Extermínio de baleias na Antártida, artigo de Bruno Peron Loureiro

caça de baleia
Foto: Greenpeace Brasil

[EcoDebate] O Japão suspendeu temporariamente a caça anual de baleias, atrocidade cometida impunemente por tripulantes do navio Nisshin Maru nas águas gélidas da Antártica, segundo informação de seu Ministério de Pesca.

Práticas hediondas contra os animais perpetuam-se sob pretexto de pesquisas científicas, costumes alimentares ou rituais religiosos. A tradição de qualquer povo ou país, por mais antiga que seja, não pode sobrepujar a dignidade de espécies e a preservação da natureza. Logo ela tem que ser revista, discutida e adaptada.

Três países ainda caçam baleias: Japão, Islândia e Noruega. Fontes não-oficiais indicam que nacionais destes mataram mais de 30.000 baleias desde o acordo de suspensão firmado em 1986.

O Japão alega que a caça de baleias é praticada desde 1987 com fins científicos pelo “Instituto de Pesquisa de Cetáceos”, mas o comércio desta “mercadoria” se desmente nos pratos servidos em restaurantes daquele país e flagrados até mesmo em Los Angeles, EUA.

O grupo ambientalista e conservacionista “Sea Shepherd” reagiu duramente à prática japonesa nos supostamente protegidos mares antárticos. A Antártica foi declarada “Santuário de Baleias” em 1994 pela Comissão Internacional de Caça de Baleias (IWC, da sigla em inglês).

Cada ano, o Japão capturava em torno de mil baleias, mas o número caiu pela metade desde 2008 e muitos ativistas culpam pelo decréscimo a redução da demanda no mercado de carnes de baleias em vez da boa vontade dos japoneses. Inclusive a suspensão das atividades de caça cheira mais a um ato de fachada que de consciência ambiental.

Na mesma direção de condenar a caça de baleias, a Austrália fez uma denúncia contra o que alcunhou “pesquisa letal” japonesa na Corte Internacional de Justiça de Haia, terceira maior cidade holandesa. Outras instituições mundiais, como Greenpeace, também condenam a caça de baleias.

A propósito, as reações ditas “agressivas” pelo governo japonês se referem às atitudes de ativistas do “Sea Shepherd”. Alguns deles pintaram de vermelho as paredes e atiraram líquidos corrosivos contra o sanguinário navio Nisshin Maru, e adentraram a embarcação a fim de evitar matanças iminentes. Este navio hospeda quantidade grande de baleias puxadas pela abertura do compartimento traseiro, idealizado para este fim, e o acúmulo destes animais no porão.

Não fossem os valentes ativistas em prol do meio ambiente e da vida, as atrocidades não veriam limites por mais clara que seja a lei e os acordos internacionais. Os inimigos da natureza se ancoram nas debilidades e interpretações das normas, por isso se matam ainda tantas baleias todo ano para atender ao avanço da ciência no Japão ou qualquer justificativa descabida.

O “Grupo de Buenos Aires”, como se chama uma associação de nove países latino-americanos, pressionou o Japão em meados de fevereiro de 2011 pelo fim da caça às baleias. O Grupo é formado por: Argentina, Uruguai, Brasil, Peru, Chile, Equador, Panamá, Costa Rica e México.

Finalmente o mundo nega a audácia de países que não têm nada para oferecer, mas querem todas as riquezas dos opulentos em recursos naturais. Na mesma proporção e para citar outro exemplo, está a ingenuidade dos que acreditam no “protagonismo” chinês e na germinação de um novo modelo de desenvolvimento, totalmente avesso ao bem-estar e à integridade do ser humano.

Muitas vezes não nos resta mais que torcer por um esforço coletivo de magnitude com a mesma disposição que a média dos tupinicas torce pelos times de futebol da moda!

Denuncie as sevícias contra os animais, assim como há indivíduos e organizações que se devotam a combater a matança criminosa das indefesas focas do Canadá para extrair a pele para indústria têxtil de luxo, e dos tubarões para corte de barbatanas no Brasil e uso em restaurantes orientais, entre outras brutalidades ilegais, insensíveis e retrógradas.

A suspensão das atividades do navio nipônico Nisshin Maru atesta a força que grupos ambientalistas e conservacionistas conquistaram e o impacto das vozes opositoras. Nem que lotassem todos os seus laboratórios os japoneses teriam espaço para armazenar tantas carcaças de baleias, que almejam a paz nas águas da Antártica.

* Colaboração de Bruno Peron, mestre em Estudos Latino-americanos, para o EcoDebate, 16/03/2011

Compartilhar

[ O conteúdo do EcoDebate é “Copyleft”, podendo ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, ao Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário do Portal EcoDebate
Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta clicar no LINK e preencher o formulário de inscrição. O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Alexa

3 comentários em “Extermínio de baleias na Antártida, artigo de Bruno Peron Loureiro

  1. Não sou um cara muito religioso, mas nessas horas começo a acreditar na existencia dos deuses, e que esse tsunami no japão foi obra de Netuno deus dos mares para vingar os seus.

  2. Também não sou uma pessoa muito religiosa, mas espero que os deus ou apenas um deus, se encarregue de vingar as mortes dessas baleias!!! Por que será que o ser humano se acha grande coisa?

Comentários encerrados.

Top