Extrativistas se dizem mais fortes e unidos para denunciar desmatamento ilegal depois da morte de companheiros

Amigo próximo do casal de extrativistas assassinados, no dia 24/5, no Pará, o diretor do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Atanagildo Matos, disse ter certeza de que as mortes de Maria do Espírito Santo e João Cláudio Ribeiro da Silva foram encomendadas para tentar prejudicar as comunidades que vêm denunciando o desmatamento ilegal, promovido por madeireiros da região.

Ele advertiu que, no entanto, o tiro saiu pela culatra. “Agora estamos mais fortes e unidos para defender a floresta”. “Ainda não sabemos exatamente quem foi o mandante porque as denúncias feitas por João atingiam diversos grupos e interesses. Mas tenho certeza de que essas mortes foram encomendadas”, disse Matos à Agência Brasil. Segundo ele, o assassinato do casal deixou a comunidade muito abatida, porém fortalecida.

“A morte deles deixou o movimento mais indignado e vamos buscar forças nessa indignação para pressionar o governo a respeitar nosso pedido e a população das florestas. Perdemos um casal muito atuante e digno. Que trabalhava e era querido pela comunidade. Mas, assim como as árvores que eles defendiam, eles também deixaram sementes. Precisamos continuar nossa luta. Agora vamos nos juntar para avaliar a situação e continuar nossa missão”, acrescentou o diretor do CNS.

Junto com o casal, Matos desenvolvia o Plano de Manejo Florestal de Uso Múltiplo, um projeto de sustentabilidade que atinge diversas localidades da Amazônia. “É uma experiência de uso lucrativo da floresta, mas sem derrubar nem queimar árvores”, explicou.

A entidade defende políticas dirigidas ao pequeno, médio e grande produtor. “A responsabilidade pelas florestas tem de ser de todos”, afirmou o ativista, que cobrou a prisão de todos que cometerem crimes ambientais. “Não se pode mais continuar essa política destruidora e devastadora”, disse Matos, que está no movimento desde 1978.

“Foi uma triste coincidência o assassinato deles ter sido cometido em uma data tão próxima à aprovação do Código Florestal, com essas emendas que anistiam criminosos e que delegam a municípios e estados a definição das áreas de proteção”, desabafou.

Na comunidade onde viviam Maria do Espírito Santo e João Cláudio Ribeiro da Silva, há cerca de 250 famílias ocupando uma área de 36 mil hectares. Hoje (26), ocorrerá o sepultamento dos dois seringueiros.

Sobrinha de seringueiros assassinados quer que casal seja lembrado por trabalhos de conscientização

O casal de seringueiros João Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, deve ser lembrado por seu trabalho de conscientização a respeito de formas de exploração sustentável da floresta e não apenas pelas denúncias contra extração ilegal de madeira. Na opinião de Clara Santos, sobrinha do casal, apesar das muitas ameaças de morte que o casal recebia por causa das denúncias, os extrativistas devem ficar na memória das pessoas por sua dedicação ao trabalho com as comunidades locais.

“Meu tio sempre mostrava às pessoas que a floresta, mesmo em pé, dava muito lucro”, disse à Agência Brasil. “É importante enfatizar isso. Ele tinha um trabalho muito importante com as comunidades. Viajava muito para aprender alternativas simples que podiam ajudar as famílias a lucrarem com a exploração sustentável da floresta e depois ensinava o que aprendia”, lembra Clara, bastante emocionada durante o velório do casal.

João Cláudio e Maria do Espírito Santo foram mortos a tiros ontem (24) em uma estrada vicinal que leva ao Projeto de Assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira, na comunidade de Maçaranduba 2, a 45 quilômetros do município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará.

Receosa, Clara não faz qualquer tipo de acusação contra supostos mandantes. “Não quero fazer especulações”, diz.

Como José Cláudio teve sua orelha cortada pelos assassinos – prática comum em casos de assassinatos com características de pistolagem – há suspeitas de que o crime foi cometido por encomenda.

Reportagem de Pedro Peduzzi, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 26/05/2011

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