Cerca de 1/3 das empresas de Goiás acham pouco relevantes os esforços das políticas ambientais

FEARP avalia política ambiental de empresas lácteas goianas: 80,4% das empresas não possui corpo técnico para cuidar das questões ambientais

Estudo realizado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP avaliou as influências que as políticas públicas, referentes às questões socioambientais, exercem sobre o desempenho econômico e socioambiental das empresas do setor de leite e derivados do estado de Goiás. De acordo com o estudo, cerca de um terço das empresas pesquisadas, consideram pouco relevantes os esforços das políticas ambientais destinadas a estimular o mercado a promover a redução do uso e a demanda por recursos naturais.

A pesquisa de Francisco Alberto Severo de Almeida teve seus dados fundamentados em um questionário respondido pelas 92 principais empresas do setor lácteo de Goiás, o terceiro maior estado produtor de leite e derivados do País. Todas as empresas avaliadas são fiscalizadas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) e obedecem a acordos internacionais e normas sanitárias e ambientais de exportação.

A principal reclamação relatada pelas empresas diz respeito à liberação da licença ambiental. De acordo com o estudo, somente para cerca 30% das empresas pesquisadas a licença ambiental foi concedida dentro dos prazos estipulados pela legislação ambiental. Para as demais, essas liberações ocorreram, na maioria, entre 30 e 180 dias.

O estudo também revelou que a gestão ambiental de 80, 4% das empresas pesquisadas não é estruturada organicamente, ou seja, não possuem um corpo técnico ou gerencial com atribuições específicas para cuidar das questões ambientais. Isso demonstra como as questões ambientais não são tratadas de forma preventiva e contínua pela maioria das empresas do setor.

Gestão
Segundo Almeida, na medida em que o marco regulatório ambiental interfere, direta ou indiretamente, na atividade econômica e de gestão empresarial, as ações de políticas ambientais tornam-se objetos de conflito entre os órgãos reguladores e o segmento empresarial. “De um lado o Estado, impondo as regras ambientais, do outro as empresas questionando, ora sua aplicação, ora as burocracias impostas pelos órgãos ambientais”, afirma.

No entanto, Almeida ressalta que “a intensidade dos gastos realizados pelas empresas para atender a legislação socioambiental não constitui algo que possa afetar de forma negativa seus desempenhos econômicos e socioambientais. Na realidade, eles elevam a eficiência econômica, socioambiental e tecnológica do setor”, conclui.

Para o administrador, a inserção de novas tecnologia e métodos visando a proteção dos recursos naturais tem uma influência positiva tanto nos recursos de matéria-prima quanto no mercado consumidor. “O ‘selo verde’, conferido às empresas com responsabilidades socioambientais, aumenta a receptividade do produto, a imagem e aceitação da marca. Além de preservar os recursos naturais de que estas empresas dependem”.

Reportagem de Marcelo Pellegrini, da Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 31/03/2011

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