COP 15: EUA descartam aderir a Kyoto-Impasse entre as nações desenvolvidas marcou o terceiro dia da Conferência do Clima

COP 15

Os impasses entre as nações ricas tornaram-se públicos ontem, no terceiro dia da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15), em Copenhague. De um lado, a União Europeia condicionava sua presença no acordo que entrará em vigor após o fim do Protocolo de Kyoto, em 2013, à entrada dos Estados Unidos, Japão e de outros países industrializados.

Em resposta, Todd Stern, assessor para assuntos climáticos da Casa Branca, descartou a hipótese de que os termos de Kyoto sirvam de base para um novo protocolo, com a participação dos EUA. Stern admitiu que elementos do atual acordo, como o mercado de carbono, podem ser aceitos. Mas nada além disso. “Se estamos falando em pôr outro nome no Protocolo de Kyoto, não vamos aceitar.” Andrei Netto e Afra Balazina, no O Estado de S. Paulo.

Stern também afirmou que os Estados Unidos não transferirão recursos para a China, o maior emergente. “Não vejo nenhuma chance de recursos públicos dos Estados Unidos irem para a China. Isso não irá acontecer”, disse Stern. “Queremos direcionar os nossos dólares públicos para os países mais pobres. A China tem uma economia dinâmica, está sentada em uma reserva de US$ 2 bilhões. Não creio que seja a primeira candidata para receber recursos públicos.”

Em público, Anders Turesson, negociador-chefe da Suécia, país que preside a UE, não descartou que o bloco abandone o Protocolo de Kyoto em favor de outro acordo climático, ainda inexistente. “O essencial é manter o sistema de Kyoto, sua arquitetura”, argumentou.

Minutos depois, na mesma sala, Todd Stern – principal assessor do presidente americano Barack Obama para assuntos climáticos – foi taxativo: “Não vamos fazer parte do Protocolo de Kyoto. Essa proposta não está sobre a mesa”.

Stern também demonstrou intransigência sobre a transferência de recursos para nações em desenvolvimento, prevista por Kyoto. Na segunda-feira, o Estado revelou que a UE lidera o grupo dos países que quer vetar dinheiro para emergentes, como Brasil, China, Índia e África do Sul. Questionado sobre até que ponto os EUA estão dispostos a repassar recursos para os fundos de Adaptação e Mitigação – que financiariam ações de redução de emissões de CO2 em países em desenvolvimento –, Stern afirmou que está disposto a aceitar o financiamento de curto prazo, válido até 2013 e estimado em US$ 10 bilhões. Mas apenas para os países mais pobres. Ele não fez referências a compromissos de médio prazo, até 2020.

Nos bastidores, europeus e latino-americanos dizem não acreditar em um acordo financeiro – a rigor, o mais importante tema de Copenhague. Criador de um mecanismo de financiamento baseado no mercado de carbono, Leif K. Ervik, da Noruega, afirmou: “A chance de um compromisso que inclua recursos públicos por parte de países ricos é zero.”

Apreensão
A polícia da Dinamarca apreendeu ontem um arsenal de bombas de tinta, escudos e outros itens que supostamente seriam usados em atos violentas durante a conferência. Ninguém foi preso.

EcoDebate, 11/12/2009

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