Em audiência na Câmara pesquisadores da Embrapa apontam propostas para áreas degradadas

Pasto degradado, em foto de arquivo
Pasto degradado, em foto de arquivo

A audiência para debater o tema foi promovida pela comissão especial que analisa propostas de alteração do Código Florestal (Lei 4.771/65). A comissão também analisa a revogação desse código e sua substituição por um Código Ambiental.

O pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, de Campinas (SP), Eduardo Delgado Assad apresentou nesta terça-feira, durante audiência pública, sugestões para reverter a situação de áreas degradadas. Essas sugestões, a seu ser, vão transformá-las de áreas emissoras em sequestradoras de carbono.

Entre as propostas, estão o incentivo à recuperação de pastos degradados; o incentivo à integração da lavoura/agropecuária, para evitar o aumento da área devastada; e o fortalecimento e a ampliação do uso do plantio direto (semeadura de planta sem o preparo do solo).

Assad ressaltou que o Brasil tem 27 milhões de hectares que usam o plantio direto. Com esse tipo de plantio, observou, o carbono é retido no solo; já quando se faz aragem, joga-se carbono na atmosfera. Segundo Assad, o solo é considerado o maior fixador de carbono.

Aumento da temperatura
O pesquisador da Embrapa afirmou ainda que a temperatura tem subido mais no Brasil do que em outros países devido ao desmatamento. Ele explicou que temperaturas mais altas estão se deslocando para o sul de Minas Gerais. E, no oeste de São Paulo, os produtores já estão enfrentando dificuldades na plantação de café.

Assad alertou que, com o aumento da temperatura, a tendência até 2070 é que o País perca 40% do plantio de soja e 33% do plantio de café arábico. No entanto, afirmou o pesquisador, a Embrapa estuda a adaptação do milho e da soja, por meio do melhoramento genético, para tolerar mudanças climáticas e evitar a perda de produção.

Produção x preservação
Para o pesquisador da Embrapa Florestas, de Colombo (PR), Gustavo Ribas Cursio os sistemas de preservação (APPs) devem harmonizar-se com os de produção. Mas, é preciso respeitar, no seu entendimento, as declividades às margens dos rios. Nesses casos, explicou, quanto maior for a declividade nas margens dos rios, maior deverá ser o sistema de preservação dessas áreas.

O relator da comissão, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ressaltou que as soluções apresentadas pela Embrapa são avançadas, mas não conseguem preencher todas as lacunas da agricultura e da pecuária do Brasil. Na sua avaliação, apenas uma parcela do produtor rural seria beneficiada pela proposta, enquanto outra ficaria em situação difícil.

O relator solicitou que a Embrapa envie à comissão sua opinião sobre temas como reserva legal e qual o tamanho da área para atividades agrícola e pastoril na Amazônia legal. Essas informações, de acordo com Rebelo, são importantes para os debates.

Reportagem de Oscar Telles/SR, da Agência Câmara, publicada pelo EcoDebate, 12/11/2009

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