Limoeiro do Norte (CE): Mais um trabalhador é vítima da violência no campo

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Num clima de apreensão, moradores da comunidade Tomé, em Limoeiro do Norte (CE), celebram nesta terça-feira (27) a missa de sétimo dia do agricultor José Maria Filho, morto com 19 tiros numa região de conflito agrário. Zé Maria, como era conhecido, tinha 44 anos e era uma liderança conhecida na região por combater o agronegócio. A repressão aconteceu depois que empresários da região expropriaram um programa de irrigação voltado para a agricultura familiar.

Pastora Almeida, da articulação das pastorais sociais da Diocese de Limoeiro, acredita que há evidências de que o crime tenha sido cometido por motivação política e é mais um capítulo da onda de repressão que atinge os movimentos sociais.

“Todos os fatos indicam isso: a criminalização dos movimentos sociais. A gente sabe que onde há conflitos de terra, onde há a defesa dos direitos humanos no Brasil, uma das reações é o uso da arma de fogo contra as lideranças.”

Ainda segundo Almeida, Zé Maria participava de seminários e audiências públicas, denunciando a concentração da terra, a destruição dos recursos naturais e a falta de trabalho entre os trabalhadores rurais.

“A comunidade está encarando [a morte de Zé Maria] com muito receio, muito medo. É uma comunidade rural. As pessoas já são temerosas porque trabalham nessas empresas, dependem delas para sobreviver ao mesmo tempo em que sofrem os prejuízos que elas causam.”

A violência no campo tem chamado a atenção de entidades de defesa dos direitos humanos. Um relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra revela que, em 2009, 24 pessoas foram mortas e mais de 12 mil famílias foram despejadas.

Reportagem de Jorge Américo, da Radioagência NP, publicada pelo EcoDebate, 28/04/2010

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