Especialista critica projeto sobre pagamento por serviços ambientais; SOS Mata Atlântica e Embrapa também criticam

Imagem: Corbis/Charles Waller
O professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB) Maurício Carvalho Amazonas apontou há pouco aquele que considera ser o principal problema do projeto de lei que institui o pagamento por serviços ambientais (PL 792/07, do ex-deputado Anselmo de Jesus). A proposta, para o especialista, adotaria uma “visão contratualista” da questão.
Segundo Amazonas, essa concepção “contratualista” provoca conflitos, por tratar o pagamento pelo serviço de forma equivocada. De acordo com professor, em casos como esse existe é uma lógica compensatória por um serviço já prestado. “Não se trata de compra, é dinheiro que vai ser restituído para a sociedade como forma de compensação”, sustenta.
Essa lógica, conforme o professor, provoca ainda um segundo problema, que á falta de vinculação a um programa específico. “Você tem uma proposta três em um, que pode ser ambiental, social de transferência ou ainda incentivo microeconômico”, afirma.
Como a principal fonte de financiamento prevista no projeto é por meio de recursos orçamentários da União, o professor acredita que esses fatores somados podem criar grandes problemas quando o pagamento por serviços ambientais entrar em vigor.
Maurício Carvalho Amazonas participou do seminário “Pagamento por serviços ambientais”, realizado pela Comissão de Finanças e Tributação no Plenário 4.
Embrapa também critica projeto sobre pagamento por serviços ambientais
Para o pesquisador da Embrapa Luciano Mattos, a proposta que institui o pagamento por serviços ambientais no Brasil tem como problema central a falta de foco em produção agropecuária sustentável. O texto em discussão é o PL 792/07, do ex-deputado Anselmo de Jesus.
Na concepção do pesquisador, esse enfoque somente em conservação traz consequências negativas do ponto de vista econômico. “A produção agropecuária cria laços econômicos; se o agricultor simplesmente para de produzir, acaba a cadeia produtiva”, argumenta.
Para ONG, pagamento por serviços ambientais não é para reflorestamento
O vice-presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, Pedro Passos, ressaltou que o pagamento por serviços ambientais não pode ser utilizado para financiar projetos de reflorestamento. “Temos de ter mecanismos claros para impedir o benefício para quem descumpriu a lei, para isso deve haver outros programas”, sustentou.
Ainda conforme Passos, que é também presidente do Conselho de Administração da Natura, os mecanismos de pagamento desses serviços devem ser muito simples. Isso porque, para ele, os principais beneficiados devem ser pequenos produtores e agricultores familiares. “Sabemos fazer isso, não podemos depender de editais, processos complicados em questões que são para atender a todos”, argumenta.
De acordo com o ambientalista, com R$ 1 milhão inicial ao ano, mais R$ 1 milhão a cada ano, é possível criar um mecanismo eficiente em dez anos.
Íntegra da proposta: PL-792/2007
Matérias da Agência Câmara de Notícias, publicadas pelo EcoDebate, 10/10/2012
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Minha opinião sobre o evento é completamente diferente.
Gostei muito do seminário, das contribuições dos palestrantes, e principalmente da condução do Deputado Arnaldo Jardim. Ele começou o seminário pedindo para que todos apontassem tudo o que precisasse ser mudado ou melhor na PL, pois a intenção ali era melhorar o PL. Como o tempo era curto, apenas 10 minutos por pessoa, a maioria deixou suas apresentações de lado e foi direto SOS pontos de melhoria.
Sinceramente, foi uma das melhores discussões que já vi na Câmara sobre projetos de lei.