O Saneamento e a Tartaruga, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

[EcoDebate] O Saneamento Brasileiro e a Tartaruga fizeram uma aposta: até o final do século XXI iriam disputar quem chegaria mais longe.

A Tartaruga, em seus rápidos e longos passos, menosprezou a lerdeza do Saneamento e ainda tirou um cochilo sob vários governos. Jurava que iria ser ultrapassada pelo Saneamento. Quando acordou, descobriu que Fernando Henrique tinha considerado o Saneamento como despesa pública e não como investimento. Então, por sugestão do Banco Mundial, não aplicou um tostão no Saneamento. Era a lógica do precarizar para privatizar. A Tartaruga olhou para trás e descobriu que o Saneamento nem apontara na curva.

Então veio o Lula e o Saneamento, envergonhado de perder uma corrida para uma Tartaruga, pensou: – Agora ganho essa corrida -.

Promessas havia muitas, afinal, o financiamento do Saneamento está garantido por lei, podendo usar os recursos do Fundo de Garantia do Trabalhador, ou seja, o FGTs. Porém, de repente sai uma pesquisa e podemos conferir que o Saneamento ainda está perdendo para a Tartaruga. Apenas 51 % dos lares brasileiros têm acesso ao Saneamento. Mesmo assim, nem comentam quanto desse esgoto coletado é tratado antes de ser despejado nos rios. Mas, nós já sabemos: 80% do esgoto coletado infectam diretamente nossos humilhados rios.

A ONU já disse que, para cada dólar investido no Saneamento, quatro dólares são poupados na saúde. Portanto, muito ao contrário do que pensa o Bando Mundial e Fernando Henrique, o Saneamento é investimento e não despesa.

O problema é que Lula, nessa questão, não pensa e não age muito diferente de Fernando Henrique. O segundo gosta de se comparar ao primeiro sempre em termos quantitativos, jamais qualitativos. Porém, na disputa entre o Saneamento e a Tartaruga, está difícil saber quem chegará por último.

Roberto Malvezzi (Gogó) é Assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT, colaborador e articulista do EcoDebate

[EcoDebate, 23/09/2008]

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