e nem como. Em todo caso, somos mais otimistas que a ciência.

Claro, essa afirmação da ciência é para daqui alguns bilhões de anos. Em todo caso, questão de tempo. Mais irônico ainda é que, a nossa compreensão do começo, meio e fim de todas as coisas, pela ciência, tenha vindo exatamente de um padre.

Roberto Malvezzi (Gogó), articulista do EcoDebate, é membro da Equipe Terra, Água e Meio Ambiente do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) e assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT.

EcoDebate, 30/11/2011

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