RJ: CSA terá que reduzir em 70% a sua capacidade operacional

A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que caminhava para a produção plena, terá que reduzir imediatamente em 70% a sua capacidade operacional, até que sejam resolvidos os problemas técnicos que resultaram no lançamento de poluentes no ar no entorno da usina, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

Em reunião com o conselho de administração da siderúrgica, nesta terça-feira (28/12), a secretária de estado do Ambiente, Marilene Ramos, anunciou ainda que a CSA passará por auditoria externa, conforme exigência do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e do Ministério Público Estadual, a ser realizada por uma empresa de engenharia ligada ao setor siderúrgico.

A secretária descartou a participação de auditores alemães para evitar conflito de interesses, uma vez que o grupo controlador da siderúrgica é o alemão Thyssenkrupp, com 73,13% do capital. Os 26,87% restantes são da Vale. Entre as candidatas estão a coreana Hyundai, a holandesa Tata Chorus, a brasileira Usimec e a canadense Hatch.

O presidente do conselho de administração da CSA, Hans Fischer garantiu na reunião que a siderúrgica vai indenizar as famílias afetadas pelas emissões de fuligem, em valores ainda não calculados. A própria companhia estima em 6 mil o número de residências afetadas.

O executivo também entregou a secretária uma cópia de um documento enviado por acionistas à diretoria executiva da siderúrgica no qual exigem a efetivação do Programa Grafite Zero, cujo objetivo é eliminar em definitivo a emissão de partículas de limalha de ferro, conhecida como “chuva de prata”, em todo o processo produtivo. O plano será apresentado a direção da CSA no dia 31 de janeiro.

De acordo com a secretária, as novas medidas não livram a siderúrgica de multa severa, cujo valor será fixado na próxima segunda-feira, em reunião do conselho diretor Inea. Depois de poluir o ar no entorno da usina, no último dia 26 e pela segunda vez, a CSA também corre o risco de não obter a Licença de Operação, caso não faça todos os ajustes necessários para impedir novos acidentes ambientais. O documento assegura seu funcionamento definitivo, prevista para ser concedida em fevereiro próximo.

Os lançamentos de fuligem no ar resultaram de defeitos em alguns equipamentos da usina e que tornaram necessários descartes de ferro gusa nos poços de emergência licenciados somente para esse fim. O primeiro ocorreu logo no início das operações em agosto passado, quando a empresa foi multada em R$ 1,8 milhão.

“A CSA vai ser multada novamente e dessa vez com o agravante de ser reincidente e também pelo fato de não terem avisado sobre a recorrência do problema imediatamente”, antecipou a secretária.

Informe do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), publicado pelo EcoDebate, 30/12/2010


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