Marco das negociações sobre mudanças climáticas, uma nova ordem econômica mundial? artigo de Carol Salsa

Maiores emissões de CO2
Maiores emissores de CO2, a partir de 1850

[EcoDebate] Resultados preliminares de um Estudo do Banco Mundial sob o título “ A Economia de Adaptação às Alterações Climáticas – EACC ”, financiado pelos governos da Holanda, Suécia e Rússia destacam os custos de adaptação às mudanças climáticas de países ricos e pobres.

Os objetivos do estudo são: desenvolver uma estimativa dos custos globais na adaptação dos países em desenvolvimento e ajudar os tomadores de decisão na elaboração de estratégias para o problema. Segundo o Relatório, as regiões mais vulneráveis são a Ásia Oriental, Pacífico, América Latina, Caribe e África Subsaariana.

“Os custos de adaptação podem ser suportados pelos países ricos, a julgar pelos valores dos seus PIB’s ( Produto interno Bruto) mas para os países pobres eles são inaceitavelmente elevados”, observou Koenders, ministro holandês da Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável. Ele também destacou que os fatores como a mitigação, adaptação e a cooperação entre as nações são necessários para tornar os emergentes menos vulneráveis às mudanças climáticas.

O estudo revela a mais profunda análise econômica de todos os tempos sobre o tema. Publicado ontem, 30 de setembro de 2009, durante a 4ª Cúpula de Bangkok, na Tailândia, a abordagem consiste em comparar um mundo futuro sem as alterações climáticas (terra habitável?) com um Planeta assolado futuramente pelas mudanças climáticas. A diferença entre esses dois universos envolve uma série de ações para se adaptar às novas condições mundiais dos gastos com as alterações climáticas.

O estudo utiliza uma nova metodologia para avaliar estes gastos. O custo de adaptação às alterações climáticas nos países em desenvolvimento estará entre US$ 75-100 bilhões por ano, entre 2010 e 2050. A diferença entre os universos com e sem alterações climáticas são os mesmos da adaptação às transformações do Meio Ambiente. Diante da perspectiva de custos de infraestrutura adicional, bem como secas, doenças, e reduções drásticas da produtividade agrícola, os países em desenvolvimento precisam estar preparados para as possíveis conseqüências dessas alterações. Neste contexto, o acesso ao financiamento necessário será crucial, afirmou Kathrine Sierra, vice-presidente do Banco Mundial para o desenvolvimento sustentável.

Para Koenders, “ o estudo do Banco Mundial deixa claro que a tomada de medidas em favor da adaptação pode resultar em economias capazes de reduzir o que chamou de “ riscos inaceitáveis ”. Enfim, o trabalho do Banco Mundial destaca que as estratégias de desenvolvimento devem maximizar a flexibilidade e incorporar o conhecimento sobre mudanças climáticas assim como ela é adquirida. “O crescimento econômico é a forma mais poderosa de adaptação”, destacou Warren Evans, diretor de Meio Ambiente do Banco Mundial. No entanto, o dinheiro minimiza os impactos das mudanças climáticas, mas não a sua causa, ponderou Evans.

Concluimos que os financiamentos necessários ao atendimento às vítimas das mudanças climáticas antecedem, por esgotamento do tempo, o estabelecimento dos “Limites da Terra”, servindo este tema apenas como reflexão, hoje e sempre.

Carol Salsa, colaboradora e articulista do EcoDebate é engenheira civil, pós-graduada em Mecânica dos Solos pela COPPE/UFRJ, Gestão Ambiental e Ecologia pela UFMG, Educação Ambiental pela FUBRA, Analista Ambiental concursada da FEAM.

Fonte: EcoDebate, em 1/10/2009

EcoDebate, 05/10/2009

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