Meio Físico, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] O meio físico representa o substrato físico onde a vida se desenvolve. O grande diferencial no estudo do meio físico é o fator tempo. O planeta terra tem aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Para medir o tempo geológico são utilizados elementos radioativos contidos em certos minerais. Estes elementos são os relógios da terra, pois sofrem um tipo especial de transformação (tempo de meia vida) que se processa em ritmo uniforme.

Por este processo, chamado radioatividade, algumas substâncias se desintegram, transformando-se em outras substâncias da tabela periódica dos elementos químicos. Medindo as duas substâncias nas rochas. Podemos saber com precisão a idade dos materiais.

A terra atrai os corpos celestes pela força da gravidade e pelo magnetismo. Estas forças variam de acordo com o local, devido a diferenças superficiais e profundas dos materiais que constituem o planeta. Esta análise permite interpretar o subsolo da terra.

Pela teoria mais aceita atualmente, estima-se que a formação do sistema solar teve início há 6 bilhões de anos, com a contração das nuvens gasosas da via Láctea. A poeira e os gases destas nuvens se aglutinaram pelas forças da gravidade, e a cerca de 4,5 bilhões de anos, formaram-se vários planetas esféricos que giravam em torno de uma esfera maior de gás incandescente que deu origem ao sol.

As esferas menores formaram os planetas, dentre eles a terra. Devido à força da gravidade, os elementos químicos mais pesados, como o ferro e o níquel concentraram-se no núcleo da terra, enquanto os mais leves como o silício, o alumínio e os gases. Estes gases, foram em seguida, varridos da superfície do planeta por ventos solares.

Antigamente se dizia que o meio físico não tinha vida, era abiótico. Mas após a tectônica de placas, fica sem sentido dizer que a terra não tem vida. A terra pode ser comparada a um ovo. Um ovo tem gema, clara e casca, enquanto a terra tem um núcleo central, equivalente a gema, uma porção intermediária, denominada manto, que equivale a clara do ovo, e uma última porção externa, chamada crosta, na qual vivemos, que equivale à casca do ovo.

Assim foram sendo separadas as camadas com propriedades físicas e químicas distintas no interior do globo terrestre. Há cerca de 4 bilhões de anos formou-se o núcleo, constituídos por ferro e níquel no estado semi-sólido, com um raio de 3.700 km. Em torno do núcleo formou-se uma camada denominada manto, que possui aproximadamente 2.900 km de espessura, constituído de material em estado pastoso, formado por silício e magnésio.

Após, cerca de 4 bilhões de anos atrás, gases do manto se separaram, formando uma camada ao redor da terra, denominada atmosfera, com características muito semelhantes às atuais.

Na última fase, cerca de 3,7 bilhões de anos atrás, solidifica-se em superfície uma fina camada de rochas, denominada crosta, onde vivemos. Este material não é homogêneo, embaixo dos oceanos a crosta tem aproximadamente 7 km de espessura e é constituída de rochas de composição ferro-magnesiana, semelhantes ao manto terrestre.

Nos continentes, a espessura da crosta aumenta para 30 ou 35 km, sendo composta por rochas formadas por silício e alumínio, portanto mais leves que os materiais do fundo oceânico.

As transformações da terra são causadas por movimentos que ocorrem na sua estrutura. Utilizando nossa comparação com um ovo, no núcleo da terra, que equivale a gema do ovo, ocorre o decaimento radioativo dos elementos químicos que produz energia na forma de calor. Esta energia produz correntes de convecção (iguais a fumaça de cigarro, que sempre que é expelida, sobe, fluidos quentes sempre sofrem corrente de convecção ascencional) no manto da terra. Estas correntes de convecção são ascencionais, produzem lavas (rochas derretidas em estado líquido e altas temperaturas), nas margens de construção dos continentes, que movimentam as placas continentais, subaéreas ou subaquáticas.

Isto explica a ocorrência de vulcões oceânicos e tsunamis, como assistimos com freqüência. São manifestações de que o meio físico também vive, da sua forma. Por isso meio ambiente é tão complexo, não é possível imaginarmos que vamos dominar a natureza ou que ela está aqui para nos servir. É preciso respeito e atitude equilibrada.

Roberto Naime, colunista do Portal EcoDebate, é Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS.

EcoDebate, 07/12/2010


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