A herança de Lula para o Nordeste, artigo de João Abner Guimarães Jr.

[EcoDebate] O Governo Lula é prodígio em popularidade, alcançando índices de aceitação de 80%, principalmente na Região Nordeste. Aproximando-se, dessa forma, do recorde de José Sarney na época do plano Cruzado, que segundo a pesquisa do Ibope, divulgada na edição de “O Globo” de três de julho de 1986, chegou a unanimidade de 97,5% de aprovação. No caso atual, fruto do inegável carisma pessoal do Presidente e, principalmente, das políticas públicas assistencialistas, tipo bolsa família, criadas no governo anterior de Fernando Henrique Cardoso e difundidas largamente em todo interior pobre e populoso da região nordeste.

Nesse dias de campanha presidencial, preocupado com o desenvolvimento da nossa Região, trago para reflexão os primeiros e belos versos de “Vozes da seca”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, de 1953, lançada no início de uma década de profundas e efetivas intervenções do Governo Federal no NE.

“Seu dotô os nordestino
Têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista
Nessa seca do sertão
Mas dotô uma esmola
A um home qui é são
Ou lhe mata de vergonha
Ou vicia o cidadão.”

A história do Brasil mostra que as principais intervenções governamentais em benefícios do Nordeste foram de iniciativas de governos com presidentes não nordestinos. O DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – órgão pioneiro no País com enfoque no semi-árido brasileiro, responsável pelo o maior programa de construção de açudes do mundo, vital para a sustentabilidade socioeconômica da região, deve sua origem ao governo do fluminense Nilo Peçanha em 1909. Em 1952 o gaúcho Getúlio Vargas criou o BNB – Banco do Nordeste do Brasil, motor do desenvolvimento da Região até hoje. A SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – foi criada em 1959 pelo mineiro Juscelino Kubitschek, sob inspiração do grande paraibano Celso Furtado, para fomentar a modernização da economia da Região.

A CODEVASF, criada em 1974 na época dos governos militares, desenvolveu o maior programa de irrigação do País no vale do rio São Francisco. O FINOR- Fundo de Investimento do Nordeste – benefício fiscal concedido pelo Governo Federal destinado a apoiar financeiramente empreendimentos instalados ou que venham a se instalar no NE – é de 1974 e o FNE – Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste – foi criado no bojo da Constituição cidadã de 1988.

Nos últimos vinte e cinco anos, apesar da predominância de presidentes nordestinos, praticamente, nada de novo aconteceu em termos de políticas públicas permanentes voltadas para o desenvolvimento do NE.

O Governo do maranhense José Sarney (1985-1990) foi o da redemocratização do País e da crise econômica da década perdida. No governo do alagoano Collor (1991-1992) houve o desmonte do estado brasileiro com a extinção da SUDENE e a agudização da hiperinflação, controlada pelo mineiro Itamar (1993-1994). O paulista Fernando Henrique (1995-2002) reestruturou o estado brasileiro que o pernambucano Lula herdou em 2003.

Passados oito anos, qual o legado do governo Lula para a Região Nordeste que tanto o admira?

Excetuando a duplicação da BR 101 e a implementação do programa Luz para Todos, criado por FHC, a marca que ficará do governo Lula, para mim, serão as obras inacabadas da Ferrovia Transnordestina, em fase embrionária, e do mega projeto de transposição do rio São Francisco, com seu 400 km de canais de terra revestida por fina camada de concreto, que provavelmente ficarão secos, expostos ao sol inclemente do sertão nordestino, por décadas, a um custo extraordinário de bilhões de reais, sem nenhuma serventia, aguardando o término das obras de 35 km de túneis, ainda não iniciadas, nas suas extremidades finais. Um verdadeiro poço sem fundo que vai pautar juntamente como as esmolas da bolsa família, e tantas outras, as políticas públicas dos próximos governos, constituindo-se, dessa forma, numa verdadeira herança maldita para o Nordeste.

João Abner Guimarães Jr. – Prof. da UFRN

EcoDebate, 19/08/2010

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8 comentários em “A herança de Lula para o Nordeste, artigo de João Abner Guimarães Jr.

  1. Quer dizer que tudo de bom que o Lula fez veio do governo anterior?
    Acho q vcs estão indo além da hipocrisia.

  2. Essa herança deixada pelo atual governo federal deveria ser divulgada em rede nacional pela mídia, pois, grade parte dos brasileiros (isso para não dizer a maioria) não sabe desses detalhes. O mais impressionante é a aprovação por grade parte do povo brasileiro, desse governo, mesmo, muitas vezes estando ao lado do fato. Eu não sei se isso é desconhecimento, fanatismo político ou falta de raciocínio. O mais provável seria o controle dos meios de comunicação, fazendo com que seja divulgado somente o que é interessante para o governo e ocultando as grandes falcatruas. Algo que infelizmente eu tenho percebido é que o eleitor brasileiro ainda não está preparado para votar. Em diversas vezes, tentando entender a aprovação do governo, questionei alguns eleitores que o aprovavam. Não recebi uma resposta concreta apresentando situações (fora o bolsa família) que realmente obtiveram uma melhoria real. Em meu ponto de vista, pontos básicos como: saúde, segurança, saneamento básico, infra estrutura e educação não melhoraram nada, então o que melhorou?
    Caro professor, é muito bom que haja pessoas com o senhor que tenta mostrar a realidade ao povo brasileiro, de forma totalmente imparcial. Compartilho com o senhor a mesma opinião e já estou enviando este artigo a todos meus contatos para que possam no mínimo estarem consciente da realidade.
    Fernando Cesar Serafim
    Designer e pós-graduando em Gestão Ambiental
    ferdesigner@hotmail.com

  3. O Prof. João Abner critica a política assistencialista do Governo. Concordo com ele e, por isso, reproduzo meus comentários ao artigo do Gogó intitulado “O semi-árido mudou”, publicado na edição de 17/8/2010 do EcoDebate, que trata de assunto semelhante.

    O meu amigo Gogó faz algumas considerações importantes. De fato, os habitantes do semi-árido aprenderam a conviver com a seca após a ajuda governamental (o salário mínimo dos aposentados, o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar e o Bolsa Família).
    O grande problema é que o semi-árido não deve ficar eternamente na dependência de ações governamentais. O nordestino pode e deve prover sua própria subsistência. Algumas iniciativas como a apicultura e a criação de pequenos animais vêm sendo tomadas, mas esbarram num problema crucial: a falta de água.
    Como o Gogó disse, as cisternas captam água para beber, mas apenas para isso. Não são suficientes para uma atividade agrícola mais intensa e todas elas – incluindo a apicultura e a criação de pequenos animais – demandam consumo de água.
    O Gogó cita as obras do Atlas Nordeste como se fossem a salvação para o semi-árido. Ocorre que o Atlas Nordeste se preocupa exclusivamente com o abastecimento das sedes municipais com população superior a 5.000 habitantes. Por incrível que pareça, ainda há muitas sedes municipais populosas no semi-árido que sequer têm água potável encanada, que dirá água para consumo agrícola ou consumo industrial? Desenvolvimento sem água suficiente é balela.
    É verdade que já não existem as frentes de serviço e as grandes migrações, embora os saques e a morte dos animais em períodos de seca ainda sejam uma realidade (em recente pesquisa realizada no país, os habitantes do Nordeste, que abrange grande parte do semi-árido, foram os que demonstraram maior receio de saques).
    No entanto, a persistir a convivência com a falta de água crônica, o Nordeste jamais poderá seguir o ciclo de desenvolvimento que esperamos para o restante do país.
    Como disse o Prof. Manoel Bomfim Ribeiro no livro Toda a Verdade sobre a Transposição do Rio São Francisco (pag. 61), o semi-árido é uma ilha cercada de água doce por todos os lados. Resta fazer com que um pouco dessa água chegue ao semi-árido em quantidade suficiente para libertar seu povo do atraso secular em que vive. Ou será que esse povo está condenado a viver eternamente das benesses do governo, ontem nas frentes de trabalho e hoje dependendo do Bolsa Família?

    O Prof. Abner demonstra pessimismo em relação à transposição de águas do Rio São Francisco para reforçar as reservas de água do semi-árido nordestino, suponde que as obras ficarão inacabadas devido à necessidade de túneis. Não compartilho desse pessimismo. Se nós brasileiros conseguimos buscar petróleo no pré-sal, situado em regiões profundas do oceano, certamente conseguiremos concluir com sucesso mais essa obra de transposição de água entre bacias.

  4. Não entendo para que tanto túneis neste mal elaborado projeto, caro e polêmico. Se um dia vir a se implantar por que não fazer como Deus faz quando da evidência de chuvas na região nos primeiros 5 meses do ano, isto é, não se despeja água nas cabeceiras do riacho Santa Inês, Piancózinho e cabeceiras do rio Espinharas perenizando três importantes cursos d’água na qual a declividade se encarregaria de perenizar estes rios e riachos socializando o acesso da água de um número muito maior de pessoas e regiões. O polêmico e caro projeto atual passa perto das cabeceiras do riacho Santa Inês e vai despejar água lá na frente no Alto Piranhas o que em minha opinião encarece o projeto. No meu entendimento o projeto não foi bem elaborado. O rico em água RN no momento não necessita de transposição. As grandes empresas de fruticultura irrigada estão abandonando o Vale do Açu devido a duas cheias consecutivas onde houve grande perda de plantação de bananas. Há a barragem do Açu, Barragem do Umari, Barragem de Santa Cruz e o aqüífero Açu com grande potencial hídrico ainda muito pouco explorado. O Açude de Umari, em UPANEMA-RN, por exemplo, com capacidade para cerca de 300 milhões de métricos cúbicos só sangrou uma vez na cheia de 2008, por um só dia. Foi construído na época do governo de Fernando Henrique não estar servindo praticamente para nada. Serve apenas para dar de beber ao sol e refletir sua luminosidade e a luz das estrelas

  5. O artigo do Prof. João Abner está gerando uma polêmica enorme. Como meus comentários anteriores colocaram mais “lenha na fogueira”, penso que preciso atuar como bombeiro e jogar água na fervura.
    O Eugênio questiona a existência de túneis no projeto de transposição de águas do Rio São Francisco. Para respondê-lo, preciso fazer alguns comentários de natureza teórica.
    Ao se elevar água de um nível a outro, é necessário o uso de energia. Normalmente, a energia usada é a eletricidade, que tem um custo de oportunidade muito grande. No Projeto de Integração do São Francisco (PISF), a ultrapassagem dos divisores de água entre as bacias é feita, em duas situações, da seguinte forma: será criada uma estação elevatória (movida a energia elétrica) na base do divisor de águas. Do outro lado desse divisor, onde a água cai por gravidade, será feita uma pequena hidrelétrica, recuperando parte da eletricidade consumida.
    Nem sempre, no entanto, será economicamente viável essa solução. Em alguns casos, será feito um túnel ao longo do divisor de águas, evitando a criação de uma estação elevatória e de uma hidrelétrica.
    Quanto ao uso do nome de Deus numa obra de engenharia, penso que seja algo equivocado. Se consultarmos Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, vamos nos deparar com o simbolismo da expulsão do paraíso em que Deus teria dito ao primeiro homem que ele comeria o pão com o suor do seu rosto. Em outras palavras, ele não encontraria tudo pronto na Terra. Teria que trabalhar para prover o seu sustento. Nesse ponto, concordo com o Prof. João Abner. Os habitantes do semi-árido não podem depender quase exclusivamente do Bolsa Família.
    Continuando a comentar seu texto, lembro que a perenização de cursos de água no semi-árido, mesmo com o uso de represas, é algo muito problemático. Da forma como os reservatórios são operados hoje, não passam de simples acumuladores de água de chuva para serem usados durante o período de seca. E têm que guardar a água acumulada em cinco (às vezes quatro, às vezes três meses) para ser usada nos restantes meses do ano. Você pode imaginar que um grande consumidor dessa água é o próprio Sol. Está aí a razão por que muitos desses reservatórios não chegam a verter durante o período de chuva, pois o consumo de água durante o período seco é tão grande que a chuva do ano seguinte não é suficiente para encher o reservatório.
    O Projeto São Francisco visa a um melhor manejo desses reservatórios. Recebendo água constante do Rio São Francisco nos meses de estiagem, eles podem trabalhar com volumes bem menores, eliminando a “concorrência” do Sol.
    Quanto ao seu estado ser rico em água, eu penso que você esteja cometendo um engano. A Agência Nacional de Águas entende que o estado tem 25 mil km2 sobre bacias sedimentares e o restante sobre maciço cristalino, aí incluídas as áreas de elevado risco hídrico, em que se destaca a região do Seridó, onde são notórias as necessidades de abastecimento. A regularização desse curso de água está prevista somente para depois de concluído o eixo de integração do Seridó, que receberá água da represa de Oiticica, em construção, que aproveitará o potencial hídrico do Rio Piranhas-Açu, a ser reforçado com as águas da transposição.
    Gostaria de destacar que nós brasileiros não somos “calouros” em matéria de transposição. Já realizamos várias delas, com absoluto sucesso. Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Brasília são abastecidas por transposições. Você sabia, Eugênio, que no Brasil existe uma transposição de rio de uma bacia para outra? O Rio Piumhi, inicialmente pertencente à bacia do Rio Grande, afluente do Rio Paraná, foi transferido, com todos seus 22 afluentes, todos perenes, para a bacia do Rio São Francisco quando foi construída a Represa de Furnas.
    Você sabia que essa transposição que está em obras não é a primeira a se realizar no Rio São Francisco? A cidade de Aracaju, capital de Sergipe, é abastecida com transposição de águas da bacia do Rio São Francisco. O ex-governador João Alves diz que a dependência de Aracaju em relação à bacia do São Francisco é de 60% (Toda a Verdade sobre a Transposição do Rio São Francisco, pag. 27), mas o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe afirma que essa dependência já chega a 80%.
    Portanto, vamos torcer para que, essa transposição, como as outras já realizadas, também venha a ser um sucesso.

  6. Excelente explanação do Professor João Abner Guimarães Jr.com a singela e muito pertinente lembrança dos imortais versos de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.
    E cabe lembrar, também, que a transposição do Velho Chico também já foi realizada pelos governos militares, com todos os requintes da moderna engenharia, e as fazendas ‘irrigadas’ por canais estão abandonadas, justamente porque o custo de bombeamento (energia elétrica), além da evaporação pelo sol, inviabilizam qualquer cultura, por mais nobre que seja. É mais um pretexto, como Belo Monte e o Pré-Sal, para desviar bilhões dos cofres da união em obras que não são economicamente viáveis e nunca resultarão em benefícios para a população brasileira. Uma verdadeira herança maldita, como diria o réu-mor do processo do mensalão, atualmente tramitando no STF.

  7. A transposição do Velho Chico foi idealizada desde o governo de D. João VI, mas jamais foi realizada.

  8. Não entendo o que professores, economistas, sociólogos e intelectuais acham do governo Lula. Mas entendo o que o povo, principalmente a classe trabalhadora, que reconhece Lula como o pai dos Pobres. Mas o que eu falo não é o que acho, é o que vejo. Acompanho política desde o governo Sarney, tenhoboias lembranças dele, mas só no primeiro ano ou nos priemiros dias do Plano cruzado. Depois foi uma catástrofe. Desvalorização da moeda e dos salários, falta de alimentos nos supermercados, falta de leite, acucar, caré, trigo, quem viveu, sabe o que estou falando. Voce levava um saco de dienheiro para e comprava alguns produtos. Depois a inflação galopeou e chegou a níveis estratosféricos, o dineheiro mudou várias vezes de nome e cortaram-se tantos zeros, que perdi até a conta.
    No governo Collor, sem comentários, foi pior que o de Sareney, com uma problemática, que foi o das privatizações e com a compra do desemprego dos países ricos as custas do desemprego dos brasileiros. O governo Itamar foi uma continuidade do Collor, com um agravante, a Criação em laboratorio de FHC. Esse deu o tiro de misericordia no Brasil. Continuação do Governo COLLOR, Privatizações, arrocho salarial, entrega do patrimõnio público ao capital estrangeiro, e resultado: faça um exame de conciencia de como ficou sua conta de luz, de telefone e o gás de conzinha no governo dele. Foi governo recheado de Escandalos mas abafados por dinheiro tanto no congresso, por compra de votos do senado e do congresso, impedimento de qualquer CPI, proeção pelos grandes carteis da mídia Brasileira. Brasil falido, classe trabalhadora sem nenhuma expectativa de vida muito menos de emprego. Pequenas e médias empresas quebradas, desvalorização de moedas, se for falar tudo. esse depoimento fica extenso demais.
    Agora vejo o governo Lula, assumiu o governo com todas essas mazelas e ceuquelas deixadas por governo anteriores e a situação do Brasil, do povo brasileiro hoje é bem melhor do que todos os governos anteriores junto, tanto na educação, no emprego, no poder aquisitvo de compra, na oferta de produtos no comercio. Pra se ter uma idéia, quem ganha um salário mínimo hoje consegue comprar sua casa propria financiada pela CAIXA. Isso aconteceu noutro governo? Agora falando sério, o que existe nesses grandes intelectuais ao qual mencionei no início é uma grande dor de cotovelo. São pessoas que vivem em suas salas com ar condicionado e publicando e lendo babozeiras na internet. Meu povo, ande nas ruas, converse com o povo no corpo a corpo, e não com um mause de computador. Voces tem medo do Povo? Povo não é bandido, saiba separar o jorro do trigo.
    Agora pra finalizar, esse site ecodebate está mais pra ECODEMOS. Um abraço e áté numca mais.

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