Rio Gorutuba: Por que o rio é limpo? artigo de Aroldo Cangussu

Nova Porteirinha (MG) - Sob o sol forte, mulheres e meninas lavam roupa nas águas do Rio Gorutuba, que divide as cidades de Nova Porteinha e Janaúba, para ajudar no sustento da família Foto: Valter Campanato/ABr
Nova Porteirinha (MG) – Sob o sol forte, mulheres e meninas lavam roupa nas águas do Rio Gorutuba, que divide as cidades de Nova Porteinha e Janaúba, para ajudar no sustento da família Foto: Valter Campanato/ABr

[EcoDebate] O Rio Gorutuba é um dos raríssimos rios que corta uma cidade de quase oitenta mil habitantes e continua limpo. Isso é devido ele não receber esgotos nem efluentes industriais. Janaúba, até pouco tempo atrás, não tinha coleta de esgoto. Assim, as residências tinham seu próprio “tratamento” de esgoto através de fossas. Cada casa tinha – ou tem – a sua própria fossa. E quanto aos efluentes industriais, as poucas indústrias que temos aqui não jogam os seus resíduos no rio. Só por isso ele foi preservado.

Recentemente, a Copasa implantou em Janaúba uma estação de tratamento de esgotos e a rede coletora em parte da cidade. A opção de ligar o esgoto doméstico à tubulação da Copasa é do próprio morador. Entretanto, pelo que eu sei, a adesão da população ao sistema de esgoto da concessionária tem sido baixa. Talvez, por isso, não está acontecendo a ampliação da rede coletora. De qualquer maneira, os efluentes tratados na ETE da Copasa estão sendo devolvidos ao Rio Gorutuba e espera-se que sejam de boa qualidade e não comprometa a classe a que o nosso rio está enquadrado.

Os efluentes líquidos industriais das duas indústrias próximas ao rio – a Best Pulp e o Frigorífico Independência – são tratados especificamente. Da indústria do tomate, os resíduos são direcionados para uma área próxima à fábrica e usados para fertirrigação. O frigorífico tem a sua própria estação de tratamento, complementada pela da Copasa, que fica em frente.

Mas, infelizmente, nem tudo são flores. O nosso Rio Gorutuba tem muitos problemas. O principal deles é o lixo que é atirado por todo o lado pelas pessoas que não têm consciência. Esse lixo, principalmente plástico, é levado pelo vento e pelas enxurradas e vai direto para as águas do rio. Com o aumento da ocupação das margens do reservatório da Barragem do Bico da Pedra, a quantidade desse lixo também cresceu. Pode se ver facilmente, no lago, garrafas pet, sacolinhas de plástico e uma infinidade de outros resíduos. Ao longo do rio, à jusante da barragem, o panorama é o mesmo.

Outro problema que temos, é a ausência de mata ciliar. Precisamos ainda de plantar muitas árvores para que se possa ter, realmente, uma proteção adequada.

Outros impactos negativos são: lançamento clandestino de efluentes, assoreamento, proliferação de tabuas, captação excessiva de água para irrigação, extração ilegal de areia, lavagem de carros, motos e roupas, além de intervenções no seu leito.

Devemos – e podemos – ter orgulho do nosso rio, porém temos que fazer a nossa parte e tentar preservá-lo para que ele se torne realmente a nossa identidade.

* Colaboração de Aroldo Cangussu, Engenheiro, Coordenador Adjunto do Fórum Mineiro de Comitês de Bacias Hidrográficas, para o EcoDebate, 31/10/2009

Nota do EcoDebate, com informações da Wikipédia: Rio Gorutuba nasce no município de Francisco Sá (Minas Gerais) e percorre o município de Janaúba, banhando a cidade no sentido sul-norte. Faz divisa com os municípios de Riacho dos Machados, Porteirinha e Nova Porteirinha à leste. É o principal rio do município, de onde gira toda a vida histórica, econômica e social do município. Foi represado para construção da Barragem Bico da Pedra, localizada a 6 km da Sede, com volume de 750.000.000 m³ de água que serve para exploração e irrigação de áreas do Projeto Gorutuba com aproximadamente 5.500 hectares, abastecimento de água para a cidade, lazer, irrigação e para lavadeiras, que o utilizam como fonte de sustento.

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