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Artigo

Os ovos de ouro, artigo de Montserrat Martins

[EcoDebate] Sabe aquelas histórias de infância, bem fantasiosas, como a fábula de Esopo sobre a “galinha dos ovos de ouro” ? Elas não foram criadas só para as crianças, pelo menos um dos autores desse gênero, La Fontaine, acreditava que seriam a melhor forma de criar imagens capaz de produzir reflexões também nos adultos. Seguiu o estilo de Esopo, que falava da vaidade e ignorância humanas através dos animais, considerava que a fábula “é uma pintura na qual podemos encontrar nosso próprio retrato”.

Como se aplicaria a fábula dos ovos de ouro no nosso cotidiano? Podemos ver em empresas públicas e privadas funcionários que boicotam o próprio trabalho, mas também pessoas em cargos de liderança que com suas atitudes desqualificam ou desmotivam os seus empregados. Seja qual for a origem da discórdia, ou o que a perpetue, nesses conflitos internos todos perdem, pois se a empresa for mal estarão matando a “galinha dos ovos de ouro” que os sustenta.


Na sociedade como um todo, há uma questão mais complexa e de enorme relevância, nas relações entre as questões econômicas e as de preservação. Nossa riqueza depende das “matérias primas” e os ambientalistas são vistos como obstáculo a quem quer produzir mais. Quem está com a razão ? Existem conflitos sérios que merecem estudos de “caso a caso”, mas a própria metáfora dos “ovos de ouro” nos lembra que esses interesses não deviam ser vistos como antagônicos, porque estamos todos no “mesmo barco”, as consequências atingirão a todos. Sem produzir, empobrecemos. E sem cuidar do ambiente, a fartura não irá durar tanto.

Questionam-se leis de proteção às margens dos rios e encostas de morros, como entraves à produção agrícola em vários municípios. Mas a natureza tem suas próprias leis, que não podemos revogar (como a lei da gravidade) e os processos erosivos formam sedimentos que, chegando aos rios, provocam seu assoreamento – uma das causas de morte dos rios (pela redução de profundidade), ou de desvios de curso, ou mesmo de enchentes.

Vivemos no país um momento de elevada auto-estima com o aumento do PIB e projeções econômicas favoráveis, no cenário mundial, mas ainda não mensuramos os riscos do pré-sal, por exemplo, haja visto a tragédia do vazamento de 700 mil litros de óleo na costa americana. Pouco divulgadas ainda são alternativas promissoras, como as pesquisas e experiências da Engenharia Metalúrgica da UFRJ sobre o hidrogênio como combustível. Em junho comemoramos o Dia do Meio Ambiente e essa é mais uma ocasião para refletirmos sobre como preservarmos tanto nosso ambiente humano (nas relações de trabalho) quanto o ambiente físico, já que a natureza é a nossa “galinha dos ovos de ouro”.

Montserrat Martins, Psiquiatra, é articulista do EcoDebate.

EcoDebate, 11/06/2010

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