Centro de Pesquisa do Pantanal alerta para a importância das áreas úmidas na manutenção do clima global

Pantanal. Foto: Embrapa
Pantanal. Foto: Embrapa

Dia Mundial das Áreas Úmidas é comemorado em 2 de fevereiro

Neste ano, a preservação das áreas úmidas como uma resposta para as mudanças climáticas globais é o tema do Dia Mundial das Áreas Úmidas, que será comemorado em 2 de fevereiro. A data marca o aniversário da Convenção de Ramsar, acordo firmado em 1971, no Irã, para promover a proteção e o uso sustentável destes biomas.

No entanto, quase 40 anos depois, o próprio significado do que é uma área úmida permanece desconhecido para a maioria das pessoas. “Estes ecossistemas são áreas de transição, que permanecem uma parte do tempo alagados e outra parte, secos. Como é o caso do Pantanal Mato-grossense, a maior planície alagável continental do mundo”, explica o professor Paulo Teixeira de Sousa Jr., do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP).

Manguezais, brejos, charcos, veredas e as margens dos rios são outros exemplos de áreas úmidas. Cada um tem papel importante no equilíbrio ambiental das regiões em que se localizam. Em grandes cidades como São Paulo, a drenagem e o aterramento destes locais acaba piorando a situação das enchentes. “Em condições naturais, as áreas úmidas funcionam como esponjas que absorvem a água e controlam sua redistribuição. A ocupação desordenada acaba com essa proteção”, conta o pesquisador.

Esta não é a única proteção natural que as áreas úmidas oferecem contra os impactos das mudanças climáticas. Locais que possuem áreas úmidas preservadas sofrem menos com as secas, pois elas ajudam a regular o clima e, graças a esse “efeito esponja”, também purificam a água, cuidando para que seja redistribuída livre de impurezas no lençol freático.

“As áreas úmidas estão em todos os lugares e sua dinâmica ajuda a garantir o acesso a água limpa, que serve tanto para consumo quanto para a produção de alimentos. Proteger o Pantanal, por exemplo, significa proteger também as Veredas, áreas úmidas que ficam no Cerrado, na região do Planalto. Pois é nelas que nascem os rios que formam o Pantanal”, explica a pesquisadora do CPP, Cátia Nunes.

As áreas úmidas também têm valor inestimável para a produção de alimentos, remédios e a manutenção da biodiversidade. Os manguezais, por exemplo, são considerados o berço da vida no mar, pois ali crescem os meios de subsistência básicos para a cadeia alimentar marinha.

Seu papel na proteção da vida humana também é relevante. Estas florestas costeiras formam uma barreira natural contra tempestades, furacões e marés. Inclusive, os especialistas são unânimes em afirmar que em algumas áreas os impactos do tsunami de 2004 na costa asiática foram piores justamente porque suas áreas úmidas não foram preservadas.

Em países como França e Estados Unidos, a destruição das áreas úmidas teve um preço alto, cobrado na forma de grandes enchentes no país europeu e na escassez de água potável em várias partes da América. No Brasil, cientistas e ambientalistas buscam proteger esses patrimônios naturais para evitar novas tragédias.

Além dos projetos de pesquisa que gerencia no Pantanal, o Centro de Pesquisa do Pantanal trabalha para que seja implantado no país o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas.

“Será uma vitória para nossos profissionais. Até pouco tempo atrás nem havia esse conceito no país. Os pesquisadores estudavam o bioma em apenas uma das fases: seca ou alagada. Hoje, conseguimos ver essas áreas em sua totalidade, mas o nosso conhecimento ainda é muito pequeno. O instituto vai fomentar trabalhos que preencham essa lacuna”, adianta o professor Wolfgang Junk, que estuda o Pantanal há mais de 40 anos e é um dos líderes do projeto.

Para Paulo Teixeira, destacar a relação entre mudanças climáticas e áreas úmidas é uma forma de colocar o assunto dentro da realidade de todas as pessoas e atrair mais atenção para o tema. “Os estudiosos já perceberam importância de se preservar esses ecossistemas. Agora, é a hora dessa mobilização atingir as populações como um todo”, conclui o pesquisador.

Informe do Centro de Pesquisa do Pantanal, CPP, publicado pelo EcoDebate, 01/02/2010

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