Massacre e esperança! artigo de Luiz Augusto Rodrigues

[EcoDebate] A crise mundial do sistema revela apenas a bestialidade do Capital, com sua sanha devastadora. Para o geógrafo David Harvey, professor da Universidade de Nova Yorque, “o thatcherismo despertou os instintos bestiais do capitalismo(o “espírito animal” do empreendedor, como o chamam timidamente) e, desde então, nada surgiu que os domasse. Destruir e queimar é hoje a palavra de ordem das classes dominantes, de fato, em todo o mundo O capitalismo bestial deve ser levado a julgamento por crimes contra a humanidade, tanto quanto por crimes contra a natureza.”

A economia, em grande parte do mundo é de saqueio contra a maioria oprimida da população. Infelizmente essa é a normalidade da vida em sociedade. Se os indivíduos, por si só, não tem uma finalidade, a sociedade em sua totalidade, que também não se atribui um fim justificável, comandada por essa economia de mercado, destrói os principais valores construídos até aqui.

Não é de se surpreender quando uma pequena parcela da população afirma que não existe banqueiro, empreendedor, delegado ou político honesto! Eles existem sim, mas poucos e, nós, temos esperança que tenham capacidade suficiente para auxiliar a mudar o rumo das coisas.

O recente escândalo de Rupert Murdoch é apenas mais indicativo da podridão do sistema. A revelação da ganância da empresa que assumiu a distribuição da água em Uruguaiana é outro indicativo da insanidade do sistema.

Quando jovens, militantes e organizações ativistas demonstram indignação nas ruas, são tachados de baderneiros e de outros impropérios. Como, neste mundo de um Capital genocida, pode o ser humano coletivo não se manifestar com a indignação dos que tem esperança? A alienação e o consentimento levam ao horror vivido pela maioria no mundo capitalista.

Para o escritor Mauro Iasi, “nada mais objetivo e concreto que os seres de carne e osso, mas as relações por eles criadas ganham seus ossos e sua carne, de tal forma que diante da crise, por exemplo, o capital não exita em sacrificar a carne dos homens para salvar os ossos do capital.”

Cada indivíduo tem que se atribuir uma finalidade, senão sua existência não terá sentido. Mas a soma das vontades e das realizações desses indivíduos não significa a concretização da sociedade. Esta, em sua totalidade, tem de se atribuir uma finalidade coletiva, capaz de dar sentido a humanidade. O sistema do Capital e suas classes dominantes nos dão a idéia de destruição daquilo que chamamos de humanidade. Há um mundo em torno de nós perverso e maligno, mas há também a esperança patrocinada por aqueles que não se adaptam, não se conformam e querem transformar.

Ainda existem aqueles que insistem em dizer que essa devastação do Capital tem sentido humano! Mas a coragem daqueles que vislumbram a transformação da sociedade retoma a idéia da esperança. E eles estão em toda a parte. Jovens que vão as ruas, políticos que lutam e militantes que ultrapassam as regras emboloradas da ordem, e, como diz a poesia de Silvio Rodriguez: “A coisa está no improvável, no difícil, no impossível. A coisa está ali mesmo onde não deveria estar: um pouco além que o alcance das mãos.”

Luiz Augusto Rodrigues, luizaugustorp@hotmail.com

Colaboração de Jadir Ávila da Rosa, diretor do Sindiágua (sindicato dos trabalhadores do saneamento do Rio Grande do Sul), para o EcoDebate, 23/08/2011

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