Melanoma: Novo método usa marcadores genéticos para dignosticar com precisão amostras de tecido benigno ou maligno

Mancha ou melanoma?

Mancha ou melanoma? – Um grupo de pesquisa da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, desenvolveu um novo método para distinguir entre manchas benignas e melanoma. A técnica consiste em medir diferenças nos níveis de marcadores genéticos.

A novidade conseguiu distinguir entre lesões benignas na pele e melanomas com uma taxa da sucesso superior a 90%. Também teve bom resultado com relação a casos incorretamente diagnosticados. O método deverá ajudar casos mais complexos, uma vez que, segundo os autores do estudo, exames comuns de tecidos, feitos em microscópios, podem ser ambíguos e subjetivos.

O melanoma cutâneo é um tipo de câncer que tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele). Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), embora só represente 4% dos tipos de câncer de pele, o melanoma é o mais grave devido à sua alta possibilidade de metástase.

A letalidade do câncer de pele melanoma é elevada, porém sua incidência é baixa. São cerca de 6 mil novos casos por ano no país, segundo a Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil.

Para desenvolver a estratégia de diagnóstico molecular, os pesquisadores usaram um microarray (lâmina preparada com arranjo de fragmentos de DNA) para isolar cerca de mil genes humanos que estavam presentes em diferentes níveis em melanomas.

Identificaram cinco genes que apresentavam níveis de atividade superiores em melanomas com relação a manchas benignas. As proteínas produzidas por cada um dos genes foram coloridas (marcadas) com anticorpos específicos para fins de diagnóstico de modo a avaliar o nível de expressão genética no tecido.

Segundo o estudo, a nova técnica foi capaz de distinguir entre manchas benignas e melanomas em diferenças no nível e no padrão de atividade das cinco proteínas produzidas.

Os cientistas examinaram os níveis dos cinco biomarcadores em 693 amostras de tecido de biópsias. Antes, um dos autores do estudo, patologista, revisou os diagnósticos das amostras, para garantir que estavam corretos.

O grupo analisou as amostras com o novo método e verificou que o aumento na produção das proteínas pelos melanomas, comparado com as manchas não malignas, foi estatisticamente significante, servindo como um indicador confiável para diagnóstico.

As proteínas também apresentaram padrões de atividade diferentes nos dois tipos de tecido, constituindo um outro indicador para diagnóstico. “Encontramos diferenças claras na intensidade da expressão genética, mas observamos também que o padrão de atividade da proteína de cima para baixo no tecido era muito diferente entre os tecidos benigno e maligno”, disse Mohammed Kashani-Sabet, primeiro autor do estudo.

Alguns dos genes identificados – e suas proteínas – se mostraram indicadores melhores do que os outros, mas a maior eficácia foi verificada justamente na combinação dos cinco biomarcadores. O método resultante identificou corretamente 95% das manchas benignas e 91% dos melanomas. Nos casos mais difíceis, a eficiência foi de 75%.

Os pesquisadores entraram com pedido de patente para o uso dos marcadores genéticos no diagnóstico de melanoma.

O artigo ‘A multi-marker assay to distinguish malignant melanomas from benign nevi‘, de Mohammed Kashani-Sabet e outros, na PNAS, published online before print March 30, 2009, doi:10.1073/pnas.0901185106, é um arquivo open access. Para acessar à íntegra do artigo, no formato PDF, clique aqui.

Para maiores informações publicamos, abaixo, o abstract:

Abstract

The histopathological diagnosis of melanoma can be challenging. No currently used molecular markers accurately distinguish between nevus and melanoma. Recent transcriptome analyses have shown the differential expression of several genes in melanoma progression. Here, we describe a multi-marker diagnostic assay using 5 markers (ARPC2, FN1, RGS1, SPP1, and WNT2) overexpressed in melanomas. Immunohistochemical marker expression was analyzed in 693 melanocytic neoplasms comprising a training set (tissue microarray of 534 melanomas and nevi), and 4 independent validation sets: tissue sections of melanoma arising in a nevus; dysplastic nevi; Spitz nevi; and misdiagnosed melanocytic neoplasms. Both intensity and pattern of expression were scored for each marker. Based on the differential expression of these 5 markers between nevi and melanomas in the training set, a diagnostic algorithm was obtained. Using this algorithm, the lesions in the validation sets were diagnosed as nevus or melanoma, and the results were compared with the known histological diagnoses. Both the intensity and pattern of expression of each marker were significantly different in melanomas compared to nevi. The diagnostic algorithm exploiting these differences achieved a specificity of 95% and a sensitivity of 91% in the training set. In the validation sets, the multi-marker assay correctly diagnosed a high percentage of melanomas arising in a nevus, Spitz nevi, dysplastic nevi, and misdiagnosed lesions. The multi-marker assay described here can aid in the diagnosis of melanoma.

* Matéria da Agência FAPESP, com informações complementares do EcoDebate.

[EcoDebate, 01/04/2009]

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