Casa Civil à moda do sul, artigo de Montserrat Martins

[EcoDebate] A nova ministra, Gleisi Hoffmann, vem do Paraná. Uma das interpretações possíveis é de que teremos uma Casa Civil “à moda do sul” como não tínhamos desde Dilma – mineira de nascimento, mas “gaúcha” adotiva, na política. Quer dizer, com estilo mais austero. Seria bairrismo ? O site Sul 21, que trata de política com a maior seriedade, já citou o site humorístico O Bairrista como a sátira do nosso ufanismo (tem manchetes do tipo “Presidente Tarso compra a Coréia do Sul”). Outros satíricos do gênero, como o Sensacionalista, de Rio e São Paulo, faz piada de gaúchos (como o Casseta e Planeta e o CQC), mas sabemos que é por inveja. Da nossa grandeza, claro, como o The New Fake Times (concorrente do The New York Times), suposta multinacional gaúcha, o “TNFT Group”. Está no Hino Riograndense, “sirvam nossas façanhas de modelo a toda a Terra”.

Falando sério – ufanismo à parte – dá para dizer que existe um “estilo do sul” em política, sim – pois isso vale tanto “para o bem” como “para o mal”. Há algumas características políticas e culturais próprias “do sul”, mas não quer dizer que sejam necessariamente positivas. Somos mais sérios e ideológicos ou só mais pretensiosos e na verdade mais sectários, maniqueístas ?

O que me parece inegável é que existem diferenças de comportamento, portanto também no modo de fazer política. Érico Veríssimo nos brindou com obras onde nossa própria situação fisiográfica pode ser associada com algumas características humanas. Quem sabe essa seriedade e contenciosidade tem alguma relação com coisas tais como o próprio clima mais frio (do ponto de vista médico, sim, há a adrenalina mobilizada em condições adversas para sobrevivermos). Porque aqui não temos aquele “jeitinho” dos cariocas ou um pragmatismo mais desideologizado à moda paulista ?

Olhando para cada um dos partidos mais “tradicionais” por aqui (PMDB, PT, PP, PDT, PTB), encontraremos diferenças entre lideranças locais e as nacionais. Não preciso citar nomes, compare você mesmo, pense num líder local que simboliza esse partido aqui e outro que detém o controle desse partido em nível nacional.

Um amigo comum com a secretária gaúcha do Meio Ambiente me garantiu que ela não concordaria com o “pragmatismo” de seu colega de partido Aldo Rebelo e teria sido minoritária na declaração de seu partido em nível nacional, de apoio às propostas dele. Não telefonei para a secretária para conferir a informação (que a meu ver, seria elogiosa), o que registro é o comentário deste amigo em comum sobre a decisão do partido dela, “é coisa dos paulistas”.

Argumento que, registro aqui, tenho ouvido sobre questões internas de vários partidos. Será preconceito contra o pragmatismo necessário a “governabilidade? Pode ser, afinal estou fazendo uma leitura dos fatos a partir do sul. Mas parece não ser coincidência que quando Lula precisou de austeridade chamou Dilma e esta, agora, parece ter buscado alguém que inspire valores deste tipo, talvez menos “articuladora”, mas mais discreta e austera.

Montserrat Martins, colunista do EcoDebate, é Psiquiatra.

EcoDebate, 10/06/2011

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