ONU vai proibir utilização de mercúrio em todo o mundo

Publicado em fevereiro 20, 2009 por

Tags: contaminação

Compartilhe:

As termelétricas a carvão são grandes emissoras de mercúrio. Foto da AP
As termelétricas a carvão são grandes emissoras de mercúrio. Foto da AP

Em dois anos o planeta deverá estar livre de um dos metais pesados mais tóxicos. Nova postura dos EUA nos assuntos ambientais foi elogiada. O “Global Green New Deal” faz progressos.

Após longo debate, os ministros do Meio Ambiente dos países-membros da ONU decidiram-se pela proibição global da utilização do mercúrio. A resolução foi aprovada durante a conferência de cúpula que se realiza em Nairobi, de 16 a 20 de fevereiro de 2009, e se ocupa do combate ao aquecimento do clima e da solução dos problemas ambientais, face à crise financeira global.

Em seguida, está previsto um decreto da Organização das Nações Unidas com o fim de banir do mundo, no prazo de dois anos, um dos metais pesados mais tóxicos. Atualmente cresce a concentração do mercúrio no meio ambiente, em especial devido ao aumento do número das usinas de carvão mineral na Ásia.

O ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, elogiou em especial a participação da delegação estadunidense. Nos últimos seis anos, o país vinha bloqueando qualquer avanço na interdição do mercúrio. Gabriel ressaltou quão rapidamente o clima de negociações se modificou desde que Barack Obama assumiu a presidência norte-americana.

“Os EUA estão dispostos a fechar um acordo para proteção do clima já em dezembro, mesmo que sua legislação nacional a respeito ainda não tenha entrado em vigor. Eles também afirmam que nada farão sem a contribuição de grandes países emergentes como a China. Esta posição coincide com a da União Europeia.”

Promessa de lucros verdes

Como novo instrumento da política climática, Gabriel anunciou a criação de uma instituição encarregada de garantir que os investimentos em energias renováveis e na utilização energética mais eficiente também fluam para as nações em desenvolvimento. Até o momento, esses investimentos têm se concentrado em países emergentes como a China ou a Índia.

“Ajudaremos Achim Steiner [diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma)] a trazer para Frankfurt um centro de investimentos financeiros na moderna política de energia. [...] É um investimento que apoiamos”, declarou.

O ministro alemão ressaltou que procurará conseguir a participação dos bancos alemães na instituição em questão. Ele não crê que haverá resistência da parte do setor debilitado, pois o centro em Frankfurt oferece ótimas possibilidades de lucros.

“Creio ter chegado o tempo em que volta a funcionar aquilo que durante décadas foi o segredo do sucesso alemão, ou seja, o investimento nos mercados reais, na economia real. E que mercado maior há, do que a energia, nas próximas décadas? Por isso, acho que é um bom momento”, comentou Sigmar Gabriel.

Global Green New Deal

Mais de mil delegados de 140 nações estão reunidos desde a última segunda-feira (16/02) na capital do Quênia para discutir problemas ambientais urgentes, com vistas a um Global Green New Deal. Como enfatizou Achim Steiner, este “novo acordo” para uma economia global mais verde deverá se concentrar na “eficiência energética, no transporte, mobilidade, produtos de tecnologias renováveis”.

O discurso de abertura do diretor do Pnuma teve como lema “De toda crise nasce uma chance”, em referências à crise global. Steiner advertiu: não se pode abusar de pacotes conjunturais trilionários para simplesmente se continuar como até então.

“Para quem serão mantidos e criados postos de trabalho? Quais ainda existirão no futuro, para nossos filhos, que afinal de contas, é que pagarão esses enormes pagamentos adiantados?”, instou o teuto-brasileiro.

Hora de mudar de rumo

Segundo estudo apresentado no encontro e realizado com a participação do Banco Mundial e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), investimentos maciços em melhorias ecológicas trariam milhões de novos empregos. Um dos autores do documento, o economista norte-americano Edward Barbier, explicitou:

“A atual crise econômica é produto da crise de alimentos, petróleo e finanças no ano passado. Se agora simplesmente reavivarmos a velha economia, talvez recuperaremos alguns empregos, porém as causas da crise permanecerão. Acrescentemos o aquecimento global e a crescente carência de água. Precisamos enfrentar todos esses problemas e, ao mesmo tempo, gerar trabalho: é este o Global Green New Deal.”

Barbier sugere que as nações industrializadas invistam pelo menos 1% de seu Produto Interno Bruto em setores verdes da economia. Ele dá o exemplo da Coreia do Sul, que disponibilizou o triplo até mesmo desta soma em seu pacote conjuntural, sobretudo por considerações econômicas. Os EUA também incluíram 100 bilhões de dólares em investimentos verdes, e esperam criar, assim, 2 milhões de novos empregos.

DW (av)

* Matéria da Agência Deutsche Welle, DW-WORLD.DE

** Notícia enviada por Edinilson Takara, leitor e colaborador do Ecodebate.

Nota do Ecodebate: leiam, abaixo, outras matérias relativas à contaminação por mercúrio:

O combate ao mercúrio, artigo de Achim Steiner

http://www.ecodebate.com.br/2009/02/18/o-combate-ao-mercurio-artigo-de-achim-steiner/

Uso de mercúrio nos garimpos de ouro é uma ameaça tóxica em escala global

http://www.ecodebate.com.br/2009/01/28/uso-de-mercurio-nos-garimpos-de-ouro-e-uma-ameaca-toxica-em-escala-global/

EUA: Relatório denuncia o aumento das emissões de mercúrio pelas usinas termelétricas a carvão

http://www.ecodebate.com.br/2008/11/24/eua-relatorio-denuncia-o-aumento-das-emissoes-de-mercurio-pelas-usinas-termeletricas-a-carvao/

Trabalho mede teor de mercúrio, que pode ter efeitos nocivos para o organismo, em crianças do litoral de São Paulo

http://www.ecodebate.com.br/2008/11/10/trabalho-mede-teor-de-mercurio-que-pode-ter-efeitos-nocivos-para-o-organismo-em-criancas-do-litoral-de-sao-paulo/

Artigo revisa estudos de duas décadas sobre exposições a mercúrio na Amazônia

http://www.ecodebate.com.br/2008/11/05/artigo-revisa-estudos-de-duas-decadas-sobre-exposicoes-a-mercurio-na-amazonia/

Pesquisas avaliam contaminação por mercúrio no Canadá e nos EUA

http://www.ecodebate.com.br/2008/09/05/pesquisas-avaliam-contaminacao-por-mercurio-no-canada-e-nos-eua/

Vídeo: Mercúrio no ambiente pode ter relação com o autismo

http://www.ecodebate.com.br/2008/05/05/video-mercurio-no-ambiente-pode-ter-relacao-com-o-autismo/

[EcoDebate, 20/02/2009]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário do Portal EcoDebate
Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta que envie um e-mail para newsletter_ecodebate-subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.



Comments are closed.