Na Amazônia tem cidade, artigo de Igor Ricardo Castro de Souza

[EcoDebate] Uma cidade. Como ferida no meio de uma imensidão verde. Pedaço de terra dando contraste com seu concreto cinza. O barulho é intenso. Como o vai e vem de pessoas. É hora pra isso. Hora pra aquilo. Luzes a todo o momento a sinalizar se pode ou não ir e vir.

Madeira pra muitos é móvel. Madeira para mim é vida. Um mundo de contraste, que junta o verde de nossa floresta com o cinza do concreto dos prédios. Eles parecem que tomam conta de grande parte desta terra.

A Amazônia tem cidade. Algumas pessoas já conhecem, outras ainda não admitem. Cidade grande, povo alegre e tão satisfeito em ser nortista. Ser da Amazônia. Ser da floresta. Tem o Ver-O-Peso, a Estação das Docas e o Círio de Nazaré. E ainda as nossas ruas repletas de mangueiras. Água por todo canto. Além de uma infinidade de seres fantásticos (Matinta Pereira, Mapinguari e o Curupira, entre tantos). E uma chuva cotidiana no meio da tarde. Isso é Belém, isso é Pará.

Tecnologia vem pra ajudar. A floresta pra sustentar. Derrubar tornou-se meio de vida. E, bem generoso. Diga-se de passagem. As coisas vão mudando. O bolso serve como guia. Esqueceram da floresta? Cidade grande agora é tão grande que os prédios escondem nosso verde. Os nossos bosques têm mais vida? Bosque? Que bosque? Nosso povo não enxerga mais verde.

Vão destruir o Ver-O-Peso, pra construir um shopping Center… O verso é da banda Mosaico de Ravena. Uma música pode nos passar a dor de estarmos perdendo nossa identidade. Agora é só cidade. Lembrem-se Amazônia tem floresta. Amazônia tem vida. Agora é só hambúrguer…cadê o guaraná?

O bom açaí com peixe frito, onde anda? Ainda encontramos, mas se os vê é porque ainda não evoluímos. Como assim? Evoluir é esquecer da cultura? Esquecer dos nossos costumes? Evoluir e crescer junto com nossa cultura e valorizar o que é da terra. Isso sim tem o significado de evolução.

No início do texto queria tratar de que na Amazônia tem cidade. Pessoas de outras paragens não percebem nossa terra como “cidade”. A enxergam como floresta e água. Sem gentes. Ia chamar esse texto de ”Na Amazônia tem cidade”.

Mas, ao avaliar todo esse contexto, faz-se necessário conhecer e valorizar o que tem relação com o nosso vasto mundo. E não somente reproduzir outras culturas. É urgente refletir, antes de tentar vender a idéia de Amazônia como um paraíso turístico. Ou o que o valha. A Amazônia é o mundo do futuro? O que fazer para garantir uma sociedade evoluída e justa?

Igor Ricardo Castro de Souza é aluno do 7º período de Publicidade e Propaganda, da Universidade da Amazônia (UNAMA), Belém/PA.

* Colaboração de Rogério Almeida, Blog FURO, para o EcoDebate, 12/04/2010

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