Preservação dos recifes de coral: Afinal, natureza é fundamental! artigo de Carol Salsa

Recifes de Coral
Recifes de Coral. Foto WWF

[EcoDebate] Os recifes de coral são formações milenares feitas do carbonato de cálcio produzido por pequenos animais de corpo mole, chamados “pólipos”. Eles constroem uma espécie de carapaça calcárea onde se aloja formando junto a outros bilhões de pólipos as chamadas colônias que comporão a estrutura calcárea do recife.

Das 350 espécies de corais existentes no mundo, 18 delas encontram-se no Brasil, sendo que oito delas só existem em mares brasileiros.

A degradação dos recifes de coral ocorre pela concentração de dióxido de carbono na atmosfera, aumentado nas últimas décadas em uma taxa de várias ordens de magnitude acima dos valores calculados para os últimos 400 mil anos, o que comprova que as mudanças climáticas não são somente um fato mas também que já apresentam suas conseqüências. Os recifes de coral têm sido apontados como o primeiro e maior ecossistema a sofrer impactos significativos, provocador por essas mudanças. Em 1998, um evento global de branqueamento foi detectado em várias partes do mundo e associado a eventos climáticos globais. Os eventos cíclicos de branqueamento e mortalidade de corais têm aumentado dramaticamente à medida que as temperaturas da água do mar alcançaram valores mais altos e que eventos, como o El Nino ocorrem com maior intensidade e freqüência.

Na Grande Barreira de Corais da Austrália, por exemplo, somente nos últimos cinco anos foram registrados dois dos piores eventos de branqueamento da história.

Não são apenas os eventos ligados à mudança climática global que afetam os recifes de coral, mas também os impactos provocados por usos humanos como a pesca, a poluição e o mau uso do solo, que têm degradado os recifes de todo o mundo.

O mais importante, sob o ponto de vista de manejo e conservação, é a que a maioria dos ecossistemas já estava degradada antes de 1900. Os recentes eventos catastróficos de branqueamento e as doenças de corais que têm chamado a atenção e preocupado os cientistas e governo em todo o mundo, na realidade se somam ao problema crônico e severo de declínio dos ambientes recifais. Mesmo sem serem considerados efeitos de mudanças climáticas acredita-se que esses impactos podem vir a destruir nos próximos 30 ou 50 anos, cerca de metade dos recifes hoje existentes.

Um recife de coral, sob o ponto de vista geomorfológico é uma estrutura rochosa, rígida, resistente à ação das ondas e correntes marinhas, construída por organismos marinhos, portadores de esqueleto calcáreos. Em geral, os recifes de coral ocorrem em águas rasas, quentes e claras. Portanto, são encontrados em mais de 100 países e territórios através dos trópicos. Sua beleza é lendária e sua importância, indiscutível, por se tratar do ecossistema mais diverso dos mares e por concentrar globalmente, a maior densidade de biodiversidade de todos os ambientes marinhos.

Estimativas indicam que, em nível mundial, os recifes de coral contribuirão com quase 375 bilhões em bens e serviços, por meio de atividades como pesca, turismo e proteção costeira. No total, acredita-se que 500 milhões de pessoas que vivem em países em desenvolvimento têm algum tipo de dependência associada aos recifes de coral.

A saúde desse ecossistema afeta diretamente essas pessoas. No entanto, os recifes de coral estão seriamente ameaçados. Estima-se que 27% dos recifes do mundo inteiro já foram degradados de forma irreversível. No ritmo atual, previsões indicam que uma perda semelhante ocorrerá nos próximos 30 anos.

O monitoramento dos recifes de coral é especialmente importante devido à correlação encontrada entre os eventos de branqueamento-fenômeno que vem danificando os recifes de coral em todo o mundo – e as mudanças climáticas globais.

A Conferência das Partes, da Convenção da Diversidade Biológica, já havia decidido integrar os recifes de coral no programa de trabalho em diversidade costeira e marinha, e destacar o levantamento de informação como uma das áreas prioritárias de ação.

Em 2002, no World Summit on Sustainable ressaltada a importância de um manejo sustentável, visando aliviar a pobreza e garantir o futuro das pessoas cujas vidas dependem dos recursos provenientes dos recifes de coral.

Recifes de Coral no Brasil

Comunidades de coral foram registradas no Brasil, desde o Parcel de Manuel Luís (Parque Estadual Marinho do Maranhão) até os recifes de Viçosa, na área do Arquipélago de Abrolhos além de estarem presentes em ilhas oceânicas como o Atol das Rocas e Fernando de Noronha. Os estudos dos recifes de coral no Brasil foram iniciados em 1828 com uma expedição de naturalistas alemães Von Spix e Von Martius.

Darwin em 1841 descreveu bancos de arenito em frentes à cidade do Recife. Um estudo detalhado foi publicado por Hartt(1870), o qual está relacionado principalmente com os aspectos geológicos e algumas observações biológicas dos recifes.

Esses primeiros estudos tiveram continuidade com o trabalho de Branner (1904), que fornece uma descrição detalhada dos bancos de arenito da costa nordeste brasileira.

O estudo mais abrangente sobre o assunto, no entanto, foi realizado mais tarde, na década de 60, por Jacques Laborel, durante sua tese de doutorado pela Universidade de Marseille(Laborel,1970). O pesquisador francês forneceu uma descrição qualificativa e semi-quantitativa dos recifes brasileiros, ao longo de quase toda a costa do Nordeste.

Apesar de ter enfrentado em muitas áreas sérios problemas logísticos, o trabalho de Laborel permanece uma referência aos estudos de hoje.

A existência de corais pode ser um bom ou mal indicador do meio ambiente conforme seu estado esteja ou não preservado. O indicador fornece a base para a compreensão e desenvolvimento de uma estratégia governamental para mitigar esses impactos. Ao solicitar informações qualitativas estruturadas, o indicador possibilita a comparação entre organizações e ao longo do tempo da magnitude e natureza relativa aos impactos.

Preservar os recifes de coral é cumprir compromissos com a natureza porque além da beleza ela é fundamental.

Fontes: http://www.fnp.org.mz
http://www.recifescosteiros.org.br
http://www.cprh.pe.gov.br

Carol Salsa, colaboradora e articulista do EcoDebate é engenheira civil, pós-graduada em Mecânica dos Solos pela COPPE/UFRJ, Gestão Ambiental e Ecologia pela UFMG, Educação Ambiental pela FUBRA, Analista Ambiental concursada da FEAM.

EcoDebate, 09/11/2009

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