A arte de dizer Não na urna, artigo de Américo Canhoto

[EcoDebate] O destino de todos está nas mãos que aperta botões e no cérebro de cada um; que escolhe…

A depressão é uma praga que se alastra rapidamente – vitaminada pelo desaparecer de crenças infrutíferas; esperanças vãs; desejos inúteis; fé sem sustentação da inteligência.

Nossos velhos valores transitórios e fúteis estão indo por água abaixo – apenas alguns interesseiros teimam em sobreviver…

Quando a vida começa a perder o sentido; quando permitimos que o desalento e a tristeza, tome conta de nossas vidas; nós estamos nos tornando zumbis; mortos-vivos – muitas pessoas já estão mortas há algum tempo; apenas ainda não foram enterradas.

Há algumas gerações entramos como sociedade hibernante numa espécie de depressão na arte de fazer política; boa parte dos que tinham a obrigação de fazer a diferença; estão viciados em conformismo ou preocupados apenas em defender seus interesses – ou bem ou mal estavam capacitados; porém não moveram uma palha no sentido de gerar discussões saudáveis, seguidas de atitudes que conduzissem a nação a um estado de paz e progresso com uma visão estendida em direção ao futuro.

O processo não é de hoje, apenas; a postura da omissão de mornos requentados já está no DNA; pois, algumas gerações adotaram a política do salve-se quem puder em busca dos benefícios próprios, familiares e corporativos; éticos ou não, para boa parte; isso não importa. Na nossa visão tacanha queremos deixar o melhor para nossos filhos; mas estamos condenando as futuras gerações a embates sociais tão inúteis quanto desnecessários; quando a busca deveria ser conquistar cada vez mais justiça social para que se viva em paz.

Fato consumado?

Conforme o esperado pela qualidade dos políticos atuais; os parlamentares da Câmara dos Deputados em defesa dos próprios interesses jogaram a votação do projeto de lei “Mãos Limpas” de base popular para sabe lá deus quando – os parlamentares de cinco partidos da base governista se recusaram a assinar o pedido de urgência; porém eles assinaram o pedido de urgência para a Lei da Mordaça; que visa engessar o Ministério Público – Lamentável, e vergonhoso; pois uma das esperanças de melhores e mais justos dias para a Nação estava exatamente nesta “nova geração” de promotores, delegados da Polícia Federal e colaboradores de outras áreas correlatas; que nos últimos anos vêm desenvolvendo um trabalho digno de nota e esperançoso. Vale sempre lembrar que, onde não há justiça bem aplicada; não pode haver nem paz; muito menos fraternidade e progresso.

Quanto á Lei da Mordaça, se nós, enquanto sociedade organizada a deixarmos passar – estaremos sendo mais do que omissos; estaremos sendo cruéis com relação a esses profissionais que apenas ousam cumprir suas atribuições; triste a sociedade onde as pessoas de caráter sejam impedidas de executar suas tarefas pela inércia dos próprios interessados – salta aos olhos que essa lei fere a Constituição nos seus mais básicos princípios – e se ela for aprovada depois não adianta chorar o prejuízo social. Fica a pergunta: Como educar nossas crianças com princípios éticos básicos – se o mau exemplo vem de cima?

Quanto ao projeto de lei Ficha Limpa, fora a decepção e a vergonha de ser refém de pessoas que infringem os princípios da Carta Magna e criam novas para seu bem estar – ao menos resta o consolo de ainda ficar a oportunidade de promover uma faxina através do voto.

Será que vai dar certo? Possível; até que é; mas entre nós, será complicado; pois, os últimos governos maquiaram o problema da erradicação do analfabetismo; o número de analfabetos funcionais é muito grande; e as pessoas menos informadas e menos capacitadas a um raciocínio crítico; tornam-se com mais facilidade gado marcado de currais eleitorais.

Claro que a própria forma como surgiu o projeto de lei já é uma vitória no exercício da cidadania; mas tudo vai depender dos eleitores cansados de bandidagem que assinaram a petição de continuarem a promover o movimento; e até atraindo mais adeptos.

Um dos problemas é na hora de votar:

Marcar um xis – rabiscar o próprio nome – escolher o de um candidato – tudo isso, são apenas palavras; meros símbolos gráficos ou sonoros – são chaves ou fechaduras que nos aprisionam ou libertam…

Além disso; nós não aprendemos a usar com inteligência o conceito: NÃO!

Descuidamos de aprender o poder de usarmos de forma correta as palavras: esses pequenos arranjos de letras que podem mudar o rumo de muitas vidas.

A forma com que nos comunicamos representa uma atitude: uma maneira de estar e de votar no mundo.

E que pode fazer a diferença entre ser feliz e realizado ou não; sadio ou doente; companhia desejada ou não – votar certo ou criar empecilhos á paz e progresso de uma nação depende da qualidade pessoal de cada um atrelada ao todo – O fermento que leveda a massa é obrigação de cada cidadão que já está engajado a viver num país mais justo e progressista.

Mas; basta não votar nos candidatos que provaram ao longo do tempo não serem pessoas confiáveis? – Claro que não; é preciso escolher com cuidado; analisando capacidades e currículos.

Como disse o grande Avatar: “A árvore se conhece pelos frutos” – Votar com consciência é analisar o perfil de cada um; e não; se é simpático; feio ou bonito – pois, a qualidade de vida de todos nós está em jogo; bem como nosso futuro.

A arte da comunicação se aprende dentro de cada um de nós; e com tudo os que nos rodeia.

Quando ouvimos o termo comunicação logo nos vem á mente a imagem da TV; das ondas de rádio; de duas pessoas conversando; esquecemos da principal forma de comunicação que é a interna: nosso corpo mental se comunicando com o emocional, o astral e o organismo físico.

O que eu quero para mim?
Céu ou inferno?
Depende do botão de sintonia?

A comunicação externa: também implica em qualidade de vida de forma intensa; pois, somos seres interativos e interdependentes em múltiplos sentidos.
A qualidade de vida de nossa sociedade e a sua integridade futura que vem da educação baseada em valores, hoje, depende muito dos profissionais de mídia de ação rápida. Como todos nós; os ícones da mídia estão devendo, quando se trata de engajar-se. Mas, como dizer a um cantor ou grupo que não participe de showmícios de políticos listados como exterminadores do futuro ou réus de processos em andamento? – O que dizer a um comentarista político de engajar-se na defesa da integridade; se o seu emprego pode estar em jogo?

– Mas, como diz a garotada de hoje: “ema, ema, ema; cada um co seus probrema” – definir nossa postura neste mundo; escrever nossa história como seres em evolução é problema de cada um; claro que temos a obrigação de nos ajudarmos e somar. O que importa é que cada um defina quem é; o que veio fazer aqui…

Lembram daquele adágio conformista: Se correr o bicho pega – se ficar o bicho come. Á primeira vista parece que as chances são nulas; mas, há uma saída simples e inteligente para eleitores com um mínimo de consciência: Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come – mas, se juntar o bicho foge.

Na comunicação interna o uso da palavra “não” deve ser bem fiscalizado; pois estamos acostumados a dizer o que queremos evitar; quando devemos dizer o que pretendemos atingir; o termo “não” nesse caso é limitante; diminui perspectivas, fecha portas; atrapalha realizações.

Quando se trata de usarmos a palavra “não” em nossa vida de relações, o maior problema é o sentido de negação que carrega consigo valores afetivos impostos pelo sistema de crenças da educação tradicional: Se me é permitido; sinto-me amado; mas se; é negado não sou querido.

Quanto ao nosso futuro de relações políticas e sociais:

O uso correto da palavra, não, pode significar; basta; chega – Não voto mais em você!
No sentido eleitoral, ao não, votarmos em candidatos suspeitos; e nem é preciso que estejam condenados; pois, conhecendo como ainda funciona nossa justiça e sua aplicação; até que isso ocorra; eles já deletaram esperanças de incontáveis jovens; mataram sonhos de milhares de pessoas.

Neste pequeno bate papo amigo, analisamos alguns aspectos da dificuldade no uso da palavra: “não”; tanto em sua forma de comunicação verbal; quanto naquela “não dita” e que se expressa na energia liberada por pensamentos, sentimentos e atitudes.

No caso do “não voto”:

NÃO VOTO MAIS EM VOCÊ!

Qual a importância de dissecar uma palavra tão pequena constituída de três letras e um til? Muito mais do que podemos imaginar de pronto para nossa qualidade de vida atual e futura.

O “não” é uma chave e fechadura ao mesmo tempo.

A sua influência na qualidade de vida das pessoas é marcante. Por exemplo: com certeza o amigo já se sentiu injustiçado e até usado; cansado de tanto carregar fardos e desenvolver tarefas que pertencem a outras pessoas; seja na vida em família, na sociedade e no trabalho; apenas por que não aprendeu a dizer a palavra mágica: Não! De certa forma todos nós temos alguma dificuldade em usarmos o “não” dito, em hora certa, com clareza, simplicidade e coragem.
Quantas vezes ao dia pensamos ou dizemos: Chega! Basta! Não suporto mais! Estou no fim! Ninguém me ama! Ninguém me valoriza! De que adiantou tanto esforço e dedicação! – Mas, logo que nós somos solicitados numa nova situação; dizemos sim quando o desejo era um: não!

Cansou? – Então, vamos brincar de aprender juntos a usarmos de forma: clara, simples e inteligente a palavra mágica “Não”! – na arte da vida; na arte da política.

Mas, a arte da comunicação é tudo – ninguém tem bola de cristal para adivinhar nossas intenções.

Voto secreto é covardia.

Muitas foram as circunstâncias culturais que levaram o cidadão eleitor a tentar ficar em cima do muro quanto ás suas convicções políticas:
– Cultura do levar vantagem em tudo – daí, muitos esperam os resultados das pesquisas para votar no possível ganhador. Baseado no mesmo lema; muitos votam apenas para satisfazer possíveis interesses pessoais, familiares e grupais; embasados em promessas de campanha.
– Não temos partidos políticos com ideologia e metas – tudo sempre corre ao sabor dos interesses de momento dos donos do poder.
– Medo de retaliações e perseguições – em alguns lugares onde os currais eleitorais são mais limitantes da liberdade; há risco de vida para o gado do curral concorrente.

Apenas a “Educação Política” desde tenra idade vai formar eleitores e cidadãos corajosos que assumem suas convicções e posturas; mas, para isso, é preciso que confiem nas instituições que lhes possam garantir um mínimo de liberdade e de decência em viver com dignidade suas crenças e esperanças; para que não sejam amordaçados pela covardia própria ou pela falta de segurança e de perspectivas democráticas.

Não tem importância que ainda não será desta vez que vamos eleger os melhores – Não tem importância…

Apenas não anulemos nossos votos escondidos no anonimato de uma cabine; covardemente – quem tiver coragem que o faça em público; afinal a democracia faculta que todos se manifestem livremente desde que não afrontem as leis vigentes…

Não vote em branco para não aumentar o número de medíocres representantes da sociedade tanto quanto você.

É precoce a mea-culpa pré-eleitoral?

Espero que não seja apenas minha; mas, de muitos – embora a eleição já esteja praticamente definida há alguns meses – a comida para alimentar o gado já está pronta há muito tempo nos currais eleitorais (pão e circo) – esperamos apenas que alguns pulem a cerca; especialmente os ainda novilhos.
Mas, para isso é preciso motivá-los a não votar em cacarecos e outros votos de protesto e acima de tudo mostrar-lhes que na Justiça Natural nenhuma Lei de Mordaça funciona – inclusive eleitores desavisados e interesseiros são enquadrados aqui e no além na formação de quadrilha cósmica ao votar em candidatos com pedigree desabonador.

Copiando os “realiti shou” dos “big broder” da vida; talvez seja o momento; ou tenha passado da hora de colocar os políticos profissionais no “paredão” – mas para manter a dignidade e continuar no jogo, é preciso dizer por que não voto em você – por que quero que você não entre ou até saia da Casa legislativa ou do Executivo.

INFELIZES OS QUE QUEREM CONTINUAR A SOBREVIVER – QUANDO O MOMENTO NOS PEDE VIVER.

Américo Canhoto: Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Usa a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.

* Colaboração de Américo Canhoto para o EcoDebate, 12/04/2010

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2 comentários em “A arte de dizer Não na urna, artigo de Américo Canhoto

  1. Texto impressionantemente sério, lúcido, verdadeiro, capaz de levar à meditação.
    Todos os cidadãos comprmetidos com a pátria haveremos de exercitar o voto com sabedoria, independência e civismo. parabéns

Comentários encerrados.

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