Reduzir os gastos militares e investir em economia verde e inclusiva, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate] No ano 2000, o mundo decidiu estabelecer os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). O primeiro objetivo foi reduzir a extrema pobreza pela metade, entre 1990 e 2015. Este objetivo já foi atingido em vários países do mundo (inclusive no Brasil). Pode também ser atingido em nível mundial se houver a expansão do sistema de proteção social e se os preços dos alimentos não despararem nos próximos anos. Outras metas de educação e saúde também podem ser atingidas e serem melhoradas nos próximos 40 anos, pois diversas consultorias internacionais dizem que o mundo pode apresentar um crescimento de quatro vezes no PIB mundial, entre 2010 e 2050.

Contudo, o maior desafio do século XXI continua sendo melhorar as condições do meio ambiente, elevar a capacidade de alimentar uma população crescente e mitigar os efeitos do aquecimento global. Neste sentido, está faltando uma meta nos ODMs relacionada à construção de uma Economia Verde e Inclusiva que poderia ser financiada por meio da reducão do gastos militares.

Segundo dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), as despesas militares de todo o mundo, em 2009, totalizaram US$ 1.531.000.000.000 (um trilhão e quinhentos e trinta e um bilhões de dólares). Isto representou um aumento de 5,9% em termos reais em relação a 2008 e um aumento de 49% desde 2000. Toda esta fortuna gasta em atividades improdutivas e de destruição poderia ser redirecionada para mudar a matriz energética do mundo, para mitigar e adaptar os efeitos do aquecimento global e para combater a fome e melhorar a qualidade de vida dos seres humanos e dos demais seres vivos da Terra. A metade destes gastos militares (765 bilhões de dólares por ano) já seria suficiente para promover a transição da economia de alto-carbono para a de baixo-carbono.

Portanto, uma nona meta do ODM poderia ser:

Reduzir os gastos militares pela metade em todos os países do mundo e investir os recursos na construção de uma Economia Verde e Inclusiva.

O mundo já possui as condições técnicas para erradicar a miséria, para garantir os direitos de educação, saúde, trabalho, habitação, segurança e para conservar e preservar as condições do meio ambiente e da biodiversidade.

É preciso criar um movimento mundial pela paz e pela redução das forças militares no mundo. Um movimento contra as guerras e a favor do meio ambiente. Só com uma grande mobilização da sociedade civil global se pode dar um rumo correto para o surgimento de uma Economia Verde e Inclusiva que evite um suicídio da humanidade e um ecocído planetário.

Esta poderia ser uma meta aprovada na Rio + 20, que acontecerá em 2012, e poderia valer até 2030, com metas de redução anual. Seria o tempo necessário para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa em 80% e evitar um desastre de proporções catastróficas, caso o ritmo do aquecimento global continue. O tempo é curto, mas ainda há possibilidade para salvar o planeta!

José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE. As opiniões deste artigo são do autor e não refletem necessariamente aquelas da instituição. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br

EcoDebate, 23/02/2011


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