Tecnógeno, artigo de Roberto Naime

“É DESTINO HABITUAL NOVAS VERDADES COMEÇAREM COMO HERESIAS E TERMINAREM COMO SUPERSTIÇÕES”. T. H. Huxley (1860)

[EcoDebate] O geólogo russo Ter Stepaniam, num boletim do IAEG (International Applied Engineering Geologists) em 1988, propôs que o período geológico atual, denominado holocênico, fosse conhecido por Tecnógeno.

E o que significa tecnógeno? Uma fase da vida da humanidade sobre a terra, onde a ação humana (antropogênica ou de engenharia) é hegemônica sobre as ações geológicas, químicas e biológicas.

O tecnógeno é então uma ciência voltada para o futuro, preocupada em acompanhar as mudanças ambientais e risco naturais devido à lenta ação de fatores imperceptíveis, que são gerados pela atividade tecnogênica do homem.

Guarda implícito o conceito de que a resiliência dos meios naturais foi ultrapassada. Ou traduzindo, que a capacidade de auto-recuperação dos ecossistemas e dos sistemas em geral, não consegue mais agir para voltar ao estado anterior a um impacto ambiental sozinha. Precisa da ajuda do próprio homem que gerou o impacto ambiental.

Fazendo uma analogia com uma borrachinha de dinheiro usada pelos bancos, podemos entender assim: a gente espicha a borrachinha e enquanto ela não rebenta e volta ao normal quando a gente pára de espichar, a resiliência não foi ultrapassada. Quando a borrachinha rebenta, quer dizer que a resiliência ou capacidade de auto-regeneração do sistema foi ultrapassada.

Já fazem quase 20 anos que o autor Ter Stepaniam fez a proposta original. E de lá para cá as condições ambientais do planeta se tornaram muito mais deterioradas. Ninguém mais contesta que as situações ambientais estão se tornando mais complexas, mais delicadas e influenciando cada vez mais a qualidade de vida para as pessoas na terra.

A agenda 21 brasileira – bases para discussão, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente, discute desafios em vários setores relevantes da gestão de recursos naturais do país e de sustentabilidade em setores fundamentais.

A sustentabilidade é definida como um planejamento do desenvolvimento que promova o uso racional dos recursos naturais, com a justa repartição dos benefícios alcançados.

Este documento se junta a outras normas legais que consagram no país o sistema de unidades de conservação, mais característico dos Estados Unidos, com o sistema de licenciamento ambiental, cujo maior desenvolvimento e aplicação ocorre na Europa.

Portanto a aceitação cada vez maior no meio acadêmico do conceito de tecnógeno traz como conseqüência principal o consenso de que atualmente as relações dos processos antropogênicos, ou seja gerados pelo homem (ou de engenharia, neste sentido, como estradas, pontes, barragens, lavouras, indústrias, esgotos e resíduos sólidos) naturais e induzidos são os processos dominantes no tecnógeno.

Estes processos ultrapassam a capacidade da natureza se recuperar sozinha, impondo a necessidade da própria intervenção humana para auxiliar a recuperação da natureza e a manutenção do equilíbrio que é fundamental para a qualidade de vida do próprio homem na terra.

Roberto Naime, Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS, é articulista do EcoDebate.

EcoDebate, 13/04/2010

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