Nada é mais forte (que uma idéia cujo tempo chegou), artigo de Montserrat Martins

[EcoDebate] Levei meu filho para conhecer as árvores centenárias da Vila Mimosa, em Canoas, área de Mata Atlântica com espécies ameaçadas de extinção, inclusive o Pau-Brasil. Uma liminar que protegia a área foi suspensa e as máquinas de uma construtora começaram a “limpar” o terreno, desfigurando o ambiente, embora as árvores centenárias ainda estejam de pé.

Não é preciso ser biólogo para compreender que a construção de prédios em meio àquelas árvores significa a destruição daquele ‘habitat’ com 38 espécies de árvores nativas e 16 de aves, muitas destas também ameaçadas de extinção porque aquele era seu local de repouso no corredor até o Delta do Jacuí. Também não é preciso ser ambientalista para entender a perda da qualidade de vida na Região Metropolitana, por devastações destas. As enchentes urbanas, por exemplo, também tem a ver com a diminuição dos locais para infiltração das águas, pela substituição das áreas naturais por concreto e asfalto. Assim como alterações do clima da região, decorrentes dos mesmos fatores.

Dizem que nada é mais poderoso que o dinheiro e por isso a destruição é inevitável. Mas diziam isso da escravidão e do colonialismo há pouco mais de um século e até a metade do século XX era moda matar índios nos filmes de faroeste, época em que nem se falava em preservar nada. Hoje, felizmente, são filmes como Avatar que nos envolvem mais – com ambientes, a propósito, que só existem em alguns locais como a Vila Mimosa.

Se hoje ainda prevalecem formas predatórias de ganhar dinheiro, está na hora de avançarmos para outro modelo de civilização que inclua a consciência do valor inestimável de alguns tesouros ambientais para nossas próprias vidas. A ponto de que uma construtora que adquira uma área daquelas pense em investir nela como um Jardim Botânico e promover o ecoturismo. Mesmo como negócio, destruir regiões de Mata Atlântica é como “matar a galinha dos ovos de ouro” que nos sustenta. E a história da humanidade está repleta de lições de evolução em que podemos aprender que, como já disse Vitor Hugo e Marina tem repetido, “nada é mais forte que uma idéia cujo tempo chegou”.

Montserrat Martins, Psiquiatra, é colaborador e articulista do Ecodebate.

EcoDebate, 05/03/2010

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