Inteligência é loucura, por Maurício Gomide Martins

[EcoDebate] Para variar um pouco o modo de abordar a tragédia por que passa o planeta – assunto muito sério e vital que não está sendo levado em devida conta, mas será objeto de atenção quando não tiver mais retorno – apresentamos abaixo a letra de uma canção produzida pelo marcante cantor Moacyr Franco.

Entendemos que, mediante profunda meditação sobre as vívidas palavras de extrema significação ali colocadas, o leitor poderá sentir a intensa angústia do autor quando de sua construção. Ela retrata, no nosso entender, a exata situação periclitante da vida e a desesperança que se apossa de alguns na luta pela sobrevivência.

Numa apreciação simplista, bastante condensada, não hesitamos em registrar esta canção como um verdadeiro e significativo tratado de ecologia. Até o título e significativo.

“INTELIGÊNCIA É LOUCURA
Autor: Moacyr Franco

Eu vi a flor se agarrando
Às asas de um colibri
Ela implorava chorando
Vê se me leva daqui.

A vida vai se acabando
Ai, ai, ai,
Nesse planeta infeliz.

À boca grande do homem
A terra já não resiste
O bicho foge do incêndio
O passarinho está triste.

Guariba cega e queimada
Ai, ai, ai,
Pergunta se Deus existe.

Quando o Tietê tá espumando
Ou quando a baleia berra
Às vezes fico pensando
Quem sabe é melhor a guerra.

É hora de ir embora
Ai, ai, ai,
E deixar livre esta terra.

De que valeu o progresso?
Pra que as duas culturas?
Um mundo louco possesso
Doença ao invés de fartura.

Queria ser um morango
Ai, ai, ai,
Inteligência é loucura.

Que seja um homem feliz
Quem tem num bicho um irmão
Quem deite e acorde sorrindo
E ensine ao filho o perdão.

Que seja a minha riqueza
Ai, ai, ai,
O que couber nesta mão.”

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e colunista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

EcoDebate, 25/08/2010

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