O clube que disputou a Copa do Mundo, artigo de Montserrat Martins


[EcoDebate] O que poderiam ter em comum Érico Veríssimo, o ex-presidente Geisel e a ministra do STF Ellen Gracie ? O futebol tem esse poder de fazer com que pessoas muito diferentes entre si, até mesmo com personalidades antagônicas, tenham algum ponto em comum. Se olharmos para o comportamento como uma espécie de “ecologia humana”, podemos pensar no papel do esporte como um fator de agregação, apesar dos fanatismos que às vezes levam alguns a atos de violência. Mas mesmo esse tipo de distorções ocorre com frequência também em outras áreas, como na política, nos eventos sociais e até entre as diferentes religiões, mundo afora.


Há várias formas de entender os mesmos fenômenos, o futebol pode ser visto como uma grande diversão, uma competição cruel, algo fútil e mercenário, ou um fator de promoção da saúde e da coesão social. Se cair isso no vestibular, marque a opção “todas as alternativas acima estão corretas”, que inclui todos os lados de uma mesma questão, a relevância que os jogos assumiram na vida social.

Para muitos o mais importante é ser do “time que ganha”, ter a sensação psicológica de ser um “vencedor” por vestir a camiseta de quem ganhou o campeonato. Felizmente há uma “biodiversidade” humana que faz alguns torcerem pelos “mais fracos” ou simplesmente terem o “espírito esportivo” (ou “fairplay”) de priorizar outros valores, como a disputa limpa, ao invés da mera obssessão pela vitória.

Uma curiosidade futebolística é que justamente um time assim, que carrega a simpatia por ser um dos “mais fracos” em vitórias, é o único clube do mundo a ter disputado uma partida de Copa do Mundo, entre as seleções do planeta. Parece impossível ? Mas tem explicação. Na Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, houve jogos em Porto Alegre, no Estádio dos Eucaliptos. Na partida entre Suíça e México, as duas seleções vestiam uniformes vermelhos e a solução foi o Esporte Clube Cruzeiro, de Porto Alegre, emprestar suas camisetas listradas de azul e branco para o México jogar contra a Suíça. Ironia do destino, não é ? Um dos clubes mais humildes do país foi o que teve essa honra inédita, para orgulho de seus históricos torcedores, como o escritor Moacyr Scliar, ao lado dos citados no início desse texto – você não tinha imaginado o que eles poderiam ter em comum, não é verdade?

Montserrat Martins, Psiquiatra, é colunista do EcoDebate.

EcoDebate, 25/06/2010

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