O código para desativar a Cybernet, artigo de Paulo Sanda

 

[EcoDebate] A Cybernet está ativa e ninguém havia notado?

No filme Exterminador do Futuro 3, nosso herói John Connor, luta para impedir que a Cybernet seja ativada.

A Cybernet seria, neste filme um sistema computacional, que, ao ser ativado, conseguiria gerir todos os demais sistemas do mundo. Em um mundo interligado, como o que vivemos, a Cybernet poderia trazer grande facilidades para a humanidade. O problema é que o “ente” computacional criado para servir as pessoas, criaria consciência própria chegaria a conclusão que a solução para todos os problemas que ele tinha que resolver, seria o extermínio da raça humana. Assim, o que seria uma promessa, virou uma ameaça, e a salvação se transformou em apocalipse. Isto geralmente acontece com os poderes absolutos.

Engraçado como a vida imita a arte(ou será o contrário). Nossa sociedade apostou na técnica para dominar a natureza, e no capitalismo, no livre mercado para trazer bem estar a todos. Criamos um “ente” que através da produção de bens de consumo em larga escala, teoricamente faria de nós a utopia da vida perfeita de Ernst Blosh, onde o homem verdadeiro se realizaria em lazer e festa. Afinal teríamos toda a criação contribuindo para o nosso bem estar.

Mas o que criamos foi um sistema “todo poderoso”, onde a prioridade do mundo é salvar as economias, traduzindo em miúdos, salvar os bancos e as grandes empresas.

Só que este sistema, não trouxe igualdade, nem bem estar geral. Ele precisa que existam pessoas e coisas a serem exploradas, torturadas e finalmente extintas, para que possa sobreviver. Assim para que o sistema continue, na Grécia os impostos tem que aumentar, os salários e aposentadorias tem que ser rebaixados, a França tem que engolir a dívida de um banco, aliás os governos da União Europeia tem que se endividar, para salvar as instituições financeiras, só para falar um pouquinho deste samba-do-criolo-doido que rola pelo mundo todo, e aqui no Brasil, o braço tupiniquim desta ordem mundial, faz seus estragos.

Em obras faraônicas de usinas hidroelétricas, que tiram as pessoas do campo e as empurram para as cidades, que não tem estrutura para lhes dar moradia, emprego, transporte, etc. Nem para as pessoas que já nelas habitam, que dirá desta massa que corre, refugiados dos desastres que provocamos com a destruição de todo habitat original de indígenas, quilombolas, caboclos, caiçaras, pequenos produtores rurais, gente da terra. Usinas na floresta amazônica, no pantanal, no vale do ribeira, etc.

E como isto não bastasse, ao invés de investirmos no bem estar das pessoas que vivem nas áreas urbanas, gastamos por exemplo, bilhões em obras para um evento esportivo, em detrimento do transporte, saúde, educação, moradia, enfim uma vida decente.

É, o que importa é o sistema, as pessoas e a natureza podem ser extintas, mas o sistema reina soberano. A Cybernet está ativa e ninguém viu.

Será? Viram sim!

E por isto temos milhares, milhões de John Connors hoje. Nos Estados Unidos, os “Connors” saem as ruas com gritos “Occupy Wall Street”. No Brasil, muitos outros lutam contra a corrupção outros contra as alterações no código florestal, saem as ruas em protesto contra Belo Monte, fazem campanhas contra este o trabalho escravo, trabalho infantil, discriminação, etc.

A “Cybernet” contra qual estes “Connors” lutam tem muitos braços, ela está presente na política, no sistema financeiro, educacional, religioso, nos produtos que consumimos, no otimismo que ainda é possível viver desta maneira. Mas o centro dela é um só, o egoismo e a ganancia que vivem dentro de cada um de nós.

Por isto conclamo a todos, vamos viver, vamos protestar e lutar contra estes tentáculos. A batalha não é fácil. Mas sem esquecer, que se não desativarmos o núcleo deste sistema que está entranhado dentro de nós mesmos, toda esta batalha será em vão, e o código chave para desativar a parte desta “Cybernet” que está em mim, tem apenas 4 caracteres. A-M-O-R.

Paulo Sanda “Connor”

Paulo Sanda é Teólogo, chefe escoteiro, palestrante, idealista, associado da ONG RUAH e tem sido ativo participante das manifestações Belo Monte NÃO, em São Paulo.

EcoDebate, 13/10/2011

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