Chuva e Haiti, artigo de Benedicto Ismael C. Dutra

[Ecodebate] Chuva, muita chuva. O Pacífico e o Atlântico se aquecem e as nuvens avançam para o continente, levando muita água para os campos e cidades. As regiões mais baixas inundam, mostrando a precariedade em que as cidades cresceram. Há muito a fazer.Notável a atuação de moradores num bairro de São Paulo, que tomaram a iniciativa de desobstruir as passagens de água entupidas pelo lixo. Somos todos responsáveis e temos de encontrar os meios para melhorar as nossas condições devida.

Está havendo um acirrado debate sobre a liberdade de imprensa. No entanto, a imprensa livre é um dos mais importantes sustentáculos da democracia, embora algumas vezes, ao explorar o mundo “cão”, ela extrapole, fomentando o descontentamento e a desesperança sem, no entanto, provocar programas sérios de melhoria geral. Basta ficar apontando culpados. As enchentes têm sido prato cheio do sensacionalismo, mas ao longo dos últimos anos, pouco se fez no sentido de educar as populações e exigir das autoridades um planejamento digno para o crescimento das cidades e a ocupação do solo.

Temos apenas uma Terra e dela devemos cuidar. Só aqui existem as necessárias condições para a vida humana. Não adianta ficar imaginando que, com muito dinheiro, poderíamos fugir para outro planeta. Por isso, cuidar da Terra deve ser a nossa prioridade, mesmo que tenhamos que modificar muitos usos e costumes inadequados para esta época de restrições criadas pela desconsideração às leis da natureza que sustentam a vida.

Quanto ao Haiti, o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade deu um tom original: “Temos que lhes oferecer a chance de vir para a África. Eles têm tanto direito à África quanto eu”, disse ele.

Olha aí uma idéia bem original e com muita profundidade. A atual situação de penúria do povo do Haiti é uma consequência de erros do passado. As nações se mobilizam para prestar ajuda humanitária. No entanto, além de obter a melhora das condições materiais, as novas gerações precisam querer ardentemente alcançar a melhora geral, como seres humanos de valor que buscam a evolução integral, então apenas o atendimento das necessidades básicas, para que resgatem o eu interior e a sua individualidade.

Os escombros do Haiti representam um chamado de alerta para a humanidade despreocupada com o significado da vida, e acomodada nas benesses do sistema financeiro global em vias de ruptura anunciada. A África também precisa da ajuda dos países desenvolvidos, como resgate daqueles erros.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, articulista colaborador de importantes jornais de São Paulo e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Atualmente, é um dos coordenadores do www.library.com.br, site sem fins lucrativos, e autor dos livros Encontro com o Homem Sábio , Reencontro com o Homem Sábio, A Trajetória do Ser Humano na Terra e Nola – o manuscrito que abalou o mundo, editados pela Editora Nobel com o selo Marco Zero. E-mail: bidutra{at}attglobal.net

EcoDebate, 11/03/2010

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