bancada do desmatamento: Senadores querem fim de operação antidesmate

Pressionado por lobby de madeireiros, grupo diz que ação causa desemprego – Um grupo de parlamentares da subcomissão de Meio Ambiente do Senado, presidida por Flexa Ribeiro (PSDB-PA), quer acabar com a Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal (PF), deflagrada em fevereiro para combater a exploração ilegal de madeira na Amazônia. Por Christiane Samarco, BRASÍLIA, para O Estado de S.Paulo, 25/04/2008.

Pressionados de um lado pelo lobby dos madeireiros, que movimentam a economia de várias cidades e financiam campanhas eleitorais, e de outro por prefeitos que se queixam do “desastre econômico” produzido pela Arco de Fogo, que paralisou o setor a seis meses da eleição municipal, os senadores cobram do governo federal a fatura dos prejuízos.

Para esses parlamentares, o “grande desmatador” não é o madeireiro que atua irregularmente na região, mas o governo federal, com seus programas de assentamento. Eles contestam os números do desmatamento crescente na região, levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), acusam a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de divulgá-los com estardalhaço só para garantir mais verbas para seu ministério e o governo de ignorar a questão social paralisando a única atividade econômica de muitos municípios, sem distinguir madeireiras legais das ilegais.

‘MADEIREIRO NÃO É BANDIDO’

“Não precisamos da força-tarefa de centenas e centenas de agentes federais da Força Nacional. Precisamos de uma força-tarefa para buscar a regularização fundiária e fazer com que o Estado brasileiro esteja presente naquelas comunidades, buscando soluções”, protestou o senador Jayme Campos (DEM-MT) no plenário do Senado. “Não é o madeireiro que destrói o meio ambiente. Madeireiro não é bandido”, concorda o senador Expedito Júnior (PR-RO), destacando que não teve recurso de madeireiro financiando sua eleição.

Ele e Campos participam do grupo das inspeções locais aprovadas pela subcomissão de Meio Ambiente para acompanhar o trabalho da PF nos quatro Estados onde a operação foi deflagrada (AM, PA, RO e MT). Na semana passada, os dois estiveram no Pará com Flexa Ribeiro e Sibá Machado (PT-AC). Ontem estiveram em Rondônia, onde cumpriram agenda de visitas a alguns dos 36 municípios da lista dos que mais desmataram em 2007, elaborada pelo Inpe.

Os números do instituto apontam Mato Grosso como responsável por 77% dos 145,5 quilômetros quadrados de novos desmatamentos registrados pelo Sistema de Detecção em Tempo Real (Deter) no mês de março. O levantamento mostra que só o município de Marcelândia, no norte do Estado, engrossou as estatísticas com 45% do total de desmatamento da Amazônia Legal no período.

Preocupado com a forte reação à Arco de Fogo dentro e fora do Congresso, o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), adverte que “a subcomissão corre o risco de resolver mais os interesses da atividade ilegal do que o problema do desmatamento”. “A operação é um tratamento de choque necessário”, afirma.

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