Influenza Suína: desinformação e automedicação esgotam remédios em farmácias do Rio

Influenza saína

Nenhum caso de gripe suína foi confirmado no Brasil, mas continua a procura pelo medicamento recomendado para o tratamento da doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Tamiflu, que está esgotado em várias farmácias da capital fluminense. Nas ruas, os camelôs começam a vender máscaras de proteção.

A Agência Brasil procurou o remédio em 15 farmácias da capital e em todas, a caixa com 10 comprimidos – que pode custar de R$ 71 R$ 156, – está esgotada.

“Está em falta geral [o Tamiflu]. Ninguém mais tem. Tem gente que quer levar cinco seis caixas de uma vez, mas não tem. Com esse negócio de gripe suína, tem muita procura. De duas semanas para cá, nem o distribuidor tem mais”, contou o atendente Daniel César, ao informar que onde trabalha, o medicamento acabou no dia 28/4.

A fabricante do remédio no Brasil, a Roche, informou que recebe os pedidos de Tamiflu das farmácias, mas que a prioridade é disponibilizar para o Ministério da Saúde, que pode distribuir o remédio, caso necessário. De acordo com o fabricante, neste momento, não é possível repor o remédio imediatamente nos revendedores, mas os pedidos antigos estão sendo entregues normalmente.

Nos camelôs próximos ao cais do porto, uma barraca vendendo máscaras chama atenção. De acordo com o dono, somente hoje (29), mais de 30 pessoas levaram o produto. “O pessoal que trabalha aqui nas redondezas compra porque vai ter contato direto com estrangeiros”, explica Manolo, em relação aos navios. Ao observarem a saída do produto, outros ambulantes se dizem interessados pelas máscaras.

Infectologista diz que pessoas não precisam comprar remédios para gripe suína

A população não precisa comprar remédios contra a gripe suína. O alerta é do presidente da Sociedade de Infectologia do Rio de Janeiro, Samuel Kierszenbaum, que comentou ontem (29) a procura pelo remédio Tamiflu, esgotado em farmácias da capital fluminense.

De acordo com Kierszenbaum, os pacientes que precisarem de tratamento vão receber o medicamento na dose adequada, de acordo com prescrição médica. Como nenhum caso foi detectado no país, ele acrescenta que não há motivo para alarde.

“Não adianta comprar remédios. O medicamento só funciona na hora certa. Não adianta comprar ou estocar o remédio. A indicação cabe ao médico”, destacou. “Caso haja problema, o paciente será encaminhado e examinado. Confirmada a patologia, a pessoa será medicada”.

O infectologista lembra que, com as temperaturas mais amenas nesta época do ano, gripes e resfriados são comuns. Para diferenciar os sintomas de uma gripe normal dos sintomas da gripe suína, ele explica que outras informações dadas pelo paciente também são consideradas.

“O dado epidemiológico faz a diferença. Se a pessoa veio de uma região onde está confirmada a gripe, como o México, pode ser um caso suspeito. Agora, uma [gripe] em pessoa que veio de um país sul-americano, por exemplo, não é motivo para entrar em pânico”.

Kierszenbaum também reafirma que não há transmissão de gripe suína no consumo de carne de porco. Segundo ele, a transmissão é feita pelo ar, ao falar e ao tossir, por exemplo.

“Por isso, é recomendado o uso da máscara para quem vem de áreas onde casos da doença foram confirmados. É uma medida para proteger as pessoas daqui”, acrescentou.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o vírus da gripe (Influenza) atinge cerca de 15% da população do mundo a cada ano e a incidência varia de acordo com a temperatura de cada região.

Matérias de Isabela Vieira, da Agência Brasil

[EcoDebate, 30/04/2009]

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