A Servidão Voluntária, artigo de Julio Wandam

Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado” Elie Wiesel

[EcoDebate] As eleições estão chegando, e ano que vem (se o mundo não acabar em 2012) novamente os destinos de Tapes estarão sendo decididos pelo Povo tapense, que durante anos, senão décadas, esteve sempre em busca de um salvador da pátria, da lavoura ou da lagoa, para podermos acreditar na ‘Dona esperança’, até passada a época festiva e hilária de nosso contexto político local.

Depois voltamos ao normal, de somente, após seis meses de um “novo Governo”, ficar avaliando quem poderá suceder aqueles que já se mostraram ineptos e inúteis à cidade.

Neste momento em que vivemos, em que se esgotaram os nomes e “lideranças” capazes de dar “destino” à Tapes, qualquer sujeito na sociedade quer ser Prefeito da cidade. O problema é saber, quem realmente será Prefeito um dia que seja, e tenha discernimento para avaliar e projetar alguma coisa de útil em seus quatro anos de mandato.

Vejo as pessoas, que procuraram, desde a Patroa do CTG Província de São Pedro, que arduamente junto a uma equipe de pessoas de bem da cidade, conseguiram reerguer a “tapera” que se encontrava o Centro de Tradições Gaúchas, orgulho dos gaúchos locais. Vejo também, até mesmo procurarem o “Zé”, que com coragem tirou das garras de aves de rapina, loucos para colocarem as mãos no patrimônio do Clube Aliança, as pretensões de lucrarem com a falta de sentido cidadão das pessoas em Tapes.

Mas, tanto neste caso, como no anterior, a vontade de ser feito algo pela cidade, fez destas pessoas potenciais “candidatos” ao Legislativo e Executivo local, pois com coragem, estratégia e uma equipe com boas intenções, tiraram do buraco estes patrimônios culturais e realçaram no Povo (e nas lideranças políticas) a vontade de tê-los no comando do barco, antes que afunde tudo.

Muitos pensam isso, e procuraram estas pessoas para com “loas e cantos de sereia”, tentarem trazerem estas “lideranças sociais” para suas ideologias e interesses inconfessáveis, no âmbito político.

O que admiro nestas duas pessoas, não só pelo potencial que todo o cidadão tem, e direito de ser candidato ao cargo eletivo maior, foi a decisão de não misturarem ‘a sua ética’ com a ‘política dos outros’, que há muito tempo deixou de ser ética e capaz de gerar efeitos maiores na cidade, e sim acabaram gerando a “pequenez” da perseguição, da mentira, da ilusão e da censura, ao que está de fato incomodando a população.

Quando as pessoas assumem com vigor seus objetivos e destes gerem efeitos importantes na sociedade, todos se voltam para estas pessoas com admiração, com certeza, é a única forma que temos de parabenizar-lhes pelo feito.

Mas outras, não tantas, vêem nestas pessoas, a capacidade de vencer-lhes pela ação e reação de suas atitudes, que simples e desprovidas de “interéses”, como dizia o Brizola, fazem surtir o efeito necessário para provar, que com pouco dinheiro e muita vontade, se faz algo com resultados para muitos.

Por estes motivos a “cooptação – ato de admitir, aceitar, submeter” no sentido de ou acabar com aquela “vontade” ou de “aproveitar” daquela vontade com fins eleitoreiros e partidários.

Infelizmente em Tapes, as lideranças estão desaparecendo como animais em extinção, e muitos se salvam pela lógica da “servidão voluntária”, que Etienne de La Boétie, em seu “Discurso sobre a Servidão Voluntária” nos explica como a forma em que a sociedade se curva diante dos “benefícios” de não se envolverem com as coisas de interesse da cidade, deixando para os políticos o papel de Capitão do barco, eleito a cada 4 anos.

Mas ela ressalva: “O poder que um só homem exerce sobre os outros é ilegítimo”. Já no título da obra, aparece a contradição do termo ‘servidão voluntária’, pois, como se pode servir de forma voluntária, isto é, sacrificando a própria liberdade de espontânea vontade? Dentro desta temática, a obra essencialmente é um questionamento acerca das possíveis causas que levariam os povos a se submeterem à vontade de um tirano, o que se mostra como uma grande interrogação e indignação à opressão.

Colocam ‘neles’ o compromisso e a responsabilidade pela solução daquilo que aflige a comunidade, sua qualidade de vida, a segurança pública, a iluminação, a pavimentação, o emprego, a renda, o lazer, a cultura, a saúde e educação pública de qualidade, pilares essenciais para que tenhamos a qualidade urbana, social, econômica em dia, sendo gerenciada pelos “empregados” dos Tapenses, que gastam uma exorbitância com Vereadores, por exemplo, que calculando por baixo, a cada quatro anos amealham mais de 120 mil reais para “representarem o povo tapense”.

Se somados os valores pagos somente ao Poder Legislativo, conseguiremos um extrato público de suas atividades, ações, propostas, projetos de lei, pedidos de providência que valham o que ganham em 48 meses?

Imaginem então os custos com CCs, FGs, CIEEs, Contratados pelo Poder Executivo, existe algum lucro pelo gerenciamento pífio e muito aquém da necessidade da população? Vide, o setor da saúde pública, por exemplo.

Realmente, começo a acreditar que pessoas simples da cidade, que respeitem os outros, que como eles, também tenham esperança de que algo melhore, poderão quem sabe assumirem mais esta empreitada, e serão capazes de remover a sujeira, o entulho, o pó embaixo do tapete, para que tenhamos uma cidade avançando, com os pés no chão e com menos “ousadia” de apresentarem “projetos” para daqui vinte anos, quando Tapes está atrasada este tempo todo, sem possibilidade de acharmos lideranças capazes de fazerem algo de honesto, concreto e ético para os tapenses, de hoje, e quem sabe, para daqui 20 anos no futuro.

Julio Wandam, Ambientalista, do Movimento Ambientalista Os Verdes de Tapes/RS
osverdestapes@gmail.com

EcoDebate, 15/08/2011

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