Segurança alimentar e grandes projetos no Maranhão, artigo de Mayron Régis

[EcoDebate] Político que se preze gosta de comissão, comitiva, cargos comissionados, coletiva de imprensa e, por conta dos tempos atuais, conferências populares. Nada mais oportuno e mais presente do que discutir sobre segurança alimentar, mudanças climáticas e o escambau a quatro, contudo os problemas não caem de quatro e nem de cinco vezes sem juros e com direito a ingresso gratuito.

No último dia de comemoração da semana de alimentação, exatamente dia 16 de outubro de 2009, um pouco antes das dez horas da manhã, o Senhor Costa Ferreira, secretário de desenvolvimento social do Maranhão, preferiria uma mesa e uma platéia menos adversária e menos aguerrida como só acontece em eventos nos quais suprimem a fala da sociedade civil ou caso alguém desta tal sociedade civil dê seu voto que ele vá evidente para o dono da mesa ou o dono da bola.

Para o azar do secretario, havia dois membros da mesa que “seqüestraram” a bola e que a devolveram mediante o resgate da agricultura familiar que desde o primeiro mandato de Roseana Sarney sofre com a falta de assistência técnica. A conselheira de segurança alimentar e também coordenadora do Fórum de Segurança Alimentar, a senhora Ermelinda Maria Dias, mencionou o decreto de isenção de ICMS para a agricultura familiar que a governadora Roseana vetou, talvez achando que esta agricultura fulgure com altos índices de produtividade e que prescinda de ajuda pública. O estado do Maranhão castiga com taxação extorsiva os produtos originários da agricultura familiar maranhense que dá pra pensar na divindade dos agricultores familiares.

A sacralização da pobreza talvez seja um dos piores métodos perpetrados pela elite maranhense quando alguém esfrega na sua cara os índices sócio-econômicos que celebram a total indiferença dessa elite à pobreza e à falta de segurança alimentar. O presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar, o senhor Miercio Robert, lacrou no mesmo templo libertino o então senador João Alberto, nosso atual vice-governador, que acionou o velho discurso de que os agricultores familiares moram em casa de taipa por que gostam, o favorecimento da empresa de lacticínios São José pelo secretário de saúde Ricardo Murad e o arquivamento de inquéritos administrativos nos quais funcionários da Agerp eram investigados.

Todo homem religioso como o secretário Costa Ferreira vive a espera de um milagre. Um mundo sem ódio, em que os oponentes se sentem à mesa para dirimir dúvidas, jogar água na fervura e espantar fantasmas. O secretário tocou muito nesse ponto, após a “bola” sair das mãos do senhor Miércio Robert, mas o “verdadeiro” milagre – esqueça a multiplicação dos pães e dos peixes e a transformação de água em vinho – tocou a mente do secretário na forma de uma convocatória da governadora.

Ao lado da governadora, fazendo parte da sua comitiva, o secretário Costa Ferreira deve se sentir melhor. O tema “O Impacto dos Grandes Projetos na Segurança Alimentar” era muito indigesto. Tipo você comer um mocotó ou um sarrabulho de madrugada. Para ele, seria melhor mudar o cardápio para “pratos” mais “leves”: eucalipto, soja, cana e dendê . Esses “pratos” precisam de isenção do ICMS.

Mayron Régis, assessor de comunicação Fórum Carajás, colaborador e articulista do EcoDebate.

EcoDebate, 19/10/2009

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