Disruptores endócrinos remanescentes após tratamento de águas residuais podem feminizar peixes

[Por Henrique Cortez, para o EcoDebate] Estudo, apresentado durante a 92a reunião anual da Endocrine Society, neste domingo em San Diego, Califórnia, EUA, avaliou a performance da estação de tratamento em Boulder, Colorado, antes e depois de uma atualização de tecnologia para reduzir contaminantes químicos na água tratada.

Os disruptores endócrinos, mesmo em níveis considerados baixos, podem feminizar os peixes e, eventualmente, podem perturbar o sistema endócrino (hormonal) de animais e seres humanos. É o que afirma o pesquisador David Norris, PhD, professor de fisiologia integrativa da Universidade do Colorado em Boulder.

A pesquisa relatou que, em 2006, ocorria uma redução do nascimento de peixes machos em relação às fêmeas a jusante da estação de tratamento de águas residuais. Também havia a ocorrência desproporcionalmente alta de peixes hermafroditas. Depois de uma atualização tecnológica na unidade de tratamento de águas residuais, em 2008, a desproporção tornou-se menos acentuada.

No entanto, os pesquisadores alertam para o problema, que pode estar ocorrendo em larga escala. O pesquisador David Norris diz que “nossos corpos e os dos fetos estão sendo expostos, todos os dias, a uma variedade de produtos químicos que são capazes de modificar não só nossa fisiologia e o nosso desenvolvimento atual, mas nas gerações futuras também.”

Na pesquisa, encontraram outros desreguladores endócrinos, incluindo os esteroides sintéticos e naturais. Eles acreditam que os produtos químicos provenientes de hormônios femininos e pílulas anticoncepcionais, excretados através da urina, detergentes, cosméticos e outros produtos de consumo são a principal fonte desta contaminação química. A quantidade de estrógenos no efluente era suficiente para explicar os efeitos sobre no rio, abaixo da planta. Os pesquisadores não viram sinais de perturbação de reprodução dos peixes rio acima.

Após a atualização tecnológica da unidade de tratamento de águas residuais, em 2008, o efluente apresentou níveis consideravelmente menores de estrogênio e disruptores endócrinos.

Mas esta atualização tecnológica não é a regra para a maioria das estações de tratamento de águas residuais nos EUA e também no Brasil, o que é um indicativo dos riscos de longo prazo.

Por Henrique Cortez, do EcoDebate, 28/06/2010, com informações de Aaron Lohr, The Endocrine Society

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